O preço do cabaz alimentar monitorizado pela DECO PROteste voltou a aumentar na primeira semana de setembro, depois de uma ligeira descida registada no final de agosto. A mesma cesta de 63 bens essenciais custa agora 254,73 euros, mais 2,12 euros do que na semana anterior, o equivalente a uma subida de 0,84%.
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Entre 26 de agosto e 2 de setembro, a massa em espirais e o esparguete foram os produtos que mais encareceram, com aumentos superiores a 20%. A massa em espirais subiu 25 cêntimos, passando para 1,35 euros por embalagem, enquanto o esparguete aumentou 20 cêntimos, para 1,18 euros.
Também o pão de forma sem côdea ficou 14% mais caro, enquanto o iogurte líquido e os cereais de fibra registaram ambos aumentos de 9%.
A atual subida coloca o cabaz acima dos 254 euros pela primeira vez desde 15 de julho, quando a mesma cesta de produtos custava 256,46 euros.
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A diferença é ainda mais significativa quando comparada com o início de 2026. A 7 de janeiro, era possível adquirir os mesmos 63 produtos por 241,82 euros, menos 12,91 euros do que atualmente, o equivalente a uma diferença de 5,34%.
Desde que a DECO PROteste iniciou esta monitorização, em janeiro de 2022, o aumento é de 67,03 euros, ou 35,71%.
Nos últimos quatro anos, os maiores aumentos acumulados foram registados na carne de novilho para cozer, cujo preço subiu 120%, no bacalhau graúdo, com um aumento de 89%, e na couve-coração, que ficou 88% mais cara.
Arroz, couve e dourada entre os que mais subiram em 2026
Comparando os preços atuais com os registados na primeira semana do ano, a 7 de janeiro, o arroz carolino lidera as subidas percentuais, com um aumento de 30%. Seguem-se a couve-coração e a dourada, ambas com aumentos de 27%.
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A evolução semanal e anual dos preços demonstra que a pressão sobre alguns produtos alimentares continua a fazer-se sentir, apesar da desaceleração registada em determinados períodos.
Inflação chega aos 3,3% em agosto
A subida do preço dos alimentos surge num contexto de aumento da inflação. Segundo as estimativas do Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de inflação atingiu 3,3% em agosto, mais 0,3 pontos percentuais do que em julho.
Em 2025, a inflação tinha ficado nos 2,3%, abaixo dos 2,4% registados em 2024, depois de os preços terem atingido níveis particularmente elevados em 2022 e 2023.
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Guerra, energia e fertilizantes pressionam preços
A DECO PROteste aponta vários fatores para a evolução dos preços alimentares dos últimos anos. Em 2022, a invasão da Ucrânia pela Rússia agravou a pressão sobre um setor agroalimentar que já enfrentava as consequências da pandemia de covid-19 e da seca em Portugal.
A limitação da oferta de matérias-primas, juntamente com o aumento dos custos de energia e fertilizantes, contribuiu para a subida dos preços nos mercados internacionais e, posteriormente, para o aumento do custo de vários produtos para os consumidores.
Em abril de 2023, o Governo avançou com a isenção de IVA sobre um cabaz de mais de 40 alimentos, numa tentativa de travar a subida dos preços. O efeito da medida, contudo, acabou por perder força alguns meses depois.
Em 2024, após a reposição do IVA, alguns produtos continuaram a encarecer, com o azeite virgem extra a atingir o preço mais elevado em abril desse ano. Já 2025 ficou marcado, entre outros fatores, pela subida dos preços dos ovos, do café torrado moído e do chocolate.
Em 2026, a instabilidade provocada pelos conflitos no Médio Oriente tem contribuído para perturbações nas cadeias de abastecimento e para o aumento dos custos dos combustíveis e da energia. A estes fatores juntam-se os prejuízos provocados pelas tempestades de janeiro e fevereiro em Portugal e a subida do preço dos fertilizantes agrícolas.
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DECO PROteste aconselha comparação de preços
A DECO PROteste recomenda aos consumidores que comparem os preços praticados pelas diferentes cadeias de supermercados antes de efetuarem as compras semanais.
A organização disponibiliza, através da plataforma Saber Poupar, um simulador que permite consultar o índice diário das várias cadeias de distribuição para o mesmo cabaz de produtos. A ferramenta possibilita ainda pesquisar por distrito ou concelho e selecionar diferentes categorias de alimentos.
A monitorização do cabaz alimentar é realizada semanalmente desde janeiro de 2022, com os preços recolhidos todas as quartas-feiras, tendo por base os valores disponíveis no dia anterior nas principais lojas online de supermercados.
Para calcular o valor final, é determinado o preço médio de cada produto nas lojas onde este se encontra disponível. A soma desses valores permite obter o custo total do cabaz para cada semana.
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