Investimento no mercado de arrendamento “será cada vez mais atractivo”

Comprar imóveis para colocar no mercado de arrendamento é uma opção de investimento segura para muitas pessoas que não querem ter o dinheiro parado nos bancos

06 ago. 2024, 11:35

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Segundo os cálculos da Associação Portuguesa de Proprietários, um imóvel adquirido por 150 mil euros vai começar por pagar mais de 1800 euros de Imposto Municipal sobre Transações, 1200 de imposto do selo e mais de 700 de escritura pública. Somam-se os custos anuais de 450 euros com o Imposto Municipal sobre Imóveis. Assim, os encargos fiscais e parafiscais são de cerca de 9400 euros em 10 anos. Se o imóvel for arrendado, por exemplo, por 450 por mês, em 10 anos gera uma receita de 54 mil euros. A esse valor têm de se subtrair os cerca de 9400 euros. Além disso, há mais despesas a considerar, ou seja, os rendimentos das rendas têm de ser tributados em IRS. Neste caso, caso o proprietário pague a taxa de 28% sobre os 54 mil euros, a receita cai para cerca de 29400 euros.

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Apesar de tudo, estas contas não assustam muitos dos que querem investir. Há várias pessoas que consideram que este é o investimento mais seguro.

“Imóveis são um investimento muito seguro”

Leonardo Pires é brasileiro mas tem raízes em Bragança, onde reside, desde 2016. Neste momento, gere o arrendamento de cinco apartamentos na cidade. É proprietário de um imóvel e os dois irmãos são proprietários de outros dois. Restam mais dois, que foram comprados pelo pai e que, hoje em dia, pertencem aos três irmãos. Gere os cinco porque a família reside no Brasil. O investimento, tanto por parte do pai, como, depois, dos três irmãos, surgiu para não ter o dinheiro estagnado. “O meu pai tinha dinheiro guardado, em Portugal, e entendeu que não rendia nada no banco. Então decidiu comprar um apartamento, na cidade onde nasceu e cresceu, em Bragança”, contou Leonardo Pires. Este primeiro imóvel foi comprado em 1997.

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Há alguns anos, Leonardo Pires, que, no Brasil, era sócio do pai, trabalhando no ramo da restauração, decidiu abandonar o país e residir na terra de onde a família é natural. Assim, em 2018, já por cá, decidiu ele também comprar um apartamento para colocar no mercado de arrendamento. O pai comprou mais um e nesse mesmo ano cada um dos seus dois irmãos adquiriram também um imóvel. “Tivemos o mesmo pensamento que o meu pai. O dinheiro parado não rende e quisemos investir”, rematou, dizendo que “sempre” aprendeu com o pai que “os imóveis são um investimento muito seguro”. “Pode não ser o investimento que dá mais dinheiro mas é o mais seguro”, assinalou ainda Leonardo Pires.

O investidor, que, por cá, continua a ser um empresário dedicado à restauração, diz que, dependendo dos inquilinos, este investimento pode, numas alturas, gerar dinheiro, noutras nem tanto. “Há apartamentos em que as pessoas saíram e tive que fazer obras em todo o imóvel”, esclareceu.

Sendo que “em Bragança hoje em dia há muita procura e, por isso, as rendas tiveram de ser actualizadas e ganha-se mais um pouquinho”, o que aqui interessa, em termos de lucros, “é conseguir comprar-se o imóvel por um preço bom, abaixo do mercado, porque, depois, eles valorizam e ganha-se nessa valorização”.

Quanto a investir em Bragança, uma vez que o podia ter feito no Brasil, onde residiu, assim como os irmãos, que vivem no Rio de Janeiro, Leonardo Pires diz que o que pesou foi ter um imóvel noutro continente. “A questão nem tem a ver com lucro porque acho que no Brasil os imóveis dão mais lucro do que aqui. É mais uma questão de ter um imóvel na Europa e quando se viesse aqui ter um apartamento onde ficar mas, para eles não estarem fechados, estão arrendados, como forma até de se recuperar o que se investiu, sendo que foi, sempre, essa a ideia”, explicou.

Leonardo Pires, que afirma que “se tivesse dinheiro compraria mais imóveis”, tem ainda dois restaurantes, um em Braga e outro na Apúlia, em Esposende. São investimentos muito distintos. “É um lucro diferente porque os imóveis, praticamente, não dão trabalho nenhum. Basta arrendar e fazer obras, quando necessário. Na restauração ganha-se mais, mas também se trabalha muito”, terminou.

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Arredamento gera “valor simpático”

Luís Lourenço, especialista em finanças pessoais, não tem dúvidas de que este, é, de facto, “um investimento que tem vantagens” e “é seguro” porque “o imóvel não corre o risco de desaparecer” nem há “problemas” como pode haver no mercado de capitais, em acções, em que “o risco é maior”. Por outro lado, “sendo um investimento mais seguro, também não se pode esperar que a rentabilidade seja tão elevada” mas pode esperar-se “uma rentabilidade anual na casa dos 5 ou 6% brutos”. Este “é um valor simpático” e, por gerar um lucro mais alto do que geram depósitos a prazo e certificados de aforro, também eles seguros, “é, realmente, um investimento atractivo”.

Para o especialista, “o investimento no imobiliário continua a fazer sentido” e “nos tempos mais próximos será cada vez mais atractivo” porque “a habitação tende a ser cada vez mais procurada” e isso leva a que os preços “aumentem”, não só os de venda mas também de arrendamento. “Haverá menos pessoas, infelizmente, com capacidade para comprar, mas faz com que haja cada vez mais pessoas com necessidade de arrendar. Tudo isto somado, é um bom investimento”, rematou ainda.

Para as pessoas que não tem capacidade de pagar o imóvel, desde logo, por inteiro, é preciso fazer outras contas. Ou seja, “é preciso comparar a prestação que o inquilino paga com a prestação que o proprietário paga ao banco”. “Se se equivalerem a pessoa só ganha dinheiro ao fim de uma série de anos e não é isso que se pretende. Se houver um rendimento positivo, que é o que se pretende, o investimento começa a ser rentabilizado mais cedo, obviamente, mas continua a ser um bom investimento”, voncou Luís Lourenço.

Portugal é um dos países da Europa onde mais as pessoas optam por comprar o seu próprio imóvel para residir, contrariando um pouco a tendência dos outros países, onde, habitualmente, há mais gente a arrendar. Luís Lourenço não acredita que em Portugal as coisas se alterem, apesar de haver muita gente a investir no mercado do arrendamento. “Penso que se for essa a tendência será mais por obrigação do que por outra coisa. Há uma cultura de compra de casa que se instalou em Portugal que é a compra de casa. As novas gerações têm uma realidade profissional e pessoal que os faz mudar, frequentemente, de uma cidade para outra e ter uma casa própria acaba por não se ruma opção que se encaixe muito bem nos ritmos de vida mas eu recomendo sempre que uma pessoa, quando puder comprar casa, que compre, mesmo com estes ritmos de vida. Se for o caso de mudança, podem arrendar ou vender a casa porque cada vez mais o imobiliário vai ser mais escasso e consequentemente mais caro”, frisou Luís Lourenço.

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