Entrevista

“É participar em provas como a Volta a Espanha que me leva a estar fora de Portugal”

Ricardo Vilela está na Volta a Espanha em bicicleta. Antes, o ciclista brigantino passou pela redacção do Nordeste para falar daquela que é considerada uma das três melhores provas de ciclismo do mundo. Esta é a terceira participação de Vilela na competição que começou no sábado, em Torrevieja, e te

27 ago. 2019, 11:00

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Ricardo Vilela está na Volta a Espanha em bicicleta. Antes, o ciclista brigantino passou pela redacção do Nordeste para falar daquela que é considerada uma das três melhores provas de ciclismo do mundo. Esta é a terceira participação de Vilela na competição que começou no sábado, em Torrevieja, e termina no dia 15 de Setembro, em Madrid.

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- Ricardo esta é a tua terceira participação na Volta a Espanha em bicicleta, este ano ao serviço da Burgos BH. Qual é o objectivo da equipa nesta edição de 2019?

Como equipa convidada, assim designada, porque há as equipas World Tour e Continentais-Profissionais, o caso da minha, o objectivo é entrar nas fugas, dar visibilidade, dar emoção à corrida e tentar ganhar uma etapa.

- A Burgos BH conta com oito ciclistas na ‘Vuelta’ e três ciclistas vão estrear-se na prova. Isso faz com que haja um trabalho específico em relação a esses corredores?

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Não. É verdade que é uma prova de três semanas mas a adaptação faz-se bem e competindo anteriormente até chegar à Volta.

- É importante ter ciclistas com características diferentes para fazer face a uma prova de 21 dias e com percursos distintos?

Sim. Por isso é cada um tem mais ou menos uma função. Um ciclista mais pesado irá tentar estar numa fuga numa etapa mais plana e um ciclista mais leve, como eu, numa etapa de montanha. Não quer dizer que não aconteça ao contrário mas cada um tem as suas funções em função da etapa.

- Ricardo esta é uma prova bem mais difícil que a Volta a Portugal …

Sim. Uma Volta a Portugal são 11 dias e em Espanha são 21. O pelotão é completamente diferente. Na Volta a Portugal falamos de equipas continentais, de uma dimensão menor que as equipas World Tour que estão representadas na Volta a Espanha, no Tour ou no Giro em Itália, e claro que o nível competitivo é muito superior.

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- Quais são as maiores dificuldades para os ciclistas?

É difícil. A certeza é que os dias menos difíceis serão os dias de descanso. Todos dias têm o seu grau de dificuldade e temos que pensar dia-a-dia e ter saúde que é a principal fonte de energia.

- Esta é a tua terceira participação na Volta a Espanha mas pode dizer-se que é sempre uma experiência diferente e enriquecedora?

Sem dúvida. Isso é o que me leva a estar fora do ciclismo português até agora. É participar em provas de outra dimensão como a Volta a Espanha, uma Volta à Catalunha ou ao País Basco, não tem nada a ver. Sei que já não tenho a ambição de subir a uma equipa World Tour, até pela minha idade. Cada vez mais essas equipas contratam ciclistas muito jovens com 19, 20 ou 21 anos. Eu tenho 31 anos e já é difícil subir a uma equipa World Tour. Mas o que me leva a estar fora de Portugal é estar em provas como esta. Um dia quando deixar o ciclismo posso dizer que fiz a Volta a Espanha ou um Giro por exemplo. Voltas a Portugal já fiz oito. É verdade que a Volta a Portugal diz-me muito mas para já quero estar noutro tipo de corridas.

- No final de Julho estiveste na China, no Tour of Quinghai Lake, onde tua equipa venceu uma etapa. Foi uma boa forma de te preparares para a Volta a Espanha?

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Sim. Inicialmente por problemas de saúde não estava destinado para fazer essa prova na China porque, além de este ano estar a ser o pior da minha carreira e não só, entre Março e Abril detectaram-me um vírus no sangue e tive que repousar 15 dias para recuperar e treinar com menos intensidade e não estava previsto fazer esta volta. Estive praticamente dois meses sem competir, pelo meio apenas o Campeonato Nacional que foi só um dia. Foi a meio do estágio de altitude em Serra Nevada que me trocaram dos campeonatos nacionais para o Tour of Quinghai Lake. Para quem não sabe esta prova realiza-se numa zona junto ao Tibete em que atingimos os quatro mil metros de altitude e isso, para nós, é complicado a nível de esforço físico. Foram 15 dias de competição que me ajudou a voltar ao ritmo competitivo que precisava.

- Este ano conseguiste acompanhar a Volta a Portugal?

Sim acompanhei a Volta. Aqui em Bragança tive a oportunidade de estar com os meus amigos que estiveram em competição. Foi uma prova bastante renhida.

- Só no último dia é que se conheceu o vencedor …

Foi muito competitiva. Dificilmente houve uma prova que entrasse no último dia com o primeiro e o segundo classificado com tempos iguais.

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- A queda de Gustavo Veloso, que se perfilava como candidato a vencer a volta, a poucos quilómetros da meta, em Bragança, acabou por o afastar apesar de ter mantido a amarela nesse dia?

Nesse dia fui jantar com a equipa do Porto e o Gustavo tinha a anca bastante dorida e custava-lhe a caminhar. Ele estava bastante maltratado mas na estrada não se pode mostrar isso.

- Em relação a este domínio da W52-FC Porto nestes quatro anos, nesta parceria com os dragões, se contarmos para trás são sete no total, é claramente uma referência no ciclismo nacional?

Sim. Tem evoluído passo a passo. O ano passado era continental e este ano é continental profissional que lhe dá acesso a outras competições. Com o Porto vence há quatro anos, como Quinta da Lixa venceu três e é um claro domínio da equipa neste últimos anos.

- Tens vontade de voltar a competir em Portugal?

Sim, tenho. Nos últimos cinco anos o ciclismo é claramente o meu trabalho, a minha profissão. E lá fora o nível competitivo é maior.

- Ainda faltam alguns anos para terminares a carreira mas gostavas de o fazer em Portugal?

Sim gostava. Nem que fosse só um ano para fazer uma Volta.

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