Ernesto Rodrigues vence prémio PEN Clube com o livro “Uma Bondade Perfeita”

Autor venceu na categoria de narrativa e garante que recebeu a notícia com surpresa.

08 nov. 2017, 09:58

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O escritor transmontano Ernesto Rodrigues foi distinguido com o prémio PEN Clube. O autor natural de Torre de Dona Chama, no concelho de Mirandela, venceu na categoria de narrativa com o livro “Uma Bondade Perfeita”.

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A distinção foi uma decisão por maioria, tomada pelo júri, do qual fizeram parte Teresa Salema, Francisco Belard e Helena Barbas e apanhou de surpresa Ernesto Rodrigues, que nem sabia que o livro tinha sido candidatado ao prémio. “Recebi a notícia com grande emoção, não esperava porque dei a indicação na minha editora para não concorrer a prémios literários, o que veio cumprindo nos últimos anos e para surpresa minha candidatou-me a este prémio. Foi de facto uma surpresa, felizmente desta vez a minha editora desobedeceu e candidatou-me”, afirmou o autor premiado.

As características peculiares da narrativa, a história actual sobre refugiados, bem como a linguagem foram os motivos para a distinção deste livro editado no ano passado. “Quem me transmitiu o resultado foi a presidente do júri, Teresa Salema, que me falou da linguagem renovada, mesmo revolucionária, e sobretudo pela temática muito actual que tem um fundo de refugiados, embora o romance tenha sido escrito em 2010, eu na altura já pressentia que o drama dos refugiados estava aí à porta como veio a acontecer, e só a fortuna editorial é que fez com que saísse em 2016”, salientou Ernesto Rodrigues.

Tendo como pano de fundo o drama dos refugiados, “Uma Bondade Perfeita” narra os desatinos de um psicopata e mostra que “quem nos salva é, não o altruísmo mecânico de uma qualquer mãe biológica, mas Ágata (bondosa, em grego), a qual, erguida entre as maiores violências, persegue o bem supremo da paz de consciência”, culminando neste Séneca: «Sabes o que eu chamo ser bom: ser de uma bondade perfeita, absoluta, tal que nenhuma violência ou imposição nos possa forçar a ser maus».

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Ernesto Rodrigues afirma que o livro, que já foi traduzido para romeno e será ainda traduzido na Bulgária, tem tido uma recepção “muito boa”, quer por parte do público quer por parte da crítica. “Diria que entre os últimos romances que publiquei, a par de “A Casa de Bragança”, é o que está a ser mais bem recebido”, referiu.

Os prémios PEN Clube Português têm o apoio da Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas e são entregues no dia 21 de Novembro na Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), em Lisboa. Para além de Ernesto Rodrigues, o poeta Fernando Pinto do Amaral, com “Manual de Cardiologia”, venceu a categoria de poesia e “A Situação e a Substância: cinco ensaios sobre a ficção de Virginia Woolf e de Maria Velho da Costa” valeram a Rui Miguel Mesquita o prémio na categoria de Ensaio.

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