O presidente da câmara de Bragança, Hernâni Dias, afirma que usou das “competências” que lhe estão atribuídas para prestar um esclarecimento em alguns órgãos de comunicação social, em espaço reservado a publicidade, acerca da venda de um terreno municipal e posterior revogação do negócio. A resposta surge na sequência da polémica em torno da venda de uma parcela à sociedade do hospital privado e à qual iria ser vendido com uma redução de preço de 75%. Os dois vereadores da câmara do PS, Graça Patrício e Nuno Moreno, insurgiram-se, em Junho, contra o negócio, apontando, “ilegalidades” que, além do preço, se prenderiam com a venda por ajuste directo e com o facto de Luís Afonso ser presidente da Assembleia Municipal de Bragança e, ao mesmo tempo, accionista da sociedade. A câmara acabou por revogar a decisão de venda, mas Hernâni Dias decidiu dar explicações do esclarecimento em causa. O esclarecimento, que o autarca considera “de interesse público”, foi criticado, na semana passada, pela oposição. Nuno Moreno, Graça Patrício, o presidente da concelhia socialista de Bragança, Nuno Diz, e o líder parlamentar do PS na Assembleia Municipal de Bragança, Dinis Costa, manifestaram-se contra a situação, dizendo que o esclarecimento havia sido pago com dinheiro do erário público e que traduzia “abuso de poder”. Em declarações a este jornal, Hernâni Dias explicou que “o presidente da câmara entendeu utilizar os meios necessários para promover um esclarecimento que se afigurava de interesse público” e “foi nessa medida que foi trabalhado”. “É um esclarecimento cabal sobre o assunto, que não merece, da minha parte, qualquer outro comentário”, frisou o autarca. Considerando que o seu “foco” é “trabalhar” e “executar” políticas de desenvolvimento para o território, “tendo em conta os cidadãos”, Hernâni Dias disse não se preocupar com “qualquer tipo de comentário, seja de que força partidária for”, nomeadamente quando se trata de observações “politiqueiras”. O esclarecimento não foi assinado mas estava escrito na primeira pessoa e reportava-se à opinião de “alguns socialistas”, que entendiam que a alienação da parcela seria “má gestão”. Foi assim que os vereadores da oposição sustentaram não se rever no esclarecimento, como integrantes da câmara, e disseram não ter tomado parte em qualquer decisão que permitisse que fosse feito e publicado.
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