Entrevista
"A água que temos é suficiente e em ano eleitoral não entro em populismos"
Jorge Fidalgo, professor, de 46 anos, natural de Algoso, recandidata-se à câmara municipal de Vimioso pelo PSD para o segundo mandato, depois de 20 anos na autarquia, onde também foi chefe de gabinete e vice-presidente Olga Telo Cordeiro /Teófilo Vaz
Jorge Fidalgo, professor, de 46 anos, natural de Algoso, recandidata-se à câmara municipal de Vimioso pelo PSD para o segundo mandato, depois de 20 anos na autarquia, onde também foi chefe de gabinete e vice-presidente
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Olga Telo Cordeiro /Teófilo Vaz
Quais as prioridades e principais propostas para o concelho de Vimioso caso seja eleito para um segundo mandato?
Candidato-me fundamentalmente para continuar a concretizar um projecto que ainda não está terminado. Em política, nenhum projecto está terminado, num concelho do interior com muito baixa densidade. É extremamente importante a determinação e a confiança para continuar a levar a bom porto projectos que são importantes para o concelho, que ajudem a fixar gente e, se possível, atrair investimento exterior ao concelho. Esse tem sido o mote principal desde há dezasseis anos. Temos apostado fortemente nos recursos endógenos e naturais do concelho, por forma a potenciar que sejam geradores de postos de trabalho, e consequentemente a fixação de jovens. Paralelamente, continuar a dar qualidade de vida a quem vive no concelho de Vimioso.
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Considera que concretizou aquilo a que se propôs há quatro anos e o que de mais importante ficou ainda para terminar?
Penso que sim. O balanço destes quatro anos é extremamente positivo e fizemos um conjunto de investimentos não tão visíveis em termos físicos, começam agora a sê-lo. No quadro comunitário 2020, só agora começam a vir candidaturas aprovadas, sendo que nós somos considerados dos municípios melhores executores em termos de quadro comunitário e fomos beneficiados com o acelerador de investimento. Mas estes quatro anos foram fundamentalmente focados nas necessidades mais imediatas das pessoas. Passámos por um período muito crítico e as famílias sentiram isso no seu dia-a-dia. É por isso que todo o trabalho que desenvolvemos na área social da educação da saúde do conforto habitacional, foi um trabalho extremamente importante que permitiu às pessoas atravessar este período. Esse é o trabalho do qual me orgulho mais.
Para lá disso, houve um conjunto de investimentos, continuamos a potenciar as Termas de maneira já mais efectiva, o Parque Ibérico de Natureza Turismo e Aventura, conseguimos também uma candidatura a fundos comunitários o que nos está a permitir a breve prazo, abrir diariamente sendo que já fizemos lá algumas iniciativas. E temos um conjunto de candidaturas já aprovadas em termos de financiamento, como a estação de camionagem, a reabilitação do edifício dos paços do concelho, há tanto tempo a precisar de um melhoramento, não só para quem lá trabalha mas também para quem recorre aos serviços, adjudicámos agora a reabilitação da Biblioteca Municipal e estão a decorrer trabalhos de requalificação urbanística. Também essa aposta de requalificação pode gerar ciclos novos para o turismo e é isso que estamos a fazer.
Falava da mobilização de investimentos para Vimioso, mas a Zona Industrial hoje continua a não ter procura e ao abandono.
Não é verdade. São termos muito fortes e não correspondem à verdade. Neste momento, estão implementados cerca de 10 lotes na Zona Industrial e os investidores estão apenas à espera de apresentarem as suas candidaturas aos fundos comunitários para investirem. E houve investimento já neste mandato na Zona Industrial. Nós somos talvez dos municípios que melhores condições oferece para se investir na Zona Industrial. O terreno é a um cêntimo, único no nosso distrito, não aplicamos derrama e taxa de licenciamento. Tudo o que depende do município está reduzido ao mínimo. Só não damos os terrenos porque é absolutamente ilegal, portanto não está ao abandono a Zona Industrial, há potenciais investidores que querem investir e alguns provavelmente ainda este ano iniciarão os trabalhos. Quando há sucessivos governos ao longo destes anos que não se preocupam com as acessibilidades, não peçam ao presidente da câmara que faça uma estrada ou uma ligação que se orça, segundo as Estradas de Portugal, em 20 milhões de euros.
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Também falou da criação de condições de qualidade de vida para os munícipes, mas a população em Vimioso, envelhecida na generalidade, tem dificuldades na mobilidade dentro do concelho. Como é que a câmara pensa contribuir para atenuá-las?
É verdade que há problemas de mobilidade dentro do concelho, mas penso que já é público, até 2019 as competências da organização dos transportes intra e intermunicipais passou para as câmaras e a câmara e a assembleia municipais de Vimioso, deliberaram, por unanimidade, transferir para a CIM. Durante este e o próximo ano vai estar definido um plano de circuito de transportes dentro do concelho e para fora do concelho. É evidente que durante o período escolar conseguimos a autorização do IMTT para transportar outras pessoas que não os estudantes, para a sede do concelho. Também durante outros meses, que não escolares, nos dias de feira permite que esses circuitos funcionem.
