“Ano da Alimentação” coloca produtos de montanha no centro do debate
O “Ano da Alimentação” vai levar seminários dedicados à valorização dos produtos de montanha a vários pontos da região. Este é um projeto do Laboratório Associado para a Sustentabilidade e Tecnologia em Regiões de Montanha, do Instituto Politécnico de Bragança.
Segundo Sandrina Heleno, investigadora deste laboratório, a ideia é colocar a alimentação no centro do debate cientifico, económico e cultural. “Estamos a falar de produtos com identidade, que são uma forte expressão do nosso território, muito ligados ao território, mas que, muitas vezes,o seu posicionamento no mercado não é corretamente valorizado. Pretendemos, ao longo deste ano, reunir toda a cadeia no setor da alimentação, desde os produtores até à investigação, associações, municípios, inclusivamente os decisores políticos. No final destes seminários, o que é que nós pretendemos? Pretendemos ter soluções concretas, estratégias, em que seja possível definir um caminho para que estes produtos sejam ainda mais valorizados para além daquilo que já são”.
Os produtos transmontanos são diferenciados, mas há muito a fazer por eles. “Temos de garantir a segurança alimentar, a sua autenticidade, a sua certificação e garantir que são produtos com uma identidade própria e associá-los às regiões de montanha. O IPB e o laboratório associado em concreto já têm um historial muito forte em toda a investigação nos produtos alimentares, na sua valorização. O laboratório, ao longo dos anos, tem trabalhado muito em colaboração com produtores da região Trás-os-Montes, precisamente para valorizar este tipo de produtos, em termos do apoio à certificação, autenticidade, garantir a sua segurança alimentar, inclusivamente até no desenvolvimento de novos produtos, novos processos, porque a tradição é a base para nós conseguirmos inovar, mas sem perder a identidade dos nossos produtos”.
Ao longo deste ciclo, será dada particular atenção ao papel da ciência na valorização dos produtos alimentares, nomeadamente na sua caracterização, certificação, inovação de processos e desenvolvimento de novas abordagens que respeitem o saber tradicional, mas que também respondam às exigências atuais do mercado. “A nossa alimentação é a nossa expressão cultural. Quando nós conseguimos provar que os nossos produtos são autênticos e que têm identidade, evitamos fraudes alimentares, por exemplo. Evitamos que os produtos sejam adulterados. Como é que nós conseguimos fazer isso? Com ciência também. É importante explicarmos ao longo destes seminários que a ciência realmente é um fator muito importante na valorização dos nossos produtos. A ciência vai dar argumentos à tradição. Validar aquilo que a tradição já nos diz”.
O primeiro seminário está a decorrer hoje, em Mogadouro, sob o tema “Alimentos do Planalto: do Terroir à Gastronomia”. A iniciativa segue depois para Alfândega da Fé, dia 27 de maio, onde o foco estará na certificação e autenticidade dos produtos da Terra Quente, com destaque para a cereja e a amêndoa. Seguem-se sessões em Carrazeda de Ansiães, dia 17 de junho, com destaque para a maçã, azeite e vinho, e Montalegre, dia 23 de setembro, com foco nas carnes e enchidos, antes do encerramento em Bragança.
