Vinhas velhas de Bemposta (Mogadouro) produzem os tradicionais palhetes do planalto mirandês

Jovens enólogos transmontanos renderam-se à pacatez do interior onde estão a criar um vinho “autêntico”.

19 fev. 2020, 12:01

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O “saroto”, uma expressão tradicional em Bemposta, no concelho de Mogadouro, é o que se chama a um lagarto com a ponta do rabo cortada. Frederico Machado e Ricardo Alves, dois enólogos do distrito, deram agora outra dimensão à palavra, porque criaram, na aldeia mogadourense, uma marca de vinho a que o dito bicho empresta nome. Os dois jovens, ao contrário do que dita a tendência, acreditaram que o futuro podia passar pelo interior e na localidade se fixaram, explorando, desde 2017, vinhas velhas, cujos proprietários, por causa da idade mais avançada, já não conseguem tratar.

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Ricardo Alves, de 27 anos, é natural de Bragança e deixou a cidade pela pacatez da aldeia mogadourense. Já o sócio, Frederico Machado, apesar de ali ter família, também não fazia da localidade a sua residência. A aventura começou, segundo contou o brigantino, numa visita à aldeia. Tendo descoberto o “potencial” e “património” de vinha que havia, resolveram começar o projecto, após passarem por países como a Austrália, Alemanha, Estados Unidos, França e Espanha, onde adquiriram conhecimentos que agora aplicam em Portugal.

Para ter de pé o Arribas Wine Company, nome que deram ao projecto vitivinícola, os dois sócios tiveram e vão tendo vários custos com equipamento e gestão das vinhas, com a criação da marca e engarrafamento. Valores que esperam ser “compensados”, ao longo do tempo, com a venda do vinho.

Em 2017, no primeiro ano, os jovens produziram cerca de três mil litros de vinho. No ano seguinte, em 2018, já com três vinhos diferentes, dois tintos e um branco, produziram cerca de cinco mil e quinhentos litros. Quanto à produção de 2019, não estando ainda nada engarrafado, Ricardo Alves assegura que se produziu já mais que nos outros dois anos, pois “a ideia é alargar”, tendo em conta que a exportação, que já é uma realidade para o “Saroto”, será um dos grandes caminhos. As vinhas que dão origem ao “Saroto”, todas em encostas, onde em nenhuma entra um tractor, são arrendadas, fruto de uma “consequência da realidade” que “é a mesma para toda a região”: está-se perante uma população envelhecida, que já não tem idade para trabalhar a terra.

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Com uma filosofia de vinificação que passa pela criação de um vinho leve e equilibrado, usando barricas velhas, misturando castas e uva branca e tinta, sem grandes exageros, segundo o que é o mais natural e autêntico, os sócios exploram cerca de dez hectares, divididos em 15 parcelas.

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