Bragança será o único ponto do país a viver em pleno o eclipse do sol

O obscurecimento do Sol, dia 12 de agosto, será de 98,2% no Porto, 94,5% em Lisboa e 92,7% em Faro. No Funchal e em Ponta Delgada ficará abaixo dos 80%. Já no Parque Natural de Montesinho a Lua ocultará completamente o disco solar

18 fev. 2026, 11:19

Bragança é o único distrito de Portugal onde o eclipse solar de 12 de agosto de 2026 poderá ser observado na totalidade, com o ponto máximo a registar-se no Parque Natural de Montesinho. Foi precisamente em Bragança que decorreu, na quinta-feira da semana passada, a apresentação do Programa Nacional do Eclipse 2026, destacando o papel central do nordeste transmontano naquele que será um dos fenómenos astronómicos mais raros das próximas décadas, já que o próximo ocorrerá apenas em 2144. O último eclipse total visível em Portugal aconteceu em 1912.

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Segundo os dados divulgados, o obscurecimento do Sol, dia 12 de agosto, será de 98,2% no Porto, 94,5% em Lisboa e 92,7% em Faro. No Funchal e em Ponta Delgada ficará abaixo dos 80%. Já no Parque Natural de Montesinho a Lua ocultará completamente o disco solar. E, segundo Pedro Mota Machado, astrónomo do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço e Comissário Nacional para o Eclipse 2026, “durante cerca de 26 segundos, a população da região do Parque Natural de Montesinho irá observar um eclipse total que revela a Coroa Solar”, ou seja, a atmosfera mais externa do Sol, apenas visível a olho nu durante um eclipse total.

Montesinho: o ponto alto da observação

Segundo a diretora executiva da Ciência Viva, Ana Noronha, “o ponto mais importante das observações é numa pequena zona de Montesinho”, mais concretamente em Rio de Onor, Varge e Guadramil, em que o eclipse é visível como total, portanto “em que o disco do Sol ficará completamente tapado pela Lua” e, durante uns segundos, “vai ser como se fosse de noite, mas uma noite estranha”. Ainda assim, no resto do país, conforme acrescentou, “o fenómeno será igualmente impressionante”, mas sem a mesma intensidade. “Vamos ter um eclipse espetacular com uma grande profundidade”, destacou.

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E conforme referiu ainda Ana Noronha, esta é uma “oportunidade única”, um momento irrepetível, já que, “de facto, é uma coisa que não acontece todos os dias”.

Contudo, segundo esclareceu ainda, por se tratar de uma área protegida e numa altura de risco de incêndio, o acesso à zona de observação, no parque natural, será condicionado, com prioridade para os residentes do concelho.

Bragança prepara-se, assim, para receber visitantes e curiosos num momento que promete marcar a história da região, com 26 segundos que ficarão na memória coletiva como uma “noite estranha” em pleno dia de verão. “Um eclipse total é raro para e há pessoas que se deslocam, quando há um eclipse em alguma parte do globo, investem para ir, fazem viagens para ir observar o eclipse. Os brigantinos vão ter isso sem ter de sair do sítio”, vincou ainda Ana Noronha.

Festival e ações de sensibilização

O Centro Ciência Viva de Bragança terá um papel central nas comemorações e na preparação do evento. A diretora executiva, Clotilde Nogueira, anunciou a realização do Festival Geração Ciência, nos dias 10 e 11 de agosto, assinalando também os 30 anos da Ciência Viva. “O festival antecede o grande dia e conta com palestras, workshops, observações diurnas e noturnas com astrónomos amadores e profissionais, tertúlias e sessões imersivas de planetário, abertas a toda a comunidade”, explicou, acrescentando que este é um festival destinado a públicos de todas as idades, “inclusive a pessoas com a ciência”, já que a ideia é que a ciência seja “inclusiva”.

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Até lá, ao longo do ano, serão promovidas diversas iniciativas de preparação para o eclipse, com especial enfoque na observação segura. “Pode surgir um problema de saúde pública devido ao eclipse do Sol e nós queremos precaver”, alertou Clotilde Nogueira, que disse ainda que toda a Ciência Viva “está alinhada” para formar voluntários e informar a população, de forma a que a observação seja feita de forma “segura”.

Também Ana Noronha reforçou os cuidados a ter. “A primeira indicação é não olhar para lá sem proteção. Os nossos óculos escuros de praia não protegem nada”, frisou, adiantando que existirá uma campanha nacional, em articulação com a Direção-Geral da Saúde e a Associação Nacional de Farmácias, que irá explicar como utilizar óculos certificados, os únicos que podem e devem ser usados na observação deste fenómeno.

O que é um eclipse e o que torna este especial?

Um eclipse total do Sol ocorre quando a Terra, a Lua e o Sol estão perfeitamente alinhados e a Lua oculta completamente o disco solar por breves instantes. Durante esse curto período, é possível observar a coroa solar, a camada mais externa da atmosfera do Sol, normalmente invisível devido à intensa luminosidade solar.

O eclipse de 12 de agosto de 2026 terá uma duração máxima de 26 segundos em território nacional. Será visível numa estreita faixa que atravessa o Ártico, Gronelândia, Islândia, Espanha e Portugal, sendo o Parque Natural de Montesinho o único ponto do país dentro da faixa de totalidade.

Para muitos especialistas, trata-se de um momento raro não apenas pela sua beleza, mas também pelo impacto científico e pedagógico.

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