A Igreja e Convento de São Francisco, em Bragança, recebeu o concerto de abertura da sexta edição do Bragança ClassicFest.
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O festival de música erudita, que este ano atravessou também a fronteira, com um concerto em Zamora, demonstra o crescimento do projeto.
Para o diretor artístico do festival, Filipe Pinto Ribeiro, é “muito importante” abrirem as portas “ao público estrangeiro” e adianta que tem conhecimento de que mais cidades espanholas estão interessadas em acolher o ClassicFest.
“Eu já ouvi dizer, há cidades como León e Ourense que já estão interessadas numa colaboração no futuro. Isso é de facto muito gratificante e demonstra que este projeto, ano após ano, vem crescendo e vem-se renovando”
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Uma dimensão transfronteiriça que além de levar a música clássica mais longe também permite reforçar os laços entre Bragança e os territórios espanhóis vizinhos. A cultura é, para o município, mais uma ferramenta de aproximação.
“Já é intensa a colaboração entre Bragança e Zamora e, portanto, através da cultura ainda a potenciamos mais. A escala é muito importante sobre todos os pontos de vista, desde logo pelas relações institucionais, mas sobretudo depois pelo que essas relações possibilitam, que é aproximar as pessoas e dinamizar também o nosso concelho e internacionalizar a nossa cultura”, frisou a presidente da Câmara Municipal de Bragança, Isabel Ferreira.
A autarca destaca ainda o impacto que a realização de eventos culturais de dimensão internacional pode ter na economia local, através da atração de visitantes ao concelho.
“Mas também trazer pessoas ao nosso concelho que venham assistir a estes magníficos concertos, depois vão à nossa restauração, vão ao nosso comércio, e isso é muito importante, ter uma vida social, cultural ativa aqui em Bragança”, acrescentou.
Ao longo das seis edições, o Bragança ClassicFest tem procurado também conquistar um público cada vez mais diversificado e intergeracional. Filipe Pinto Ribeiro considera que os concertos são procurados por estudantes universitários, famílias, jovens e pessoas de diferentes gerações.
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“Tem um público extremamente heterogéneo e intergeracional. Eu penso que desde estudantes universitários, a famílias, jovens, pessoas de várias gerações, é o que eu vejo nos concertos”, explicou.
O diretor artístico acredita que o aumento da procura justifica a aposta numa programação diversificada. Este ano, a presença da orquestra do Teatro La Scala de Milão, com dois concertos, é apontada como um dos exemplos dessa estratégia.
“A ideia, por exemplo, este ano, de nós trazermos a orquestra do Teatro La Scala de Milão e de fazer dois concertos foi já pensar nisso, porque um parecia que iria esgotar imediatamente e tal está mesmo a acontecer. Portanto, os dois irão certamente estar esgotados”, afirmou.
Para o responsável, a programação deve permitir simultaneamente descobrir novos repertórios e linguagens e aproximar a música clássica de outras áreas artísticas.
“Há, por um lado, descobrir repertórios, descobrir novas linguagens dentro da música clássica, e é muito ampla, são séculos de música, portanto a música clássica não é algo tão reduzido, mas depois também pensar um pouco naquilo que possam ser concertos que articulam a dimensão musical com o teatro, como vamos ter este ano com a Maria Roeff, ou com a literatura, como vamos ter no concerto de Natal, com o humor, com várias dimensões que possam atrair esses públicos.”
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Filipe Pinto Ribeiro considera ainda que o crescimento do interesse pela música clássica também está relacionado com a facilidade de acesso proporcionada pelas plataformas de streaming, sobretudo entre os públicos mais jovens.
“O que está a acontecer hoje em dia é que a música clássica está em crescimento muito acelerado nas plataformas de streaming e junto dos jovens, curiosamente”, sublinhou.
Nesse sentido, defende que é essencial manter uma oferta cultural diversificada e acessível, capaz de chegar a públicos cada vez mais amplos.
“Aquilo que eu sinto aqui em Bragança, pelo menos, é que a programação é feita de uma forma muito aberta, a pensar de facto no mais amplo, mais diverso público possível e isso tem resultado muito”, concluiu.
Para Isabel Ferreira, a qualidade da programação é também um fator determinante para a afirmação do festival. “Todo o ClassicFest tem um programa ao mais alto nível que posiciona Bragança no roteiro dos festivais de música clássica mais importantes do mundo e isso é um orgulho para Bragança”, afirmou.
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ClassicLab: uma componente pedagógica
O Bragança ClassicFest conta ainda com o ClassicLab, uma iniciativa que pretende reforçar a componente pedagógica do festival e a ligação aos estudantes. A ideia surge depois das experiências realizadas ao longo das cinco edições anteriores, como masterclasses no Conservatório, ensaios abertos e outras iniciativas.
“No fundo a ideia foi dar-lhe uma dimensão diferente e no fundo também no tempo expandir a programação”, disse o responsável, explicando que o objetivo passa por criar uma programação mais regular, ligada à formação, à mediação e à criação artística.
“Pensamos, ao longo do ano criar estes projetos de atração também de pessoas, que vêm a Bragança, que estão aqui, que passam aqui algum tempo, que trabalham com os estudantes, que podem fazer música, concertos e também criar uma oferta ainda maior daquilo que é a dimensão daquilo que é a dimensão do festival.”
O diretor artístico destaca ainda a importância de criar oportunidades para os jovens, mantendo simultaneamente uma ligação ao público.
“Para mim é uma paixão muito grande poder, de facto, fazer projetos que incluem, por um lado, os jovens, que lhes dão oportunidades e que fazem crescer, mas também ao mesmo tempo criam um lado público da apresentação.”
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As atividades passam pelo Conservatório de Bragança e pelo Teatro Nacional de Bragança, estando também previsto o envolvimento de instituições de ensino superior.
Filipe Pinto Ribeiro considera que esta componente pode deixar um impacto duradouro, através da aproximação aos estudantes, aos públicos e à própria comunidade.
“Há uma dimensão que de facto são os concertos, são as orquestras, os músicos, é no fundo aquilo que nós fazemos de difusão cultural e de criação em cima do palco e com o público. Há uma dimensão que acaba por ser muito importante, que é esta dimensão de ligação aos estudantes e aos públicos e pensando já eventualmente em projetos também colaborativos, envolvendo a comunidade, envolvendo, por exemplo, por que não IPSS”, disse, acrescentando que “essa dimensão pode crescer e parece muito necessária naquilo que, ou muito pertinente, não é, naquilo que possa ser a atividade deste festival, que ganha uma identidade também muito especial com essa nova vertente.”
As Masterclasses e a residência artística do ClassicLab decorrem de 14 a 15 de dezembro.
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