Com os preços dos combustíveis novamente a subir, há portugueses que atravessam a fronteira para abastecer em Espanha, onde, pelo menos na estação de serviço La Chuca, os preços continuam abaixo dos dois euros por litro.
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Do lado português, na semana passada, os preços mais elevados ultrapassam os 2 euros e 24 por litro no gasóleo e os 2 euros e 21 na gasolina.
Seja de passagem ou propositadamente, o que é certo é que para os portugueses compensa abastecer em território espanhol.
Manuel Gonçalves, veio de Celas, concelho de Vinhais. “Aproveitei a passagem para meter gasóleo, que é mais barato. O gasóleo está caríssimo, estão insuportáveis estes preços. Não dá iniciativa para trabalhar, uma pessoa fica desmotivada com isto", contou.
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Para Herculano Gonçalves que veio de Bragança, poupar é a palavra de ordem. “É mais barato, temos de poupar. Estamos no tempo da poupa, temos que aproveitar. Está insuportável. Só consumir mesmo o necessário, o resto, carro na garagem e nada mais.”
Do lado de Bragança, veio Adriano Sanches. "Vim de Quintanilha e dei um salto aqui. Até compensa vir de propósito. Dá-se um passeio, leva-se algum combustível mais barato e o gás então já nem se fala", apontou.
A diferença de preços não se sente apenas junto à fronteira. Quem viaja pela Europa também encontra países onde abastecer continua a ficar mais barato do que em Portugal. É o caso de Nuno Ferreira que tinha como destino o Porto, mas família em Trás-os-Montes.
“Fui buscar uma viatura a Itália, na área de Milão, onde a gasolina 95 estava a 2,03 euros. Depois, durante a viagem, já na parte de França, consegui meter gasolina a 1,99 euros, também é um preço significativo. Na parte do Mónaco não abasteci, mas passei lá e também tinha a gasolina a 2,09 euros. Na parte de Espanha abasteci logo quando cheguei e também consegui abastecer por 1,91 euros. Meto sempre a gasolina melhor, o que faz uma grande diferença. Acabei por encher o depósito aqui em Espanha”, partilhou.
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Para Nuno Ferreira, esta é uma realidade difícil de compreender quando comparado com os salários nacionais.
“Custa-me ver que em países um pouco mais desenvolvidos a nível de salários que o nosso, conseguem ter valores inferiores e custa-me ver por onde nós estamos a caminhar, sem dúvida alguma.”
Entre os 1 euro e 88 do gasóleo na La Chuca e os valores que ultrapassam os 2 euros e 24 em Portugal, a diferença ajuda a explicar porque é que tantos portugueses continuam a atravessar a fronteira para encher o depósito.
Numa altura de pressão sobre os preços dos combustíveis, para quem vive junto à fronteira, a poupança pode estar apenas a alguns quilómetros de distância.
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