Opinião

Dar espaço às pessoas

Dar espaço às pessoas
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  • 15 de Junho de 2026, 17:05

A decisão da Câmara Municipal de Bragança de avançar com a pedonalização temporária de parte do Centro Histórico durante os fins de semana de verão merece ser encarada com abertura e sentido de oportunidade. Trata-se de uma experiência que pode trazer benefícios significativos para a cidade, para os comerciantes e para quem a visita ou nela vive.

Durante décadas, muitas cidades europeias compreenderam que os centros históricos não podem ser vistos apenas como locais de passagem automóvel. Pelo contrário, são espaços de convivência, cultura, comércio e identidade. Hoje, são inúmeras as praças e ruas em Portugal e na Europa reservadas total ou parcialmente aos peões, permitindo que as pessoas usufruam do património, das esplanadas e do comércio local com maior conforto e segurança.

Bragança não está a inventar nada de novo. Está, sim, a seguir um caminho já testado noutras localidades, adaptando-o à sua realidade. O facto de a medida ser implementada em formato de projeto-piloto demonstra prudência e bom senso. Não se trata de uma decisão definitiva, mas de uma experiência que será posteriormente avaliada, permitindo corrigir eventuais problemas e perceber o seu verdadeiro impacto.

A adesão imediata dos comerciantes é, desde logo, um sinal positivo. Quem trabalha diariamente no Centro Histórico conhece as dificuldades da zona e sabe que atrair pessoas é fundamental para a sustentabilidade dos negócios. Mais circulação pedonal significa mais tempo de permanência, mais oportunidades para consumir e uma maior dinâmica económica.

Também a componente cultural merece destaque. A instalação de pequenos palcos, a realização de atuações musicais, recitais de poesia e outras iniciativas podem contribuir para devolver vida a um espaço que, em determinados períodos, perde alguma da sua vitalidade. Um centro histórico não deve ser apenas um local para visitar, deve ser um lugar para viver.

Naturalmente, haverá quem manifeste reservas, sobretudo relacionadas com o estacionamento e o acesso automóvel. São preocupações legítimas que devem ser escutadas. Contudo, a experiência de muitas cidades demonstra que é possível encontrar equilíbrios, garantindo acessibilidade a residentes, serviços de emergência e pessoas com mobilidade reduzida, sem abdicar da criação de espaços mais humanizados.

Num tempo em que tantas cidades procuram valorizar o património, promover o turismo sustentável e melhorar a qualidade de vida urbana, dar mais espaço aos peões não é um capricho. É uma estratégia de desenvolvimento. Se a experiência resultar, Bragança poderá ganhar um Centro Histórico mais atrativo, mais vivo e mais próximo das pessoas.

Porque as cidades fazem-se de ruas, edifícios e monumentos. Mas, acima de tudo, fazem-se das pessoas que as vivem.

Carina Alves, Diretora de Informação.

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Carina Alves