Cantinho do Animal volta a abrir as portas à adoção

O Centro de Recolha Oficial (CRO) de Animais de Companhia Intermunicipal da Terra Quente Transmontana acolhe, atualmente, cerca de 260 cães e gatos. A ampliação do centro, concluída recentemente, permitiu criar espaço para mais cerca de 100 animais, mas ficou lotada em poucas semanas. Entre 4 e 11 de outubro, a Semana do Animal volta a desafiar a comunidade a adotar.

Centro de Recolha Oficial acolhe, atualmente, cerca de 260 cães e gatos

06 out. 2026, 07:30

Um abandono, uma ninhada que nasceu sem que ninguém tivesse prevenido a reprodução ou simplesmente a falta de condições para continuar a cuidar de um cão ou de um gato são problemas que começam, muitas vezes, antes de um animal chegar a um canil. E quando chegam ao Cantinho do Animal - Centro de Recolha Oficial (CRO) de Animais de Companhia Intermunicipal da Terra Quente Transmontana, em Urjais, no concelho de Mirandela, já pouco há a fazer senão acolher, tratar e tentar encontrar-lhes uma nova família. Contudo, esta é uma tarefa que se torna cada vez mais difícil, já que o centro está lotado, contando com cerca de 260 cães e gatos, tem animais em lista de espera e, por mês, chegam, em média, 30 a 50 novos animais.

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A situação torna-se particularmente evidente depois da ampliação das instalações. A obra, que permitiu aumentar a capacidade em cerca de 100 animais, já está concluída, mas bastaram poucas semanas para que o novo espaço ficasse novamente cheio. “Estamos completamente cheios outra vez e foi muito rápido”, explicou Ana Pereira, responsável pelo Cantinho do Animal. A dimensão do problema, segundo esclareceu, não resulta apenas da dificuldade em conseguir adoções. O abandono e a falta de esterilização continuam a alimentar uma realidade difícil de controlar. “As pessoas ainda continuam a querer comprar animais ao invés de adotarem. Isso é uma das razões pelas quais a adoção também é tão baixa, mas o maior problema é mesmo o número de animais abandonos”, vincou. A reprodução de animais errantes e a falta de esterilização são outros dos principais “desafios” enfrentados diariamente.

Na Semana do Animal, a adoção é gratuita e inclui vacinação, desparasitação, esterilização, identificação e registo

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Uma semana para dar uma segunda oportunidade

É neste contexto que o Cantinho do Animal promove, entre 4 e 11 de outubro, mais uma Semana do Animal. A iniciativa pretende aproximar a comunidade dos animais acolhidos e, sobretudo, incentivar a adoção responsável.

Durante a semana, os visitantes podem conhecer os cães e gatos disponíveis para adoção, entre as 09h00 e as 16h00, sendo o horário dos feriados e fins de semana das 09h00 às 12h00.

A adoção é gratuita e inclui vacinação, desparasitação, esterilização, identificação e registo.

A campanha tem também como objetivo mostrar que, por detrás de cada animal que espera numa box, existe uma história e uma oportunidade de começar de novo. No ano passado, a iniciativa resultou em 14 adoções numa única semana, um número que Ana Pereira considera “bastante significativo”. “A iniciativa ajuda também a divulgar um bocadinho o que é o nosso trabalho aqui, os nossos animais”, explicou ainda, assumindo que nem todos os que visitam o espaço têm necessariamente de sair de lá com um animal. Para a responsável, também é importante conhecer o trabalho desenvolvido pelo centro, falar sobre ele e ajudar a divulgar os animais que procuram uma família. “Mesmo que não adotem, que passem a palavra”, apelou.

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Mudança de mentalidade

Mais do que aumentar o número de adoções durante uma semana, Ana Pereira defende uma mudança de mentalidade. Ter um animal implica responsabilidade, condições e um compromisso que não termina quando surgem dificuldades. “Os animais não são objetos. Temos de ter consciência de que, para ter um animal, temos de ter condições”, sublinhou.

A sensibilização da sociedade é, para a responsável, tão importante como qualquer medida que possa ser implementada pelas entidades públicas. No dia a dia do canil, a realidade é difícil de ignorar, animais que chegam abandonados, alguns depois de situações de negligência ou de terem sido deixados na rua.

Entre os casos que recorda está o de uma cadela que, ainda pequena, terá sido atirada de um carro e acabou por ser resgatada pelos bombeiros. “Não consigo perceber”, confessou Ana Pereira perante histórias como esta. Ali, segundo esclareceu, chegam ainda animais porque envelheceram, adoeceram ou porque os donos deixaram de querer lidar com determinados comportamentos.

No entanto, apesar das dificuldades, há uma certeza que permanece, uma adoção pode mudar a vida de um animal e também a de quem o recebe. “Eles vão amar-nos sempre”, sublinhou  Ana Pereira, defendendo que os animais oferecem uma forma de amor incondicional que nem sempre encontramos nas relações humanas.

No Centro de Recolha Oficial de Animais de Companhia Intermunicipal da Terra Quente Transmontana, onde 260 cães e gatos aguardam atualmente por uma oportunidade, a Semana do Animal é, por isso, mais do que uma campanha. É uma tentativa de abrir espaço para quem ainda está na rua, mas também de abrir espaço na vida de quem decide adotar.

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