Este ano, são mais de dois mil finalistas do IPB. Cerca de 1700 das escolas de Bragança e os restantes de Mirandela. Depois de terminar a licenciatura, muitos estudantes optam por seguir para mestrado e continuar a estudar. Porém, há bastantes que se querem inserir já no mercado de trabalho. Que desafios se colocam, será que há oportunidades e como foi estudar no Interior? Foi o que tentámos saber junto de vários finalistas.
PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR
Marco Martins, finalista de Educação Básica, natural de Barcelos, foi um dos alunos que se surpreendeu com o IPB. “Foi uma experiência diferente. Vim para Bragança sem grandes expetativas, mas esta cidade provou-me que é a terra dos amigos para sempre. Por vezes, as pessoas falam das instituições sem as conhecerem verdadeiramente. Sinto que tive uma formação adequada para encarar o futuro, mas estou a pensar seguir para mestrado no IPB”, sublinhou. Maria Araújo, finalista de Desporto, é de Ponte da Barca, disse que “há coisas a melhorar no caso do desporto”, mas “nota-se que está a evoluir”. Está a “pensar em ficar mais um ano para fazer melhoria de notas”, para posteriormente “seguir para mestrado na Covilhã”. Diogo Santiago, natural de Bragança, foi finalista de Educação Social, tem como objetivo continuar a estudar no Politécnico de Bragança. “O IPB é muito qualificado para os cursos que tem, estou a pensar em tirar mestrado porque gostei mesmo da experiência. Como brigantino é óbvio que sinto em casa e mostrámos que sabemos acolher pessoas de todos os cantos do mundo”, referiu. O moçambicano Henrique Gomes, finalista de Arte e Design, frisou que foi bem acolhido. “Não estava à espera de uma coisa tão boa, foi uma experiência que não trocava por nada. Conheci muitos amigos, fui muito bem acolhido e o IPB deu-me os apoios necessários para conseguir estudar em Bragança. O ensino em Arte e Design foi adequado, mas há sempre coisas a melhorar e a evoluir com o tempo. Bragança é um ótimo sítio para viver, tenho falado com outros amigos moçambicanos e têm me relatado ótimas experiências, tanto da cidade como do Politécnico. No entanto, no meu caso, não estou a pensar ficar por cá porque quero viajar e conhecer outros lugares, vincou. Rita Correia, é de Aveiro, foi finalista de Línguas Estrangeiras: Inglês e Espanhol, pondera sair de Bragança para estudar mais perto de casa. “Estou a pensar seguir para mestrado fora de Bragança, mais perto de casa. No entanto, fiquei surpreendida pela positiva em estudar no Interior e se um dia tiver uma oportunidade de emprego na região brigantina, provavelmente irei aceitar”, frisou. Rita Gaspar, natural de Lisboa, foi finalista de Relações Lusófonas e Língua Portuguesa “Achei o curso interessante, ainda está em evolução e é nisto que quero trabalhar A cidade é muito calma, é um excelente sítio para estudar. Porém, estou a pensar tirar mestrado, infelizmente vai ter se de ser noutra zona, porque o IPB não tem a especialização que quero. A nível de apoios, penso que há espaço para melhorar”, referiu. O brigantino Tiago Martins estudou Engenharia Informática no IPB e é um dos exemplos de quem conseguiu emprego na primeira oportunidade. “Foi uma das melhores coisas da minha vida, estudar no IPB foi incrível. Já tinha trabalho, mesmo antes de acabar o curso, e em Bragança. Só mostra que há sempre oportunidades e é importante fixar os jovens na região. Já há empresas a ir buscar diretamente alunos ao IPB, no caso da Engenharia Informática”, destacou. Orlando Rodrigues, presidente do IPB, salientou que há cada vez mais alunos a querer estudar no ensino superior de Bragança. “Este ano, há 2140 finalistas. Cerca de 1700 são das escolas de Bragança e os restantes de Mirandela. Há muitos jovens que se fixam na região, não consigo precisar um número, mas temos conhecimento de vários casos de alunos que começam logo a trabalhar e ficam cá. A procura pelo IPB tem sido cada vez maior e temos alunos da região com médias altas a colocar a nossa instituição como primeira opção. Há empresas que estão a vir para a região e optam pelos nossos alunos, porque sabem que a mão de obra é qualificada e de qualidade. Há também exemplos de algumas start-ups que foram criadas por alunos do IPB”, destacou. A nível de oportunidades o “setor das Tecnologias da Informação tem tido muita procura, a área da Saúde apresenta bastante saída e as Ciências Agrárias também têm aumentado o interesse”, mas “há oportunidades em todas as áreas”. A nível de apoios, para alunos com menor capacidade financeira, há bolsas de estudo. “Temos também algumas ofertas de emprego científico e temos captado bastante financiamento para a investigação”, frisou Orlando Rodrigues. Quanto à parte da festa dos finalistas, o presidente do IPB disse que “a Semana Académica é sempre um marco importante na vida do estudante e também para a vida da cidade, sobretudo a nível económico e cultural". A Queima das Fitas acontece, geralmente, entre o final de abril e o início de maio. Este ritual académico mistura tradição, cultura, emoção e, claro, muita animação. É verdade que nem tudo é festa, mas há momentos que são vividos, ao longo desta semana, que vão perdurar na memória. Lembrando, por exemplo, a tradicional Serenata Monumental, onde os estudantes se reúnem para ouvir os grupos de fado académico, num momento emotivo. A cerimónia de Bênção das Pastas, um evento mais familiar, que pretende dar cor ao futuro dos finalistas. Tudo acompanhado por um cartaz musical, onde as noites são feitas com concertos de artistas nacionais e internacionais, barracas de curso e com um público composto por estudantes e visitantes, no habitual recinto do NERBA. A Semana Académica de Bragança é um reflexo da força e união dos estudantes, da hospitalidade transmontana e da importância do IPB no panorama do ensino superior em Portugal. É um momento de despedida para muitos, de boas-vindas para outros, mas acima de tudo, é uma celebração do espírito académico.


