Moncorvense José Mário Leite lança livro sobre D. Dinis e Vila Flor
O moncorvense e colaborador do Jornal Nordeste, José Mário Leite, vai lançar mais um livro. A história de “O Terceiro Milagre das Rosas” surgiu pelo seu tio, o Padre Joaquim da Assunção Leite, que acabou por morrer em 2022, aos 87 anos, antes de conseguir escrever o livro. José Mário Leite abraçou o
Que livro é este?
PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR
É uma novela, que fala de Dom Dinis, de Vila Flor, das origens do nome de Vila Flor, da passagem de Dom Dinis por esta vila e, obviamente, também do milagre das rosas que está aí associado ao monarca através da sua esposa, a Rainha Santa Isabel. O meu tio, o Padre Joaquim Leite, que desde muito novo frequentou Vila Flor e, nos últimos anos da sua vida, era páraco em Vila Flor também, queria muito comemorar o septingentésimo aniversário da morte de Dinis, que se celebra no dia 7 de janeiro de 2025. Para isso, começou a imaginar uma novela na qual pudesse, ao mesmo tempo, relatar os tempos medievais de Vila Flor, mas também os tempos atuais e ligar as flores da Vila Flor, ligar as rosas do milagre. Como tal, começou a construir uma história, que nasce na escola primária e secundária de Vila Flor, em que os alunos demonstram algo de interesse e curiosidade sobre o que foram os tempos antigos. A partir daí, construir-se uma narrativa com algo de imaginário, algo de fabuloso, que tem a ver também com o imaginário das crianças e dos jovens e até das pessoas mais adultas, e culminasse, efetivamente, com um milagre, um segundo milagre de rosas, feito pela Rainha Santa Isabel. E um terceiro milagre, que será feito por a população de Vila Flor. A história original é do meu tio, mas ele, pelo pouco antes de falecer, encarregou-me de a escrever, dado que ele quase não teve tempo. Escreveu algumas coisas, alguns textos perderam-se porque ficaram no computador. Outros são registos escritos, dispersos. Reuni tudo isso, falei com ele muitas vezes, e portanto é um projecto comum, embora levado a cabo por mim.
Criou-lhe aqui alguma responsabilidade para conseguir corresponder à expectativa de uma pessoa tão importante para si?
Foi uma responsabilidade grande, porque acho que é bom para a Vila Flor, é importante para a Vila Flor, mas era a última vontade do meu tio. Tive sempre uma ligação muito próxima com o meu tio e, aliás, os livros que ele escreveu, normalmente, era eu que os revia e ele pedia muitos conselhos e eu a ele também. Nós falávamos muito sobre a Vila Flor, sobre a idade média, sobre aquilo que representava a Vila Flor ou que representou a Vila Flor no panorama regional. Como o Dom Dinis casou por procuração em Barcelona e depois recebeu a sua esposa em Trancoso, tendo o Dom Isabel entrado em Portugal por Bragança e pernoitado em Castro de Avelãs, o meu tio entendeu que seria muito razoável pensar que D. Dinis não perderia a oportunidade de ir fazer uma serenata. Mas, como naquele tempo, obviamente, não se atrancou a Bragança num dia só, meio caminho fica mais ou menos a Vila Flor e portanto ele colocou-o a pernoitar em Vila Flor. E tudo isto constitui, digamos, uma amálgama de várias peripécias que se juntam todas na véspera da celebração do septingentésimo aniversário de Dom Dinis.
PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR
Qual é que é a relação de Vila Flor com o Milagre das Rosas?
Dom Dinis estava casado com a Rainha Santa Isabel. E o Milagre das Rosas está diretamente ligado com a Rainha Santa Isabel e com o Dom Dinis. A ideia do meu tio era fazer de Vila Flor um canteiro de rosas. E o terceiro Milagre das Rosas é isso. É Vila Flor a crescer como um canteiro de rosas no Nordeste Transmontano.