Já há uma creche em Vimioso disponível para as crianças?
Já há uma creche desde o dia 1 de Maio. Apesar de ter feito todos os esforços junto do Governo, e no dia 11 de Janeiro me terem assegurado que seria contactado pela Secretária de Estado da Segurança Social, não fui contactado. Não fui nesse dia nem até hoje, portanto quando o governo vira as costas a um problema que tem a ver com a interioridade, com a fixação de pessoas, com a verdadeira valorização do interior, arregacei as mangas mais uma vez e pegámos em todos os recursos que tínhamos e em conjunto com a Santa Casa da Misericórdia de Vimioso, hoje está a funcionar uma das melhores creches do distrito.
Vimioso tem futuro a longo prazo?
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Claro que tem. Jamais seria candidato se não acreditasse no futuro do meu concelho. Mas há aqui outra vergonha nacional, que tenho enfatizado por onde tenho passado. Eu acho que é uma vergonha nacional o Ensino Secundário ser obrigatório e os alunos não poderem exercer essa obrigação no seu concelho. Liguei há cerca de um mês e falei novamente com a Secretária de Estado da Educação, e ela disse-me que esse problema faz parte do pacote da descentralização, está neste momento na Assembleia da República em discussão e espera-se as respostas. Significa arrastar o problema.
A demissão da responsável da Unidade de Missão para o Interior surpreendeu-o?
Surpreendeu-me. Eu estabeleci com a professora Helena Freitas uma relação muito positiva e ela ajudou-nos e ficou sensibilizada quer para as intervenções quer para as preocupações que sempre lhe manifestei. Reconheci nela, e faço-lhe aqui uma justa homenagem, uma capacidade de perceber estes problemas e de os querer resolver. Foi ela a primeira a ser receptiva ao problema da creche e que contactou a secretária de Estado da Segurança Social, esta é que não me respondeu. Ela tinha essa sensibilidade. Não quero acreditar que tenha sido exactamente por não ver depois concretizado, aquilo que é necessário fazer no interior, que ela se tenha ido embora. Quero acreditar que tenha sido por outras razões. Mas deixo aqui o meu grande apreço pela professora Helena Freitas, que percebeu o problema, como é que ele tinha que ser resolvido, percebia que havia municípios com especificidades próprias, como é o caso de Vimioso, foi muito elogiosa para com o trabalho que nós estávamos a desenvolver.
E em que fase está o projecto para a ligação à auto-estrada a Bragança?
Estive numa reunião com as Infraestruturas de Portugal (IP) e o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), consegui sentar à mesa estas duas instituições e acho lamentável que instituições do Estado andem de costas voltadas, parece que a fiscalizarem-se umas às outras, para ver quem erra. Tem havido uma boa vontade por parte da IP e do ICNF. Já foi feita uma primeira versão do Estudo de Impacto Ambiental e, neste momento, é necessário fazer uns acertos. Quero crer que nestes anos nós teremos todas as condições para ter uma Declaração de Impacto Ambiental favorável e daí partir para a execução. Se assim for, estaremos dentro do calendário que foi definido pela IP. Quando foi lançado, pelo anterior primeiro-ministro em Vimioso, o concurso para o projecto, previa-se o início das obras em 2019, e eu pedi que fosse antecipado porque estamos há tanto tempo à espera e quem espera muitas vezes desespera, mas também sempre alcança. E nós estamos confiantes que vamos alcançar.
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Em relação às termas, considera que esse investimento está a ter um retorno suficiente? O candidato do PS diz que os custos para manter aquele equipamento não justificam que seja a câmara a gerir as termas?
Nós começámos com as termas em 2002 e só conseguimos tê-las licenciadas em 2014/2015.
Isso é o resultado da burocracia no nosso país. Mas só quem não vai à luta é que perde. Obviamente que o complexo termal é um complexo de topo, do melhor que há, com os melhores equipamentos e não pode ser de outra forma. Temos que apostar na qualidade para poder ser atractivos por isso é que já há um particular, que tem aprovado na câmara um projecto de arquitectura para um hotel próximo das termas. As coisas sucedem-se umas às outras e sabemos que a iniciativa privada no nosso concelho é débil, então tem que ser a câmara a criar as condições para atrair privados para potencial investimento. Há privados a querer investir na zona das termas, porque percebem que através das termas podem potenciar o turismo rural, o agro-turismo e as pessoas estão a começar a apostar. Agora se me disser que as termas ainda estão a dar prejuízo... Mas uma câmara não é para dar lucro. Quantos postos de trabalho estão ali? Praticamente todas as senhoras que estão nas termas já foram mães e a creche já tem miúdos, isso significa que há dinâmica no concelho. Eu continuaria a apostar nas termas, é uma aposta ganha, investimos neste mandato já na melhoria das termas nomeadamente na recepção dos visitantes e já temos um projecto de arquitectura aprovado para melhorar serviços ligados ao bem estar para que depois do período termal que vai desde Março a Outubro, no período mais baixo, possamos ter uma oferta com outras vertentes, para que as termas sejam um equipamento que esteja em funcionamento todo o ano.
