Sector da construção a braços com preços altos e falta de materiais perante a procura alta para comprar casa
O sector da construção civil está a enfrentar dificuldades relacionadas com o aumento dos materiais e falta de matérias-primas, que leva muitas vezes a atrasos nas empreitadas.
Na empresa de construção civil Abel, Luís Nogueiro e Irmãos Lda à subida dos custos com que têm de lidar diariamente, acrescem os prazos de entrega, por falta de material disponível, explica um dos sócios da empresa, Pedro Nogueiro.
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“Há determinado tipo de material e de equipamento que precisamos e que não existe no mercado. Posso dar-lhe o exemplo, de umas portas para um equipamento social que precisavam de levar um termolaminado, que é um material muito próprio, que foram encomendadas em Fevereiro e chegaram-me há duas semanas. A dificuldade de aprovisionamento de material de construção tem a ver com um somatório de diferentes variáveis, a falta de matéria-prima, de mão-de-obra, ao aumento dos custos energéticos”, conta.
A conjuntura de falta de materiais, que já se começou a fazer sentir com a pandemia e os sucessivos confinamentos e que se agravou com a guerra na Ucrânia tem muitas vezes “como consequência o atraso nos prazos para conclusão das obras” e por vezes “o dono da obra não entende muito bem”. “Em função da quantidade de trabalho que nós temos, não consigo dar a perspectiva de início de uma obra privada dentro de dois ou três meses. Actualmente é de 7 a 9 meses e pode chegar a um ano”, afirma.
A constante “instabilidade” de subida e descida de custos, que criam “incertezas” no negócio. Em alguns materiais registaram-se aumentos de 100%, como a madeira e o ferro. Mesmo que o preço venha a descer, dificilmente atingirá valores pré-pandémicos, diz Nuno Rodrigues, proprietário da “David&Nuno”, empresa de venda de materiais para construção civil.
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“Temos uma série de materiais que subiram desmesuradamente, tais como as pellets, que é um produto energético, as chapas, que são provenientes do ferro, e coberturas de armazéns e casas. E há muita falta de matéria-prima, porque vêm de transportes marítimos e todas a fábricas que precisam de matéria-prima importada têm dificuldade em ter acesso ao produto”, explicou.
As empresas ao comprarem os materiais a um preço mais alto, são obrigadas a subir o preço ao consumidor final para fazer face aos gastos. Nuno Rodrigues estima que o poder de compra diminua e já nota quebras nas vendas.
“As pessoas não recebem o suficiente para poderem aguentar este custo e os juros podem também ser uma ameaça. E com os bolsos dos clientes mais vazios, Nuno Rodrigues já nota quebras nas vendas. “Temos alguma baixa nas vendas em certos e determinados produtos, como a chapa, porque estamos sempre à espera que desça, há consumidores que estão a ver se desce o preço. Há outros clientes que não têm urgência muito grande da obra e aguardam para ver se melhores dias virão”, afirmou.
A guerra na Ucrânia fez disparar o preço dos produtos e os materiais de construção não foram excepção. Escrito por Brigantia.




