Construção de academia desportiva: “o sonho” que a Associação de Futebol de Bragança quer concretizar
António Ramos preside a Associação de Futebol de Bragança desde 2013 e tem mandato até 2025. Em entrevista ao Jornal Nordeste, fez uma análise da realidade do futebol, do futsal e do futebol praia no distrito brigantino e anunciou projectos
Começando pela temporada 2023/2024, que balanço faz desta época desportiva?
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Foi uma época que correu dentro da normalidade. As dificuldades que foram aparecendo conseguimos superá-las e, de ano para ano, temos crescido, e assim o pretendemos fazer na próxima temporada. A Divisão de Honra tem evoluído muito, está à vista de todos o aumento da qualidade e da competitividade do campeonato distrital de seniores masculinos.
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Estiveram inscritos na Associação de Futebol de Bragança 2650 atletas, era o número que esperava?
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Queríamos mais, não é um mau número, porém temos como objectivo chegar aos três mil no último ano de mandato. Estamos perto dessa marca e vamos sensibilizar os clubes para tentar atingir esse registo. Não é fácil devido a desertificação populacional acentuada na nossa região, mas o número de atletas federados tem aumentado.
Quais são as maiores dificuldades da Associação de Futebol de Bragança?
Foi um sonho que sempre tive ser presidente da associação. Fui atleta, fui treinador, sou professor na área do Desporto e é algo que me diz muito. Porém é uma associação de baixa dimensão, que gere pessoas competentes, onde as maiores dificuldades são sobretudo a baixa capacidade financeira em relação a outras a associações e friso novamente Vitor Fernandes Pereira a desertificação populacional. Temos criado estratégias para tentar colmatar as dificuldades e temos conseguido eliminar bastantes lacunas.
Há possibilidade de mais clubes se juntarem à Associação de Futebol de Bragança?
É algo que é difícil, mas há essa possibilidade. É algo que envolve as autarquias locais e movimentos associativos. Gostaríamos que cada sede de concelho tivesse, pelo menos, um representante. Estamos a aguardar, mas consta-se que vai haver novas entradas e há um clube que deve cessar actividade.
A certificação de entidades formadoras tem contribuído para o aumento da qualidade?
É uma área em que temos progredido. Os clubes têm-se apercebido que a certificação tem sido um bem necessário e é algo que veio para ficar. As melhorias têm sido evidentes e esperamos aumentar ainda mais o número de clubes certificados.
Vão existir cursos para a formação de treinadores?
É um ponto importante, olhámos para esta vertente com alguma preocupação. Temos de dotar todo o distrito com treinadores qualificados, temos lançado todos os anos cursos para treinadores de futebol e de futsal. Esta época, vamos continuar com os cursos de treinadores e pretendemos aumentar o número de técnicos no distrito.
A nível do futsal, há alguma possibilidade de alterar o formato da competição para que o campeão distrital consiga a subida de divisão directa sem ter de jogar a Taça Nacional?
É algo preponderante. Apenas eu e mais um colega de outra associação nos manifestamos a favor desse parecer, porque os quadros nacionais que estão instituídos não têm nexo, é algo que é ridículo, é um absurdo e é algo que vai ter de ser rectificado. A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) está em fim de ciclo e esperemos que com a entrada do novo elenco isto seja substituído, porque é uma aberração uma equipa ser campeã distrital e não subir automaticamente de divisão.
Mesmo sem praia natural, a Associação de Futebol de Bragança tem um clube na Divisão de Elite de Futebol de Praia. O que tem a dizer sobre o Vila Flor?
O Vila Flor disputa o campeonato com as melhores equipas nacionais, é uma aposta feita pela autarquia e pelo clube, que é de salutar. Tem criado um mediatismo grande e pode ser que leve mais clubes a apostar na modalidade. De salientar também que na região temos três bons campos de futebol de praia, o da Praia da Congida, em Freixo de Espada à Cinta, o da Praia Fluvial do Azibo, em Macedo de Cavaleiros e o de Vila Flor.
Quanto à arbitragem, como está a situação na Associação de Futebol de Bragança?
Tem havido um forte investimento na arbitragem, esperemos que dê frutos a curto prazo. Estamos a tentar que a retenção dos cursos que fazemos seja maior e pretendemos atrair mais jovens. O Centro de Treinos de Arbitragem funciona duas vezes por semana, com uma dinâmica bem estruturada, onde fazemos as devidas reciclagens para árbitros. Este ano, vamos descentralizar os treinos de arbitragem para que haja igualdade de oportunidades.
Que projectos poderiam colocar a Associação de Futebol de Bragança noutro patamar?
O projecto mais ambicioso seria a construção de uma academia desportiva, já faço referência a isto há vários anos. Para concretizar essa questão, é necessário um apoio diferenciado da Federação Portuguesa de Futebol para as associações de menor dimensão. Esperemos que a nova direcção da FPF seja sensível a este tema, para que nós possamos realizar o sonho de criar uma academia. Temos também duas candidaturas a projectos de Erasmus+, em que o resultado vai ser conhecido em Setembro.
Qual seria o propósito e quais os benefícios da construção de uma academia em Bragança?
Participámos em vários torneios e acabamos por ter dinâmicas, por vezes, superiores às de um clube. Com o sistema de academia deixávamos de mendigar espaços de treino às autarquias e contribuiria muito para o desenvolvimento dos jovens jogadores da região. É extremamente necessário construir uma academia em Bragança.




