Instituto Politécnico de Bragança criou projecto de voluntariado que dá créditos académicos

Alunos do IPB podem ver actividades reconhecidas no processo de formação.

04 dez. 2019, 10:29

Este artigo tem mais de um ano

Se ajudar os outros pudesse, além de se estar a olhar por quem mais precisa, valer créditos académicos em determinada disciplina curricular? É esta a ideia do Instituto Politécnico de Bragança, que lançou um projecto de voluntariado, que reconhece horas dedicadas a “fazer o bem” como formação académica. “É um enorme potencial para fomentarmos o voluntariado, enquanto prática que promove a formação integral de jovens, os valores da tolerância, da multiculturalidade, da solidariedade, que ajuda a formar os alunos”, começou por dizer Orlando Rodrigues, presidente do politécnico, com cerca de nove mil alunos de mais de 70 nacionalidades.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Quanto aos créditos académicos, o envolvimento numa actividade de voluntariado pode equivaler a uma disciplina, em função do número de horas e do esforço que o aluno dedique ao trabalho de voluntariado. “Podemos substituir parte dos créditos por este trabalho de voluntariado”, acrescentou Orlando Rodrigues sobre o projecto que é aberto a todas as pessoas da instituição brigantina. “É um estímulo para que eles possam envolver-se” referenciou ainda o presidente sobre um projecto que “cria competências muito importantes de relacionamento com os outros e de proactividade”.

Voluntariado dentro e fora de portas

O projecto, lançado na terça-feira passada, irá além do “universo IPB” e passa assim por deixar a instituição mais próxima de algumas entidades de Bragança e dos próprios brigantinos. Desta forma, o IPB celebrou protocolos com 12 instituições da região. “Havia diversas iniciativas desgarradas e agora procurámos reuni-las e organizá-las. O voluntariado estava muito ligado a IPSS e queremos estendê-lo às instituições culturais, ambientais e de protecção animal e estamos a estudar outros campos”, explicou o padre Fernando Calado, da capelania do IPB e um dos responsáveis pelo projecto, que estará assim ligado à solidariedade, cultura, causa animal e ambiente.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

As acções de voluntariado pontuais, como têm vindo a acontecer na praxe académica, vão sendo várias no politécnico e contam com o apoio de diversos alunos mas agora pretende-se que o apoio seja como que “formalizado” para que também se possa, dentro de portas, identificar que estudantes estarão com maiores carências. “Para além do impacto externo na região, também vai ter impacto interno, criando mecanismos de apoio social aos alunos que por outra via não conseguiriam ter”, explicou Orlando Rodrigues, que deixou assente que, entre alunos estrangeiros e portugueses, as necessidades vão sendo sentidas de diferentes formas já que quem vem de fora não tem acesso ao mesmo sistema de apoio social, ainda que a instituição tenha um apoio social de emergência para os alunos internacionais.

Segundo avançou também o padre da capelania do IPB, o projecto, que contempla ainda a criação de um banco de alimentos e outro de roupas, fora do campus, para que os alunos que necessitem possam procurar ajuda sem serem reconhecidos pelos colegas, prevê que, ao trabalhar de aluno para aluno, se possam identificar melhor os casos de estudantes que passem necessidades. “Temos alguns casos nacionais identificados, que estão a ser apoiados e temos alguns casos entre alunos africanos, que passam algumas dificuldades, mas preocupa-nos aqueles que ainda não identificámos”, esclareceu Fernando Calado sobre as carências, que são mais sentidas sentidas entre alunos estrangeiros porque “as bolsas que recebem são boas no país de origem, mas são insuficientes em Portugal”. No âmbito de programas anteriores, o politécnico já tem 51 alunos em voluntariado permanente mas pretende-se que agora mais alunos, como o caso dos representantes dos estudantes, fiquem sensibilizados com estas causas. No caso da comunidade africana, segundo avançou o presidente da associação destes alunos, Wanderley Antunes, ainda que não haja colegas em “grandes dificuldades”, a entidade tem vindo a intervir sempre que pode e quando há casos “pontuais”, tentado “auxiliar” os que precisam e procuram ajuda. O mesmo acontece entre os portugueses já que Hugo Nobre, presidente da Associação de Estudantes do Instituto Politécnico de Bragança, garantiu que a associação também tem como missão prestar ajuda quando a necessidade surge ainda que os casos sejam “muito poucos”.

Segundo o regulamento do projecto, no âmbito do apoio a estudantes carenciados deverão ser desenvolvidas, por exemplo, actividades como a participação na recolha de roupas e de alimentos e colaboração na elaboração de materiais em suporte especial como preparação de textos para impressão em braille, reprodução por escrito de aulas gravadas e previamente autorizadas e acompanhamento no estudo.

PUBLICIDADE