Entrevista

Artur Santos: “Tenho um novo desafio pela frente e quero conquistar o meu lugar”

Artur Santos é natural de Bragança e desde 2019 que joga na Alemanha. O guarda-redes reforçou a baliza do FK Pirmasens da Oberliga, quinta divisão, depois de ter representado o Hohenecken e o FCK Portugiesen. O brigantino quer continuar a evoluir no futebol alemão. Em entrevista ao Nordeste falou da

20 jun. 2023, 14:03

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Artur Santos é natural de Bragança e desde 2019 que joga na Alemanha. O guarda-redes reforçou a baliza do FK Pirmasens da Oberliga, quinta divisão, depois de ter representado o Hohenecken e o FCK Portugiesen. O brigantino quer continuar a evoluir no futebol alemão. Em entrevista ao Nordeste falou da experiência dos últimos quatro anos

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Como é que têm sido a experiência no futebol alemão?

Tem sido uma experiência muito boa. Comecei na décima divisão e agora vou jogar o quinto escalão. Tem sido muito enriquecedor. Fui sempre muito bem recebido nos clubes que já representei. A experiência tem sido fantástica e espero que assim continue. Quero continuar a subir a nível de divisões.

Quem não conhece o futebol alemão e olhando para a quinta divisão olha para esse campeonato como se de um distrital se tratasse. Na realidade, não é bem assim …

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A quinta e a sexta divisão são comparáveis ao Campeonato de Portugal e até a uma Liga 3. Até à terceira divisão, liga, alemã os projectos são profissionais. Na quarta liga a maioria dos projectos são profissionais e alguns semi-profissionais. Na quinta divisão também há projectos profissionais e há jogadores que vivem só do futebol. Na Alemanha há 17 divisões e a competitividade é imensa. O país é enorme e há milhares de equipas. A partir da sexta divisão podemos comparar a uma Liga 3.

Ainda há grandes diferenças entre o futebol alemão e o português?

Sim. Eu cresci em Bragança e no norte o futebol é mais físico do que no sul. Na Alemanha, onde eu estou, o futebol é muito físico e com uma intensidade bastante alta. Os alemães têm uma maneira diferente de ver e pensar o futebol, são mais frios e calculistas.

Em termos de assistência nos jogos. Como é que é na Alemanha?

Os jogos contam com muita gente. Posso dizer que quando estive no Hohenecken, na sexta divisão, é uma vila e no mínimo tínhamos sempre mais de 200 pessoas. Mas, por exemplo, no FCK Portugiesen, a minha primeira equipa na Alemanha, na décima divisão teve cerca de mil pessoas a assistir ao jogo da final daquele campeonato. Na Alemanha, as pessoas vivem muito o futebol, principalmente ao domingo.

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Quando chegaste à Alemanha jogaste no FCK Portugiesen, uma equipa cem por cento portuguesa. Sentiste-te em casa?

Sim. Sem dúvida. O staff todo era português, tal como treinadores e jogadores. Estive lá dois anos e senti-me em casa.

O facto de te teres estreado na Alemanha numa equipa portuguesa facilitou a tua integração?

Sim. Ajudou muito. Lembro-me que quando fui para França não sabia falar francês e tive que aprender. Não havia mais portugueses na equipa e tive de aprender sozinho. Os primeiros três meses foram muito complicados.

Quanto foste para França vinhas de uma época muito positiva no Nacional da Madeira, que ajudaste a subir à 1.ª Divisão sub-19 e a conquistar a Taça da Madeira …

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Foi uma época excelente. Muita gente não sabe mas o Nacional a nível da formação tem condições de topo e foi um clube que me ajudou a crescer muito.

E agora mudaste-te para FK Pirmasens da Oberliga, a quinta divisão, o que é que este projecto te pode acrescentar? Perspectivas?

É um clube mais profissional e que estava habituado a estar na quarta divisão, é um nível já muito alto, como referi anteriormente. Agora o clube está na quinta divisão, desceu na época passada, e quer regressar à quarta divisão. O objectivo é subir. A nível pessoal quero continuar a evoluir e dão-me condições para isso.

Artur, concilias o futebol com o trabalho. O que fazes?

Trabalho na parte logística no Estádio do Kaiserslautern. Durante a semana preparo os diversos espaços do estádio para eventos e dias de jogo. Quando não tenho jogo no dia de jogo do Kaiserslautern trabalho e controlo a questão das bebidas, se alguém precisa de uma cadeira, esse tipo de questões.

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É um trabalho que pode pesar no teu rendimento em campo ou dá para conciliar?

Dá para conciliar. Não trabalho a tempo inteiro. Normalmente, eu trabalho de manhã e nem todos os dias. Dá para tudo. Consigo trabalhar de manhã, à tarde vou ao ginásio e ao final do dia treino.

Treinas todos os dias?

No Tus 04 Hohenecken treinava três vez por semana mais o jogo e às vezes quatro. Agora, no FK Pirmasens, vou treinar todos os dias.

É uma equipa onde há mais portugueses?

Não. Sou o único. Para já sou o único português na equipa.

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Pensas regressar a Portugal?

Neste momento penso um dia de cada vez. Quero continuar na Alemanha e tenho agora a nova temporada pela frente.

O que te faria regressar a Portugal?

Uma boa proposta para o futebol profissional. Mas, não penso muito nisso. Estou feliz onde estou, tenho um novo desafio pela frente e quero conquistar o meu lugar. Vamos ver o que a vida me traz. Não vale a pena pensar muito no futuro. Um dia de cada vez.

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