Entrevista
Entrevista com Artur Nunes, a propósito da edição de 2017 do Festival dos Sabores Mirandeses
Diz quem já foi, que não esquece. O Presidente da Câmara, Artur Nunes, garante que é assim, acrescentando que esta terra tem ainda muito potencial, muito para ser descoberto pelos visitantes. Por isso, por estes dias, bamos a Miranda!
Diz quem já foi, que não esquece. O Presidente da Câmara, Artur Nunes, garante que é assim, acrescentando que esta terra tem ainda muito potencial, muito para ser descoberto pelos visitantes. Por isso, por estes dias, bamos a Miranda!
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Como caracteriza este festival e que importância lhe reconhece na economia do concelho?
Esta é uma iniciativa que surge da necessidade de promover os produtos e as raças autóctones, como é o caso da carne mirandesa, dos ovinos da raça churra galega mirandesa e do porco bísaro, dinamizando os sabores mirandeses através da produção diferenciada de outros concelhos e, por outro lado, incentivar os produtores, levando-os a acreditar que estas raças autóctones são o futuro, de forma a que possam constituir uma parte substancial do sustento das populações na produção animal neste território. Julgo que Miranda do Douro e o Planalto Mirandês têm ainda muito potencial a explorar a este nível, aumentando o número de produtores, mas também fazendo com que possam produzir ainda com mais qualidade, quer o próprio animal, quer o produto final, quando é apresentado para ser consumido gastronomicamente. Tudo isto acrescenta valor quando falamos de carnes DOP (denominação de origem protegida), criando assim uma cadeia de valor.
E de que forma tem o município ajudado os produtores?
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Desde logo tem-se apoiado a raça asinina, uma raça autóctone, preservando a espécie como um animal doméstico e de estimação, passando pela sua importância turística, associando esta às outras três raças de que falei há pouco.
Quer dizer que estes apoios não se esgotam neste Festival dos Sabores Mirandeses?
Sim, não se esgotam nos três dias dos Sabores. Ao longo de todo o ano, para além dos concursos que fazemos das quatro raças, damos subsídios aos produtores, quer directa quer indirectamente, ajudando a incentivar a produção. Naturalmente o valor que mais se destaca é o gastronómico, que faz com que as pessoas venham a Miranda e, ao provarem desta carne, percebam que esta carne tem um sabor diferente, que tem um sabor melhor e isto, não comemos em Lisboa, não comemos no Porto, por isso, eu acho que vale a pena vir aqui.
Já falámos na carne como bandeira diferenciadora de outras terras, mas o Festival dos Sabores Mirandeses têm outros sabores que propõe para além da qualidade da vitela mirandesa, do cordeiro churro galego mirandês e do porco...
Sim, é o caso da doçaria, em que Miranda se destaca com a bola doce, por exemplo, que foi registada como especialidade local regional e que se continua a produzir no Planalto Mirandês. Também é o caso dos roscos e até do pão, que tem um sabor muito nosso, que faz com que as pessoas que nos visitam destaquem o sabor particular do nosso pão. No fundo as pessoas que vêm aqui, têm a garantia de autenticidade e de que os melhores produtos estão nestes Sabores Mirandeses.
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Já percebemos que a tradição está muito patente nesta iniciativa. Há lugar para a inovação ao nível da produção destes produtos?
Sim, há lugar e existe, como é o caso da Carne Mirandesa. Repare que há já uma série de propostas que estão no mercado, como é o caso dos pré-cozinhados, fazendo assim um aproveitamento maior do animal, criando outras soluções de comercialização e outras propostas ao consumidor, uma situação que também já começa a ser aproveitada também ao nível da raça Churra Galega Mirandesa, através desta parceria que também temos. Para lhe dar um exemplo da inovação e do investimento que surge a partir desta fileira, posso dizer-lhe que temos um pedido de licenciamento para uma unidade industrial de presuntos. Nós temos a necessidade de evoluir rapidamente para a indústria. Já temos, aqui no concelho, outros casos de sucesso a este nível, como é o caso das fábricas de cutelaria ou de tanoaria. Teremos de usar estes exemplos para criar indústria ligada aos produtos endógenos, pois há mercado para eles.
No fundo é isto que se pretende com este festival, que seja autêntico, inovador e empreendedor, os três conceitos que acho importante estejam presentes.
Tem aumentando o número de visitantes de ano para ano?
Sim, temos notado que têm vindo a aumentar consideravelmente o número de pessoas, fundamentalmente desde que mudámos o festival do pavilhão multiusos para o jardim dos Frades Trinos, uma opção arriscada, mas que não podíamos deixar de tomar, uma vez que está mais integrada na cidade, permitindo que os visitantes possam visitar o centro histórico e fazer compras também aqui, o que antes era mais difícil.
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E os espanhóis?
É verdade que Miranda é muito conhecida pelo interesse que os espanhóis têm, desde há décadas, por uma série de produtos nossos. Eles continuam a vir em grande número, mas o que temos reparado é que há um público português que tem vindo a aumentar bastante e que se tem mantido fiel. Naturalmente que as acessibilidades do lado português, como é caso do IC5, têm ajudado, permitindo aos portugueses descobrirem os encantos de Miranda, sejam gastronómicos, sejam culturais e paisagísticos. Miranda é hoje uma marca muito forte a este nível.
O município de Miranda do Douro tem vindo também a apostar em geminações e parcerias transfronteiriças, como é o caso de Aranda del Duero, mas não se fica por aí?
Neste momento, por exemplo, vamos receber neste festival, uma comitiva da Irlanda, da cidade de Sligo, em que estão integrados empresários, para além das personalidades institucionais. Para além de trazerem um grupo de música irlandesa, que também usa gaitas de fole, como sabemos, e que vão actuar no festival dos Sabores, iremos levá-los a Palaçoulo, onde fazem os pipos para o conhecido whiskey irlandês, da marca Jameson, por exemplo, e já nos fizeram saber do seu entusiasmo, mal tomaram conhecimento que os barris iam daqui.
Temos vindo também a estimular o contacto com Bimenes, Gijon ou Oviedo, nas Asturias, em Espanha, mas também em Paris, através de parcerias e cooperações que prevêm trocas comerciais e intercâmbios culturais.
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