Entrevista

Presidente do GDB lamenta despromoção ao distrital e destaca a necessidade de investir cada vez mais na formação

O Grupo Desportivo de Bragança vai a votos no próximo mês de Maio. As listas candidatas devem ser entregues até ao dia 28 de Abril. Paulo Afonso pondera recandidatar-se, mas ainda não dá certezas. O líder do GDB lamenta a despromoção do plantel sénior ao distrital. Em entrevista ao Jornal Nordeste/R

11 abr. 2023, 15:15

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O Grupo Desportivo de Bragança vai a votos no próximo mês de Maio. As listas candidatas devem ser entregues até ao dia 28 de Abril. Paulo Afonso pondera recandidatar-se, mas ainda não dá certezas. O líder do GDB lamenta a despromoção do plantel sénior ao distrital. Em entrevista ao Jornal Nordeste/Rádio Brigantia, o presidente reclama mais apoios e a necessidade de continuar a investir nos jogadores oriundos da formação.

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O Grupo Desportivo de Bragança confirmou a despromoção ao distrital depois da derrota caseira com o Vianense, por 0-3, a duas jornadas do final do Campeonato de Portugal. Na sua opinião o que faltou para evitar a descida?

O que faltou? Primeiro faltou dinheiro. Segundo faltou sorte e depois tivemos sempre muitas lesões. Nunca conseguimos ter todos os jogadores disponíveis. Os jogadores mais experientes, como o Óscar Barros, que não acabou a época por lesão, o Branco, o David Carvalho, o Abbas, o Camará estiveram muito tempo lesionados. Isso penalizou-nos pois são jogadores com experiência.

Falou na questão financeira, qual era o orçamento do clube para esta temporada?

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Noventa mil euros, o orçamento da equipa sénior.

Foi suficiente para fazer face às despesas numa prova nacional?

Não. Faltou-nos capacidade económica para trazer jogadores com mais experiência para Bragança.

A mudança de treinadores, o GDB teve três equipas técnicas, de que forma afectou o grupo? Se bem que quando saiu o Rafael Nascimento o clube já estava na última posição.

O Rafael foi a nossa primeira opção e se fosse agora seria igual a nossa prioridade. O Rafael é uma pessoa que gosta muito do clube, que sabe de futebol e, se calhar, foi vítima da situação financeira do clube, pois não lhe conseguimos dar todos os jogadores que ele pretendia.

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A qualidade do técnico não está em causa, como é óbvio. Mas, face à situação a mudança não foi tardia?

Tentamos aguentar ao máximo o Rafael pois não tínhamos dinheiro para trazer alguém de fora. Depois o clube teve que fazer um esforço e veio o Pedro Rodrigues …

Que esteve apenas oito jornadas, somou três vitórias, e acabou por sair para o Trofense a três jornadas do final do campeonato. Surpreendeu-o a saída repentina do treinador?

Até estávamos a pensar na próxima temporada com ele, independentemente do que acontecesse, mas surgiu a oportunidade para sair para outro patamar.

Foi uma saída tranquila?

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Sim. Foi.

A opção foi manter os três treinadores da casa, o João Tiago, o Pedro Afonso e o Beto Antas. Havia outras opções?

Não fazia sentido no final do campeonato contratar outro treinador. Juntámos o Beto Antas, também um treinador da casa, ao João e ao Pedro, que já conheciam bem a equipa.

Em ano de eleições pergunto-lhe se vai avançar com a recandidatura?

Vamos ter uma assembleia no final deste mês e depois eleições. Vamos ver. Vou esperar para saber o que as pessoas querem do clube. Isto é muito desgastante. Eu gostava que as pessoas que muitas vezes criticam e não têm noção de como isto funciona que apresentassem uma lista. Quanto a mim não sei se avanço ou não para a recandidatura. Vamos ver. Se apresentar alguém credível, que vão dar seguimento ao trabalho, vamos ponderar. Isto é uma responsabilidade muito grande e tempo que dar muito tempo ao clube.

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Acha que continua a haver algum afastamento entre o clube e os sócios e a cidade? Mas ficámos com a sensação que esta temporada houve mais gente nos jogos em casa.

Sim. É verdade. Mas, quando a equipa está menos bem nota-se um afastamento.

Se avançar com a recandidatura e for reeleito vai manter esta equipa técnica?

Não sei. Vamos ver o que vai acontecer e só depois das eleições é que vamos ver, se avançarmos e formos eleitos.

Especialmente esta última temporada, a sua direcção promoveu várias iniciativas para aproximar a cidade do clube, com destaque para a campanha “Estabelecimento Colaborador”, surtiram efeito?

Sim. Podemos dizer que sim. Eu tenho que realçar o apoio dos restaurantes e hotéis que nos têm apoiado muito. Temos 14 jogadores de fora e só com o apoio dos restaurantes e hotéis, especialmente do São Lázaro, foi possível aguentar. Tem que haver uma mudança. A promoção dos jovens oriundos da formação é muito importante. Nos seniores temos que ter uma base de 60 a 70 por cento de jogadores da terra. Se continuarmos na direcção há pelo menos seis juniores que vão saltar para o plantel sénior.

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O maior apoio do município acaba por ser do município. O que falta ao clube para ser mais independente a nível financeiro?

Como toda a gente sabe estamos a pagar uma dívida que herdamos, que era de cerca de 100 mil euros. Vamos fechar a época com cerca de 20 mil euros de dívidas. Foi um esforço tremendo com muitos sacrifícios. No Verão passado trabalhámos muito para começar a temporada com algum dinheiro. Só para inscrever a equipa no nacional foi uma despesa enorme e depois há as multas que só esta época foram cerca de quatro mil euros, o que nos destabilizou as finanças. Só num jogo tivemos que pagar uma multa que passou os dois mil euros.

Além da verba do município há outros apoios?

Sim temos várias empresas que apoiam e a campanha que fizemos juntos dos comerciantes e tenho que lhes agradecer pelo apoio. Mais de 90 por cento colaborou. Mas, isto não é fácil pois todos os directores trabalham e têm empresas para gerir e não é fácil andar de porta em porta.

Houve uma preocupação da sua direcção de organizar iniciativas diferentes, o GDB já tem um hino, uma mascote, por exemplo, foi uma tentativa de dar uma nova imagem ao clube?

Tivemos a preocupação de ligar o clube à cidade. Só não conseguimos manter o plantel sénior no nacional.

As camadas jovens têm sido uma prioridade para esta direcção, nomeadamente em fazer crescer o número de atletas ….

O número de atletas cresceu e cresceu muito. Na época passada, nos escalões mais jovens, traquinas e petizes, por exemplo, quase não tínhamos atletas e actualmente temos cerca de 50 a 60 miúdos. Temos apostado bastante e as pessoas têm colaborado, para isso foi necessário fazer com que acreditassem em nós.

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