O número de acidentes de motos tem aumentado em Bragança, adiantou o Segundo Comandante dos Bombeiros, Paulo Ferro, que defende uma maior sensibilização da população para os procedimentos corretos a adotar nos primeiros momentos de uma emergência.
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Com o objetivo de preparar os cidadãos para agir de forma adequada perante uma situação de socorro, os Bombeiros associaram-se a Patrícia Tenreiro, advogada e fundadora da APAVM, para promover um workshop dedicado ao suporte básico de vida e ao uso do colete airbag para motociclistas.
Segundo Paulo Ferro, a iniciativa pretende esclarecer dúvidas e transmitir conhecimentos que permitam melhorar a resposta inicial a acidentes rodoviários e a outras situações de emergência na estrada, independentemente de envolverem motociclistas ou outros utilizadores da via pública.
“É importante a sensibilização e a informação sobre quais os procedimentos mais adequados e mais céleres para garantir uma resposta adequada a uma emergência”, explicou o responsável, acrescentando que o objetivo passa por “agilizar a resposta, melhorar o socorro” e, consequentemente, prestar uma melhor assistência a quem precisa.
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O segundo comandante alerta ainda para os riscos de uma intervenção inadequada por parte de quem presencia um acidente. “Aquela primeira abordagem feita por qualquer cidadão leva muitas vezes a um erro ou a uma atuação errada que vai prejudicar a saúde da vítima”, advertiu, acrescentando que “o ser humano tende a agir por instinto. E muitas vezes o nosso instinto está errado. E aquilo que pretendemos é esclarecer, preparar as pessoas para não agirem sobre instinto e assim agirem com inteligência, com capacidade de análise e com isto beneficiar quem está realmente a precisar de ajuda”.
Como exemplo, Paulo Ferro sublinha que uma vítima de trauma não deve ser movimentada sem necessidade. “Se a pessoa não conseguir andar pelos próprios meios, não deve ser levantada nem apoiada. Deve manter-se exatamente na posição em que está”, afirmou, destacando também a importância de garantir a segurança do local.
Paulo Ferro considera que este tipo de formação é relevante não apenas para os motociclistas, mas para qualquer cidadão, uma vez que qualquer pessoa pode deparar-se com uma situação de emergência e ter de prestar auxílio até à chegada dos meios de socorro.
Formar a comunidade para reduzir a sinistralidade
Também Patrícia Tenreiro, defende que a formação da população é essencial para melhorar a resposta perante um acidente, salientando que a forma como cada pessoa atua nos primeiros momentos pode fazer a diferença.
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“Pretendemos, sobretudo, que sejamos uma comunidade mais bem instruída, mais bem formada, porque um acidente pode estar ao virar da esquina”, afirmou. A responsável explicou que acompanha diariamente vítimas de acidentes rodoviários através do seu escritório e da associação que preside, o que lhe permite reconhecer a importância da assistência prestada nos primeiros instantes.
A formação pretende ainda sensibilizar os motociclistas para a importância de manterem os conhecimentos atualizados, tanto ao nível da condução como das regras de circulação rodoviária. Patrícia Tenreiro destacou, em particular, as alterações legislativas que entraram em vigor em Espanha a 1 de outubro e que têm implicações para os motociclistas portugueses que atravessam a fronteira.
“É importante sensibilizarmos a nossa comunidade, principalmente quem viaja muito”, referiu, defendendo que, mesmo depois de obterem o título de condução, os condutores não devem assumir que já dominam todas as regras. “Vamos para aí fora e não é bem assim, é preciso ir reciclando conhecimentos”, alertou.
Fazer a diferença em momentos críticos
Além da prestação de primeiros socorros, Patrícia Tenreiro considera que o apoio emocional prestado à vítima até à chegada dos meios de emergência é igualmente importante. A própria experiência de um acidente permitiu-lhe perceber o impacto que a presença de alguém pode ter nesses momentos.
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“Eu passei por um acidente e das coisas que eu me lembro que mais me ajudou foi uma voz que eu não fazia ideia a quem pertencia, mas que esteve ali ao meu lado a apoiar-me até à vinda do socorro”, recordou.
A responsável sublinhou que gestos simples, como tranquilizar a vítima, falar com ela e tratá-la pelo nome, podem contribuir para o seu bem-estar enquanto aguarda assistência. “Só o facto de estarmos ali, de estarmos a acalmar a vítima, estarmos a tratá-la pelo nome, estarmos em contacto com ela, já faz toda a diferença”, frisou.
A intenção da APAVM passa por alargar estas ações de sensibilização a outras localidades, levando a formação a um número cada vez maior de cidadãos. Patrícia Tenreiro garantiu que a associação pretende estender as iniciativas a todo o território nacional e manifestou disponibilidade para regressar a Bragança “sempre que se justifique”.
Município alia-se à prevenção
Também a Câmara Municipal de Bragança acredita que estas formações são uma mais valia para todos e que permitem à própria autarquia estar a par da realidade da sinistralidade no concelho e dos números associados aos acidentes rodoviários.
“Hoje em dia é necessário estarmos cada vez mais capacitados para respondermos a situações que não são as ideais, mas que muitas vezes, se nós tivermos essa capacidade, podemos salvar vidas, não só a nossa como também a das outras pessoas que andam na estrada. E também termos essa capacidade de nos tornarmos cada vez melhores cidadãos, de conseguirmos compreender os riscos que acarretam as estradas e o sistema rodoviário”, afirmou acrescentando que é “extremamente importante” para a autarquia “conhecermos aquilo que é o por dentro de uma comunidade, de uma atividade rodoviária que é a condução de motociclos, para podermos também tomar as melhores decisões e obviamente decidirmos melhor em termos daquilo que são as ações que nós podemos fazer para tornar mais seguras as nossas estradas”, rematou.
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