Entrevista

Mirandela despede-se de 2022 com o título de campeão de inverno

O S.C. Mirandela é o campeão de Inverno. Os alvinegros terminam a primeira volta da Divisão de Honra Pavimir com um registo invejável, 11 vitórias em outras tantas jornadas, o melhor ataque e a melhor defesa. André Irulegui é o líder de um grupo que só sabe vencer. O treinador está a viver uma época

20 dez. 2022, 14:40

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O S.C. Mirandela é o campeão de Inverno. Os alvinegros terminam a primeira volta da Divisão de Honra Pavimir com um registo invejável, 11 vitórias em outras tantas jornadas, o melhor ataque e a melhor defesa. André Irulegui é o líder de um grupo que só sabe vencer. O treinador está a viver uma época de sonho mas, para já, recusa-se a falar do futuro.

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O S.C. Mirandela é o campeão de Inverno e termina a primeira volta com um registo invejável, só com vitórias, melhor ataque e melhor defesa. Era isto que tinha idealizado para a equipa para esta fase da competição?

Nós idealizamos desse o início da temporada chegar a esta altura na primeira posição. Jogámos muito com o calendário. A fase inicial era muito difícil, havia pelo menos cinco jogos muito complicados. A estratégia era andar na primeira posição para depois conseguimos gerir melhor uma série de coisas que dependem de resultados. Desde o início que assumimos a subida e o foco do trabalho foi sempre a vitória. A questão do melhor ataque e melhor defesa eu digo que o princípio básico é marcar e não sobre, ou seja estamos a cumprir princípios básicos.

Como se consegue uma primeira fase tão bem sucedida?

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É o trabalho. Muito trabalho específico mas também um modelo e uma dinâmica que encaixou bem com o perfil dos jogadores.

Foi-lhe apresentado um projecto ambicioso, tanta quanto sabemos, pois o Mirandela ainda no final da época passada, quando foi confirmada a descida ao distrital assumiu logo o objectivo de subida. Foi fácil aceitar a proposta do Mirandela? Ou houve longas conversações para chegar a um entendimento?

Não foi fácil. O primeiro sentimento ao receber o telefonema do presidente, no final da taça distrital, foi de orgulho. Se eu já estava feliz por ter conquistado a taça distrital um convite daqueles honrava-me muito. Depois, vem a questão prática pois ao assumir o cargo de treinador do Mirandela não era uma opção desportiva, DE tinha que mudar de vida.

Isto porque o Mirandela manteve as rotinas que tinha no Campeonato de Portugal?

Praticamente as mesmas. Eu tive que sair da minha zona de conforto para me poder adaptar. Tem toda uma questão laboral e familiar. Nunca foi uma questão de valores mas de mudança. Eu conheço-me e ao dizer que sim não poderia aceitar sem assumir que era para subir, mesmo sem saber que equipa iria ter em mãos.

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O que pesou na sua decisão?

O medo de me arrepender. Mas demorei bastante tempo a encaixar isso na minha cabeça, principalmente porque era uma mudança de vida”.

O clube exigiu de si e o mister impôs condições para treinar a equipa? Quais?

Não. Não tinha condições de impor condições. Tudo o que me foi dito foi suficiente, que era sermos campeões e subirmos de divisão. Partindo do princípio que vinha de uma realidade com menos condições daquelas que ia ter no Mirandela só podia ser um passo à frente.

Quais foram os critérios de selecção dos jogadores? Que tipo de jogar quis no Mirandela?

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Eu gosto muito de um perfil de vida dos jogadores, um jogador sofrido que tenha algo pessoal, pois só o talento não chega. Um jogador que se entrega aos treinos e aos jogos pelo seu perfil é algo que valorizo muito. Mas, eu montei na minha cabeça um sistema e um modelo para o Mirandela. A partir disso, como não podemos estar a escolher jogadores, contei com o meu feeling e a sorte. Tive que abdicar de jogadores de que eu gostava porque não encaixavam no projecto do Mirandela. Tinha dificuldades em alguns sectores e tive que fazer adaptações. Por acaso correu bem.

Ainda assim conseguiu contratar todos os jogadores que pretendia?

Sim. Não fui muito exigente e dentro que era possível consegui formar o plantel que quis ter.

Já que falamos de jogadores, Vítor Pereira foi a contratação mais sonante do clube. Tratou-se de um regresso de um jogador que tem experiência na Liga Profissional e também na Liga 3. No entanto numa fase inicial não foi opção como se esperaria que fosse face à sua experiência. Foi opção técnica? Ou o jogador não estava nas melhores condições físicas?

