Aldeia de Moás aprendeu como se deve proceder numa situação de incêndio

Dez aldeias do concelho de Vinhais já aderiram ao programa "Aldeia Segura, Pessoas Seguras"

27 mai. 2025, 09:24

Este artigo tem mais de um ano

A aldeia de Moás, no concelho de Vinhais, acolheu no sábado a iniciativa “Aldeia Segura, Pessoas Seguras”. Trata-se de um pograma de proteção civil que pretende sensibilizar a população, pretendendo aumentar a segurança das pessoas em zonas rurais, especialmente as que são mais vulneráveis a incêndios florestais.

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A iniciativa “Aldeias Segura, Pessoas Seguras” encontra-se, neste momento, instalada em dez aldeias do concelho de Vinhais, são elas Cabeça de Igreja, Ferreiros, Pinheiro Novo, Melhe, Candedo, Penso, Soeira, Negreda, Frades de Lomba e Moás.

Na tarde de sábado, em Moás, fez-se uma queimada e foi realizado um simulacro de uma situação de incêndio. “Ainda bem que existem este tipo de treinos, é muito importante para manter as pessoas alerta e como se deve proceder em caso de incêndio. Na aldeia costumámos tocar no sino da igreja, para avisar as pessoas que há fogo e depois juntámo-nos no ponto de encontro à espera do socorro das autoridades. É também relevante manter os terrenos limpos, para prevenir os incêndios”, referiu Luís Fernandes, morador de Moás.

“As pessoas têm de estar preparadas e este tipo de simulações são muito boas para saber o que temos de fazer”, frisou Jacinta Martins, natural da aldeia de Moás.

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Júlio Miguel, segundo o comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil das Terras de Trás-os-Montes, destacou a importância do programa. “É um balanço muito positivo, o programa Aldeias Seguras visa criar mecanismos de defesa para as populações, para que sejam mais resilientes, saibam como proceder nestas situações e respeitam as ordens das autoridades, estando mais seguras. A Corporação de Bombeiros, os Serviços Municipais de Proteção civil e a Guarda Nacional Republicana têm como responsabilidade processar o confinamento, fazer a contabilização da população e evacuar. Deve-se também forçar aqueles populares que não queiram sair por algum motivo e dirigi-los para onde têm de ir. O confinamento é sempre o mais importante antes da evacuação”, frisou.

Carlos Ferreira, Comandante da Corporação dos Bombeiros Voluntários de Vinhais, afirmou que já fizemos este programa em várias aldeias do concelho e encerraram agora a iniciativa em Moás. “É uma aldeia com cerca de 40 habitantes, onde fizemos um fogo real para simular uma evacuação. Não conseguimos chegar a todas as aldeias do concelho num ano, mas é importante ir fazendo em vários locais, para que as pessoas de Vinhais fiquem realmente sensibilizadas com esta ação. Porque temos de pensar que as coisas não acontecem só aos outros, também nos acontecem a nós”, sublinhou.

O Grupo de Emergências e Catástrofes (GEC) da Cáritas Diocesana de Bragança-Miranda integra o Sistema Nacional da Proteção Civil e fizeram parte deste evento. “O nosso grupo está capacitado para intervir em situação de evacuação e resgate, na questão das zonas de concentração e apoio à população, portanto, as zonas de conforto, quando a população tem de ser evacuada. Temos a área de registo, a área de dormitório e de alimentação. É o tempo que eles precisam de estar aqui ao nosso cuidado, basicamente, até poderem regressar às suas casas”, explicou Hélder Pires, o coordenador.

Para além disso, Hélder Pires frisou que a GEC da Cáritas também dá apoio psicológico nestas situações. “Às vezes pode ser necessário. Nas situações reais onde já intervimos, o maior apoio até foi do ponto de vista psicológico. Normalmente, as pessoas ficam ansiosas, a informação não passa, ou seja, não sabem o que é que está a acontecer, se podem ou não regressar às suas casas. O nosso trabalho é esse, é manter as pessoas em segurança, evitar que se coloquem em perigo para tentar salvar os seus bens e deixar trabalhar os profissionais que sabem o que estão a fazer”, sublinhou.

Luís Fernandes, presidente da Câmara Municipal de Vinhais, realça que o concelho tem apostado no programa Aldeias Seguras, Pessoas Seguras. “No distrito de Bragança, o concelho de Vinhais é o que tem mais aldeias inseridas neste programa. É importante aderir a estas causas e perceber a importância destas simulações. As aldeias foram escolhidas em parceria com a Proteção Civil Municipal e Distrital, reconhecendo os locais onde poderá haver maior risco de incêndio, mas queremos alargar a iniciativa a mais aldeias”, vincou.

Vinhais vai implementar também o projeto Condomínios de Aldeia, que conta com um financiamento do Fundo Ambiental de cerca de 400 mil euros e vai abranger nove localidades. “Trata-se da limpeza dos locais à volta das aldeias, da criação de reservatórios de água e da plantação de espécies que protejam incêndios. Já temos aprovados nove Condomínios de Aldeia e vão funcionar em paralelo com o programa Aldeias Seguras, Pessoas Seguras. Em alguns locais, já estão a ser colocados reservatórios de água, onde se vai proceder depois à limpeza e à reflorestação”, explicou.

Uma simulação de incêndio real, permitiu perceber aos habitantes da aldeia de Moás como se procede numa situação de confinamento e evacuação. O programa Aldeias Seguras, Pessoas Seguras contou com a colaboração dos Bombeiros Voluntários de Vinhais, da Guarda Nacional Republicana, do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e do Comando sub-regional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil de Trás-os-Montes.

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