Trás-os-Montes e Zamora criam plano estratégico para desenvolver regiões
A Comunidade Intermunicipal (CIM) das Terras de Trás-os-Montes e a Diputación de Zamora apresentaram em Bragança o projeto transfronteiriço ZAMTTM.
O objetivo é criar grupos de trabalho para definir um plano estratégico para o desenvolvimento duas regiões transfronteiriças, avança o presidente da comunidade intermunicipal, Pedro Lima.
“Definir objetivos e ter uma estratégia que faça com que esses objetivos se coloquem no terreno e que sejam executados de uma forma consistente e mais consolidada. É verdade que existe uma cooperação transfronteiriça há muito tempo, mas sempre em níveis um pouco diferentes. Temos diferenças a nível político, a nível administrativo. Por vezes Portugal fica colocado numa questão um pouco mais difícil em termos de contratação pública, por exemplo, e temos que ter estes grupos de trabalho, por forma a conseguirmos combater estas diferenças, para que Trás-os-Montes se torne num centro e não numa periferia.”
Este plano pretende encontrar soluções em diversas áreas, nomeadamente no combate aos incêndios, alterações climáticas, demografia e inclusão que está relacionada com os movimentos migratórios, para dar resposta aos desafios sentidos por ambos os territórios.
Pedro Lima defende ainda que este é também um alerta aos Governos, para que se agilizem os processos.
“Tem a ver com as diferenças que nós temos entre políticas administrativas, até de contratação pública. Aproveito para alertar, de certa forma, os nossos governos para o facto que devia haver uma conformidade maior, para conseguirmos ser mais iguais. Ainda há pouco falava com o presidente da Deputação, que me dizia que não entende como é que em Portugal há tanta dificuldade para colocar em marcha, como dizem os espanhóis, qualquer tipo de projeto. Têm razão, realmente estamos ambos na Comunidade Europeia, somos vizinhos, porquê é que existem essas dificuldades?”, questiona.
Este foi o primeiro passo para “estratégias corretas”, refere o presidente da Diputación de Zamora, Javier Faúndez.
“Hoje demos o primeiro passo para definir esse quadro de trabalho no qual serão elaboradas as estratégias adequadas para abordar esses projetos, que, naturalmente, são projetos singulares e comuns a ambos os lados do território. Já o disse anteriormente, existe uma fronteira administrativa, mas para mim, que sou presidente de uma autarquia transfronteiriça, na realidade não existe, porque sempre houve essa convivência e essa boa relação. Assim, com este grupo de trabalho, o primeiro objetivo é criar esse cenário, esse fórum de colaboração, para orientar esses projetos que, em última análise, poderão depois ser concretizados quando os fundos europeus voltarem a estar disponíveis.”
Também o presidente da Fundação Rei Afonso Henriques, José Luís Prada, defende que os projetos só ganham força quando têm uma estratégia bem definida. “Se não tivermos estratégias claras, talvez seja inútil. Então, do que precisamos? De estruturas, de estratégias, e só depois falaremos de projetos. Isso não tem acontecido nos últimos anos.”
O investimento do projeto ZAMTTM é de cerca de 260 mil euros. A CIM Terras de Trás-os-Montes é a principal beneficiária, com 166 mil euros, enquanto Zamora recebe 96 mil euros.