O turismo é uma área que ainda pode crescer em Vimioso. Considera que o Turismo Porto e Norte (TPN) tem apoiado estas regiões tal como apoia outras?
Continuamos a apostar muito no turismo. Quando falamos em termas, em Parque Ambiental, na realização de eventos quer do desporto motorizado quer outros que queremos vir a desenvolver nomeadamente ligados à caça. A câmara deu um exemplo de sucesso criando, com duas juntas de freguesia, uma zona de caça turística que está a dar rendimento, em Algoso e Matela. E um desafio que eu já lancei na apresentação da minha candidatura a todas as associativas é no início do próximo mandato, voltarmo-nos a sentar à mesa, deixarmo-nos de capelas e apostar fortemente no turismo.
Fala-me do TPN. Os pequenos são sempre mais esquecidos. Tenho uma excelente relação com o Melchior Moreira, mas obviamente que eles olham para os grandes eventos e promoções, agora em termos de património arquitectónico, quer o castelo que é um ex-libris do nordeste, com muitos visitantes, mas temos sido nós com a Direção da Cultura do Norte a conseguir ter aberto um centro de acolhimento no castelo. A câmara tem tido um papel determinante aí, que não é uma função da câmara mas do Estado. Mas a requalificação e a promoção do património arquitectónico é fundamental para o turismo, que é disso que nós vivemos. Das excelentes condições ambientais naturais que temos, do riquíssimo património com características únicas e da excelente gastronomia, este é o nosso forte, do nosso turismo, aliado aos produtos locais endógenos.
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A água é um problema em Vimioso? Que soluções há para o resolver?
Não é necessário mais ninguém ir licenciar projectos de reforço das captações de água no Maçãs e no Angueira, estão aprovados pelo APA e pelo ICNF os projectos, já foram apresentadas as candidaturas a fundos comunitários, infelizmente os fundos comunitários a nível das águas estão muito direccionados para os grandes sistemas ligados às Águas de Portugal. Vimioso não está integrado nas Águas de Trás-os-Montes, ou no grupo Águas de Portugal, por isso mesmo temos um projecto aprovado para aumentar a capacidade de retenção de água no Maçãs de 1,7 milhões de euros. Temos outro projecto aprovado pelo ICNF, pela APA, por todos os organismos de cerca de 700 mil euros para reforço da retenção de água no Angueira. Já em anos anteriores, reforçamos e desassoreamos os açudes do Maçãs e do Angueira, o que aumentou significativamente a capacidade de retenção da água.
Estamos em ano autárquico, eu percebo que a oposição queira pegar também nestes aspectos. A quantidade de água que nós temos para a população é suficiente, e eu, em ano eleitoral, não entro em populismos. Nós temos feito todos os esforços para que a qualidade da água seja impecável e esteve sempre dentro dos limites legais, mas percebendo o problema nós já em Abril lançamos o concurso público, para a construção da nova ETA para reforçar a que lá está. Entretanto vendo que a empresa que ganhou terá dificuldade em concluir a obra, em tempo útil, pois tinha que ser até final de Julho, imediatamente nos socorremos de outra solução que foi alugar temporariamente por estes três meses uma ETA Móvel. Se forem hoje a Argozelo a água já não tem problemas ou serão minimalistas. Toda a gente viu as temperaturas que tivemos em Maio, o que significa que a qualidade bruta da água na represa do Maçãs e do Angueira diminui substancialmente. Isto obriga a maior tratamento da água, mais tempo para tratar a mesma quantidade, quando os consumos sobem exponencialmente a ETA que temos não é suficiente para tratar esse volume, foi assim que nós fizemos no Angueira e tivemos os mesmos problemas e é assim que estamos a fazer no Maçãs. Estou perfeitamente tranquilo, porque tudo temos vindo a fazer para conseguir ter o problema da água, pelo menos, minorado. Mas ninguém pode prever anos de seca extrema como este. Os técnicos da câmara juntamente com outros técnicos das outras câmaras da região reuniram e está a ser criada uma empresa em baixa para todos os municípios da CIM e outros que queiram aderir, para podermos concorrer de uma forma mais positiva noutras condições aos fundos comunitários.
Fica claro que a dificuldade de ampliar as possibilidades de captação no Maçãs e no Angueira é da responsabilidade do poder central?
A ERSAR diz assim, então se vocês têm menos população querem ainda armazenar mais água? Mas não percebem que a realidade social dos nossos concelhos do interior é completamente diferente e que basta que venham verões escaldantes, como este, e a evaporação nestas bacias é enorme, a quantidade de água que se perde, por evaporação, é enorme. Enquanto a ERSAR não perceber que estas especificidades, em determinados territórios, e é aqui que a unidade de valorização do interior deveria ter um papel determinante e nós ultrapassaríamos facilmente estes problemas.
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