Pai de Luís Giovani Rodrigues fala sobre o acto "bárbaro" que vitimou o filho

O caso da morte de Luís Giovani Rodrigues, o jovem que não sobreviveu aos ferimentos alegadamente causados por uma agressão, em Bragança, continua por esclarecer

Adicione como fonte preferencial no Google Adicione como fonte preferencial no Google

14 jan. 2020, 16:41

Este artigo tem mais de um ano

O pai de Luís Giovani Rodrigues, o jovem que morreu no dia 31 de Dezembro, dez dias depois de ser agredido, em Bragança, à saída de um bar, garante que a PSP local não o quis deixar apresentar queixa relativa à agressão. A informação foi avançada pelo jornal “Contacto”. Joaquim Rodrigues disse ainda ao órgão de comunicação luxemburguês que esteve a aguardar, em silêncio, até que estivesse concluído o processo de transladação do corpo de Giovani para a Ilha do Fogo, em Cabo-Verde, de onde era natural, mas agora teve necessidade de falar. As declarações surgem por causa do comunicado da PSP, em que a entidade disse que procedeu às diligências possíveis para tratar do caso.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Segundo o pai de Giovani, que naquela noite estava acompanhado por outros três jovens cabo-verdianos, os rapazes estiveram no posto da PSP, no dia a seguir à agressão, para denunciar o caso mas assegura que a PSP lhes negou a apresentação de queixam, tendo-lhes respondido que teria de ser o próprio agredido a fazê-lo. Joaquim Rodrigues garante que lhe aconteceu o mesmo: no dia 27 de Dezembro, três dias antes do filho morrer, esteve em Bragança e quis apresentar queixa. O pai do jovem diz que foi “mal recebido” e que lhe responderam o mesmo que aos outros três jovens. Joaquim Rodrigues refere que explicou que o filho estava em coma profundo, internado no Porto, e, nessa altura, a PSP terá acrescentado essa informação à queixa que já se havia feito pelo hospital, quando Giovani foi agredido.

Em declarações à Rádio de Cabo-Verde Jovem, Joaquim Rodrigues descreveu a agressão ao filho como um acto de terror. “Infelizmente, o meu Geovani morreu e não voltará nunca mais mas não pode acontecer isto com mais ninguém. Aqui, ou em qualquer outro lugar, tem que se viver com base no civismo, na amizade e na concórdia, e não com actos como este, que são bárbaros, no meu modo de ver. O Giovani e os outros rapazinhos nem têm 50 quilos, não mereciam aquilo. Isto, no meu ver, é um acto de terrorismo. Como é possível andar com um taco de basebol na mão para bater na cabeça de alguém? Isto é terror a mais, estou chocado e quero que a justiça seja feita”.

Posição do responsável da PSP de Bragança

PUBLICIDADE

O comandante da PSP de Bragança, José Neto, em declarações ao Jornal Nordeste, confirmou que o pai de Luís Giovani Rodrigues esteve nas instalações da polícia, em Bragança, pouco depois do Natal. Houve um primeiro contacto que não terá sido o mais “assertivo”, mas, depois de ter esperado cerca de um quarto de hora, foi recebido e esclarecido sobre a situação. Terá saído convencido de que as coisas estavam a ser tratadas como deviam e que não era necessário apresentar nova queixa, por se tratar de um crime público. Adiantou ainda que na segunda-feira esteve ao telefone com Joaquim Rodrigues.

O caso começou a ser investigado pela Polícia Judiciária após o jovem morrer. Até agora sabe-se apenas que já foram identificados e interrogados alguns suspeitos.

Escrito por Brigantia

PUBLICIDADE