O Vítor é um jogador que vinha de outras experiências noutros patamares. Numa fase de inicial foi um período de adaptação do jogador à equipa e da equipa ao jogador. Nunca esteve em causa a qualidade do Vítor mas sim a sua adaptação ao treinador e ao seu modelo de jogo. O Vítor entendeu o que é que eu pretendia e com o tempo e muito trabalho adaptou-se. Repito, não foi por falta de qualidade.

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O André tem uma célebre frase enquanto jogador em relação à sua longevidade como atleta e aos cuidados que tinha para se manter em forma: "Às vezes penso que tenho 20 anos. Ponho o pé no acelerador como se estivesse num Ferrari, mas na realidade estou num Fiat Uno” isto para lhe perguntar se também agora como treinador mantém essa exigência consigo próprio e também com os seus jogadores?

Eu costumo dizer aos meus jogadores que o jogador ainda não saiu de mim e espero que não saia, pois assim posso percebe-los melhor. A exigência que tenho com eles era a que eu tinha comigo. Quando exigimos o máximo o mínimo fica garantido. Eu sou muito detalhista.

Acha que o treinador que foi jogador tem uma maior capacidade para entender os seus jogadores?

Cada uma é como cada qual. Vemos muitos treinadores, ex-jogadores, que pelo seu perfil têm essa capacidade. Um ponto forte que tenho é perceber o jogador no detalhe. Há muitos detalhes que passam despercebidos. Por vezes um pequeno gesto de um jogador diz muito. O treinador tem que ser exigente mas também compreensivo.

Tem de haver um meio termo?

Exacto. Há uma fronteira em que o treinador precisa de sair dos seus limites para ir até ao jogador. O jogador pode vir até ao treinador sem sair dos seus limites. É todo um processo de gestão de pessoas. É necessário saber gerir um grupo de quase 30 jogadores. É fundamental o treinador ter os jogadores na mão, se me faço perceber, para o sucesso. Não é só o treino que conta. Tem que se saber gerir egos e emoções. O jogador antes de ser jogador é um ser humano. Temos que saber o que vamos dizer a um e o que vamos dizer a outro. Saio muito degastado do jogo.

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Um treinador tem que ser um gestor de recursos humanos?

Completamente. O treinador tem que fazer uma boa gestão do grupo a perder e a ganhar. É tão difícil gerir vitórias como derrotas. Gerir vitórias com a obrigação de ser campeão não é fácil.

O mercado de Inverno vai trazer reforços ou em equipa que ganha não se mexe?

Eu confio a cem por cento nos meus jogadores. Não preciso de reforçar o plantel. Tenho jogadores polivalentes. O meu grupo é muito trabalhador, muito completo. Estou muito contente com o meu grupo de trabalho e não estou à procura de reforços, só se houver alguma saída, o que será difícil.

Como descreve o ambiente que se vive no São Sebastião, outrora apelidado de São Siro de Trás-os-Montes, e o ambiente criado pelos mirandelenses em torno da equipa?

É um ambiente exigente, mas eu próprio sou exigente. Temos muito orgulho de ver os nossos adeptos nos treinos e nos jogos e de dizerem que temos uma boa equipa.

Este é o campeonato mais competitivo dos últimos anos?

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Sem dúvida alguma. O campeonato, esta época, tem cinco ou seus equipas que podiam claramente assumir-se como candidatas porque têm qualidade para isso. Se as equipas não trabalharem deixam pontos em qualquer campo.

Que equipa o está a surpreender pela positiva e pela negativa?

Eu penso que a classificação é fiel à realidade da qualidade das equipas. O Moncorvo, o Macedo, o Argozelo, os Lusos, que têm uma boa equipa e em casa foi um dos jogos mais difíceis que tivemos, o Mirandês que não tem, tido sorte, pois tem uma excelente e equipa e treinador, o Carção tem uma equipa muito difícil, os Africanos melhoram muito. A equipa que não respeitar o adversário sujeita-se a perder pontos. Esses pontos foram arrancados dos adversários. Não me recordo de um jogo fácil, mesmo com o Forte Carrazedense em que fizemos alguma gestão do plantel.

É certo que ainda é cedo para falar do futuro já que ainda há uma segunda volta para se jogar. Mas a concretizar-se o regresso do Mirandela ao Campeonato de Portugal significa também a sua continuidade no comando técnico?

Não tenho energia para pensar tão longe. A minha energia é direccionada para o jogo seguinte. Sinceramente, e isto não é frase feita, não consigo pensar nisso neste momento.

Mas gostava ou pretende treinar uma equipa nos nacionais?

Muito sinceramente, eu não sei que André vamos ter mo final do campeonato, pois é uma questão de energia. Estou a colocar toda a minha energia nisto. No final irei pensar no futuro. Eu exijo muito de mim e saio dos jogos completamente esgotado.

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