Central eólica de quase 6 mil hectares projetada para Avelanoso. Autarca de Vimioso pede mais esclarecimentos
Está em consulta pública, desde terça-feira, o projeto de uma central eólica de fronteira com uma área de estudo de 5 893 hectares, que prevê a instalação de 35 aerogeradores, 20 dos quais na freguesia de Avelanoso, no concelho de Vimioso. O autarca, António Santos, já reuniu com a promotora Engie.
O Município de Vimioso reuniu, ontem, com a Engie, a propósito da instalação de uma Central Eólica de Fronteira, em Avelanoso.
PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR
À Rádio Brigantia e ao Jornal Nordeste, O presidente da câmara, António Santos, adiantou que a reunião foi meramente informativa.
“Foi-me dado a conhecer que pretendem instalar um parque eólico de fronteira com uma instalação de 20 torres na freguesia de Avelanoso. É um processo que só agora está em fase embrionária, está em consulta pública, a criação pelo governo da zona de regulação energética”, disse acrescentando que, no seu entender este processo vai demorar “cerca de três a cinco anos” por estar só “em fase de entrega da proposta para definição do âmbito, não há ainda estudos de impacte ambiental. Após esta fase é que vai ser diligenciado no sentido de entrega do estudo de impacte ambiental, declaração de impacto”, frisou.
O projeto para a instalação desta central em Avelanoso está, desde terça-feira e até 17 de agosto, em consulta pública.
PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR
No aviso, a Agência Portuguesa do Ambiente dá conta que o projeto consiste “na instalação de um centro electroprodutor constituído por uma Central Eólica, numa Área de Estudo aproximada de 5893 hectares”.
A potência instalada é de 157,5 Megawhatts “distribuídos por 35 aerogeradores, interligados à Central Hidroelétrica de Picote.”
A ideia é que, em conjunto, estes dois centros produtores formem uma exploração híbrida, ambos com injeção na Central Hidroelétrica de Picote.
Apesar da reunião e destas explicações, que podem ser consultadas na Proposta de Definição de Âmbito (PDA) do Estudo de Impacte Ambiental do Projeto da central, através do site, Participa.pt, António Santos diz não estar, “suficientemente” esclarecido para poder tomar uma posição. Nesse sentido, o autarca garante que vai “procurar melhores esclarecimentos, por forma a poder tomar uma decisão, porque a Direção-Geral de Energia só licencia a concessão após a entrega de uma declaração concordante do município.”
Questionado, António Santos, diz que pretende pedir esclarecimentos à Engie, mas também à Agência Portuguesa do Ambiente, ao ICNF, bem como à Secretaria de Estado da Energia para garantir que não “cometem erros a esse propósito.”
“Ainda está tudo muito no obscurantismo e, obviamente, temos ouvido muitas vozes que se pronunciam a favor e outras contra. Digamos, que existe um equilíbrio. Eu não opto por qualquer decisão sem que seja, suficientemente esclarecido”, rematou.
Na proposta pode ainda ler-se que o projeto não afeta "áreas sensíveis", como o Parque Natural do Douro Internacional e a Rede Natura 2000, que integra três Zonas Especiais de Conservação (ZEC). Ainda assim, as alternativas de corredores previstas para a ligação à rede elétrica cruzam uma área de património classificado: o empreendimento hidroelétrico do Douro Internacional/Picote, reconhecido como Conjunto de Interesse Público.
Estima-se ainda que a Central Eólica produza cerca de 489 GigaWhatss por ano e que serão injetados na Rede Elétrica de Serviço Público (RESP). A proposta abrange, segundo o documento, as freguesias de Póvoa, São Martinho de Angueira, Genísio e a União das freguesias de Constantim e Cicouro, no concelho de Miranda do Douro e a União das freguesias de Vale de Frades e Avelanoso e a União das freguesias de Caçarelhos e Angueira, no concelho de Vimioso.