Há aqui uma mistura entre factos verídicos e também a novela…
É verdade. Há muitos factos históricos. Os factos históricos estão devidamente identificados e são a entrada da Rainha Santa. Isabel, são as bodas em Trancoso, é a visita de D. Dinis a Vila Flor quando lhe concedeu o foral e lhe atribuiu o nome que hoje ostenta orgulhosamente, é também o facto de existirem em Vila Flor duas estátuas, uma com o Rei Dom Dinis e outra com a Rainha Sra. Isabel, e que estão separadas. E isto cria um certo romance, ou criava uma certa curiosidade no meu tio, que perguntava e se elas se juntassem? E esse é o desafio. E se as estátuas se juntassem? E se um dia os vilaflorenses acordassem e verificassem que afinal a estátua de Dom Dinis estava perto da estátua da Rainha Santa Isabel? O que é que iria acontecer? Tudo isso dá depois origem ao imaginário, ao fantástico, e que é, obviamente, a possibilidade do romancista é essa, misturar a realidade com o fantástico, dando-lhe tonalidades fantasiosas, mas com os pés assentes na realidade e na história.
D. Dinis teve um papel importantíssimo para a vila de Vila Flor...
PUBLICIDADE
D. Dinis é sem dúvida o padrinho de Vila Flor. Aliás, é enorme e bela a estátua que tem à frente de um baixo-relevo com cenas medievais onde não faltam a parte agrícola, porque Dom Dinis foi também um grande promotor da agricultura, mas também a parte literária. Dom Dinis fundou a primeira universidade portuguesa e uma das melhores universidades da Europa da altura. E ele próprio foi um homem das letras, foi um homem da cultura. Ele era muito culto, era talvez o rei mais culto da sua época, nesta região peninsular.
E quanto tempo é que lhe levou a reunir toda esta informação, começar a escrever?
Isto tem quase dois anos. Eu comecei ainda antes do meu tio falecer, já ele estava muito doente. Quando eu visitava já estávamos os dois a colecionar e eu comecei a procurar e a colecionar uma série de dados, alguns dei-lhe a ele para para ler, outros ele foi-me dando a mim, ele transmitiu uma série de informações, sobretudo pesquisas que ele fez, pesquisas históricas e enfim, o livro escrito propriamente demorou menos de um ano, mas todo o resto demorou mais de um ano a preparar.
Qual é que foi o aspeto, o facto que o deixou mais curioso?
O que me deixou mais curioso e que, efetivamente, me sensibilizou muito, foi que o meu tio quis que o herói desta novela fosse um menino de Vila Flor, com 10 ou 11 anos, que um dia ao passar pela estátua, pareceu-lhe que o D. Denis lhe piscava o olho. E tudo começou aí. Esse foi o gatilho que despertou tudo o resto. E há determinados factos no livro, como é óbvio, que são meus, que são da minha autoria, mas há alguns que são a cópia e fiel daquilo que era a vontade do meu tio, porque foi muito específico em alguns aspectos. Nesse quadro, sobretudo, para mim, é emblemático, de um menino que passa e acha que a estátua de Dom Dinis lhe piscou o olho, isto é ipsis verbis, aquilo que o meu tio queria que fosse.
PUBLICIDADE
O livro vai ser lançado precisamente no dia 7 de janeiro…
Exatamente, precisamente no dia em que passam 700 anos sobre a morte de Dom Dinis. Em Vila Flor, com o apoio da Câmara Municipal. Tenho de agradecer muito ao Sr. Presidente da Câmara, porque desde que ele soube deste projeto, imediatamente deu o seu apoio, incondicional, mas levou mais longe e entendeu que dada a importância que o meu tio teve na vila, pretende associar uma homenagem singela, mas muito sentida, à figura do meu tio, que precisamente por isso também estará presente o Dom Delfim, o bispo de Dume e auxiliar de Braga, era muito amigo do meu tio, foram amigos durante muitos anos e conviveram em Vila Flor durante muito tempo e que também ele conhecia este projeto.
As pessoas vão poder comprar depois o livro onde?
A Câmara de Vila Flor vai oferecer livros na altura da apresentação e depois eu suponho que estará presente, primeiro na internet, mas obviamente na própria editora, que é a Ancora Editora, também estará. E eu suponho que também será fácil encontrá-la em Vila Flor, em Torre de Moncorvo e em Bragança.
Há já outro livro na calha?
Está outro romance praticamente a sair. É dedicado a Bragança e à princesa Arménia que veio a casar em Bragança e para desfazer um mito errado de um rapto e de uma relação que nunca existiu. Pelo contrário, houve uma linda história de amor. Sairá em fevereiro ou março.
PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR




