Espécie rara de águia pode voltar a Trás-os-Montes

Um exemplar de uma águia-imperial-ibérica imatura, ou seja, uma ave jovem, esteve de passagem em Bruçó, no concelho de Mogadouro

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19 mai. 2020, 08:13

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O registo foi feito por câmaras de armadilhagem fotográfica, num campo de alimentação para aves necrófagas, da responsabilidade da Palombar – Conservação da Natureza. A espécie ameaçada, que também existia nesta região, desapareceu de Portugal no final dos anos 70 e em 2003 foi confirmado que estaria de regresso, mas mais concretamente à Beira Baixa. Este avistamento, segundo José Pereira, presidente da Palombar, pode significar que a ave volte a Trás-os-Montes. "Os esforços que têm vindo a ser desenvolvidos, nos últimos 20/30 anos, para a recuperação e conservação desta águia têm produzido alguns resultados. A população terá estado extinta em Portugal durante alguns anos e agora já temos casais nidificantes no país. Tem havido também um aumento da população nacional e da sua área de distribuição, que poderá significar que a espécie venha a ocupar a área histórica de distribuição, que também é o Norte de Portugal e da Península Ibérica".

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Na região, onde não existem casais reprodutores da espécie, este é o segundo registo que a Palombar fez de um indivíduo imaturo, sendo que o primeiro ocorreu em Setembro de 2018, também no Parque Natural do Douro Internacional. Como o avistamento de indivíduos desta espécie é muito raro tão a norte do país, tratando-se de uma ave jovem, o mais provável é que esteja a estabelecer o seu território. "Está à procura de um sítio porque é o que fazem nesta fase. Estão a viajar e a conhecer a península para depois escolherem um sítio para ficar. Tivemos um registo em 2018 e estamos a tentar, com especialistas, perceber se se trata do mesmo individuo. Se for, é um sinal positivo pois significa que se pode instalar na região".

A população reprodutora da espécie é tão reduzida que existe um elevado risco de extinção. A espécie sofre também um conjunto muito largo de ameaças.

A espécie, que está restrita como nidificante em Portugal e em Espanha, é uma das aves de rapina mais ameaçadas da Europa, estando igualmente entre as mais raras a nível mundial, tendo um estatuto de “Criticamente em Perigo” no nosso país. Em 2018, a população nacional nidificante totalizou 17 casais, distribuídos pelas regiões da Beira Baixa, Alto Alentejo e Baixo Alentejo.

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Escrito por Brigantia

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