Câmara de Mogadouro admite problemas na qualidade da água e aposta em novas soluções
Município investiu mais de 250 mil euros num sistema de ozonização e tem em concurso público a construção de uma adutora entre Brunhosinho e Mogadouro. O presidente da Câmara reconhece a insatisfação da população e espera que a obra esteja concluída antes de dois anos.
A qualidade da água distribuída pela rede pública de Mogadouro voltou a estar no centro do debate político, depois de o Partido Socialista (PS) de Mogadouro ter denunciado os problemas registados na água que chega às torneiras da população. Em resposta, o Município reconhece a persistência de episódios de alteração da coloração da água, associados à presença de manganês, e garante estar a trabalhar para minimizar o problema e encontrar soluções estruturais para o abastecimento público.
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“Quando a água apresenta uma tonalidade acastanhada, é natural que exista preocupação, desconfiança e incómodo”, reconheceu o autarca António Pimentel.
Segundo o município, o problema está associado, em particular, à água proveniente da albufeira de Bastelos, que, de acordo com o presidente da Câmara, assegura o abastecimento de cerca de 80% da população. O autarca atribui a presença de manganês à acumulação de lamas, terras vegetais e matéria orgânica no leito da barragem, que, na sua perspetiva, não terá sido devidamente removida antes da entrada em funcionamento da infraestrutura.
António Pimentel diz entender a legitimidade das críticas da oposição, mas considerou que a situação não é recente.
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“A oposição naturalmente cumpre o seu papel, cumprir a oposição, denunciar, mas neste caso denunciam aquilo que toda a gente conhece há muitos anos, que é um problema que nasceu quando se abriu esta barragem, a barragem que abastece 80% da população, mas que não tiveram o cuidado de proceder à limpeza do seu leito”, afirmou.
O autarca explicou que as alterações das condições térmicas podem contribuir para que o manganês presente na água passe a manifestar-se com maior intensidade, provocando problemas na rede de distribuição.
“O manganês é um bocado como o colesterol. O colesterol fixa-se nas veias, o manganês fixa-se nas canalizações e, portanto, depois para limpar a rede custa sempre um bocado”, comparou.
Apesar de considerar que o problema tem origem antiga, o presidente da Câmara admite que os consumidores têm motivos para estar insatisfeitos com a qualidade da água que tem chegado às suas casas.
“Os moradores têm razões para estarem insatisfeitos com a qualidade de água que tem chegado nos últimos tempos às suas torneiras”, reconheceu, acrescentando que a solução não passa por interromper o abastecimento público.
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Investimento na ETA de Bastelos não eliminou o problema
Ao longo dos anos, foram realizadas várias intervenções nos sistemas de tratamento, nos filtros, nos reservatórios e na rede de distribuição. Mais recentemente, o Município investiu na remodelação da Estação de Tratamento de Água (ETA) de Bastelos, com o objetivo de modernizar o sistema e reforçar a capacidade de tratamento. Contudo, a intervenção não foi suficiente para eliminar os episódios associados à presença de manganês.
“Fizemos uma nova ETA que não resolveu o problema”, disse o autarca, reforçando que o executivo continua a procurar alternativas técnicas.
Uma das medidas mais recentes passou pela instalação de um sistema de ozonização da água, num investimento superior a 250 mil euros, segundo o autarca. “Investimos este ano mais de 250 mil euros com um novo sistema de ozonização da água. Mudámos para um produto de alumínio mais expansivo que provoca uma precipitação, digamos, uma floculação melhor e creio que os resultados estão a aparecer e que o problema está em vias de resolução”, afirmou.
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Adutora entre Brunhosinho e Mogadouro está em concurso público
A principal aposta estrutural passa pela construção de uma nova adutora entre Brunhosinho e Mogadouro, destinada a transportar água proveniente do rio Douro até à cidade e à parte poente do concelho.
A infraestrutura permitirá reduzir a dependência da albufeira de Bastelos e diversificar as origens de água disponíveis para o abastecimento público. O projeto prevê a utilização do reservatório de Brunhosinho, com capacidade para cerca de três milhões de litros, junto ao IC5.
De acordo com o presidente da Câmara, a obra já se encontra em concurso público, com valor base de mais de 5, 3 milhões euros mais IVA, e tem um prazo de execução previsto de 700 dias. “De qualquer das maneiras, pela natureza da obra, espero que não fique deserto o concurso e quase tenho a certeza que não vai ficar”, afirmou.
O presidente acrescentou ainda que o concurso tem suscitado pedidos de esclarecimento por parte de potenciais interessados, situação que considera um sinal positivo. “Têm havido solicitações e pedidos de esclarecimento, que é um bom sinal de que há empreiteiros interessados e com certeza a obra vai ser feita, e vai ser feita antes dos 2 anos”, apontou.
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Em paralelo, a Câmara Municipal está a preparar uma candidatura para obter cofinanciamento, nomeadamente através do programa Sustentável 2030.
Plano tem quatro fases
A ligação entre Brunhosinho e Mogadouro integra um plano mais abrangente para o setor das águas, estruturado em quatro fases de implementação.
As duas primeiras correspondem à construção da adutora entre Brunhosinho e Mogadouro e das respetivas estruturas complementares. A terceira fase prevê novas ligações entre a Serra do Variz e Peredo da Bemposta, Bruçó e Vilarinho dos Galegos.
A quarta fase contempla a construção de uma estrutura de captação de água no rio Sabor e a respetiva adução até à ETA de Bastelos.
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