CEE acolheu segunda edição das Olimpíadas de Matemática Adaptada
Mais de 150 pessoas marcaram presença, ontem, na segunda edição das Olimpíadas de Matemática Adaptada. Uma iniciativa criada pelo Centro de Educação Especial de Bragança, considerada pioneira e única a nível nacional.
O objetivo passa por promover a inclusão e criar momentos de partilha entre instituições, explica a diretora do CEE de Bragança, Anabela Pires. “Quando o CE abre as portas, abre as portas no sentido de melhor receber e poder acolher quem vem ter connosco. E o objetivo desta iniciativa é esse, é partilhar a nossa perspetiva sobre uma intervenção cognitiva diferenciadora. O que é que nós podemos fazer diferente? À mesa, muitas vezes, em brainstorming, é um bocado isso, não é? E daí esta reflexão sobre as pessoas com quem trabalhamos, um traço de perfil, uma avaliação transversal, por exemplo, da componente de interação social. Primeiro percebemos a realidade e depois é que desenhamos aquilo que realmente possa ter impacto. E o impacto são os sorrisos, é o virem, é o acolherem e o triplicarmos o número de participações”.
A prova destinou-se a pessoas com idades compreendidas entre os 24 e 84 anos com necessidades educativas especiais e idosos institucionalizados. Luís Alves, técnico e professor, explica que ao todo foram 10 exercícios, sendo um deles prático. “Esta é uma prova mais de primeiro ciclo, uma prova muito simples. A prova é constituída por 10 exercícios, este ano com uma particularidade: um dos exercícios é prático, também para eles poderem treinar a motricidade. Portanto, decidimos também inovar um bocadinho. Acredito que o passa a palavra, o ano passado, possa ter resultado, gostaram, e este ano estão aqui outra vez connosco”.
Este ano, o número de participantes triplicou, e contou com três instituições vindas de fora do distrito. Uma delas foi a ADM Estrela, que veio da Serra da Estrela até Bragança com quatro utentes para participar na prova.
A técnica presente, Isabel Lopes, garante que iniciativas deste género permitem aos utentes mostrar as suas capacidades, mas não só. “É uma questão de eles próprios poderem estar noutros ambientes, conhecer outras pessoas. Nós já participamos em muitas atividades a nível de desporto. Isto, a nível de exercício mental, é a primeira vez. Eles gostam de tudo o que seja para participar fora. Estão sempre de acordo, estiveram a preparar-se. E uma das atividades deles é mesmo saber se isto faz parte do dia a dia”.
José Silva é utente da Santa Casa da Misericórdia de Seia, diz ser bom em matemática mas que a prova era difícil. “Está a correr bem. A parte mais difícil é ter de se pensar”.
A MatAdapt decorreu ontem nas instalações da CEE em Bragança. Contou com 23 instituições e mais de 150 participantes.
