Mau tempo provocou estragos avultados no concelho de Vinhais
Autarca Luís Fernandes pretende pedir apoio ao Governo, mas ministro da Agricultura garante que isso só acontecerá se prejuízos forem superiores a 30%
Um fenómeno de vento extremo provocou estragos avultados no concelho de Vinhais, principalmente na aldeia de Mofreita e Fresulfe. O presidente de Vinhais esteve no terreno a analisar os prejuízos. “Está a ser feita uma inventariação de todos os estragos que existiram”, disse. Os estragos foram sobretudo a nível de “infraestruturas agrícolas, de apoio à agricultura, estábulos, alguns armazéns agrícolas e também algumas árvores, sobretudo castanheiros, que foram danificados. Até a própria igreja foi danificada a nível de telhado”.
Segundo o presidente da Câmara de Vinhais, devem rondar as “dezenas ou centenas de milhares de euros”, apontou, sem conseguir indicar para já um valor. “Foram afetadas um número considerável de pessoas, ainda que ninguém tenha ficado ferido ou desalojado, mas afetou telhados das habitações, coberturas dos armazéns agrícolas que podem rondar os 10 a 20 mil euros”, exemplificou.
A Câmara, bem como a Junta de Freguesia, de Vinhais, está a apoiar a população com “o possível”. Mas, posteriormente, vai reportar os estragos às entidades competentes para obter apoios. “Hoje estive numa reunião da Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes, em Miranda do Douro, em que já referenciei também este assunto, irei fazer chegar depois um relatório mais aprofundado de todos os estragos no sentido de ver a possibilidade também de ser enquadrado nestes apoios de tempestades, porque ali também foi o que aconteceu”, afirmou.
Mas em Miranda do Douro, o ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, sublinhou que os apoios direcionados às calamidades “dificilmente” se aplicarão ao concelho de Vinhais. “Neste caso concreto, a única forma que temos de apoiar, e não sei se encaixa, porque quando usamos fundos europeus para a reposição do potencial produtivo o prejuízo tem de ser 30% ou mais na exploração. É certo que ainda não nos chegou o levantamento, mas têm de existir prejuízos acima dos 30%, aí sim poderemos apoiar”, explicou.
Reforçou ainda que o Governo está a trabalhar no que diz respeito aos seguros. “ É importante que as pessoas tenham seguros para as suas casas e para os seus armazéns, mas na agricultura é quase impossível ter um seguro para uma cultura permanente, ter um seguro para uma estufa é quase impossível. Muitas vezes as seguradoras não fazem e quando fazem é a preços proibitivos”, disse.
Luís Fernandes partilhou ainda que recebeu um telefonema por parte do Presidente da República, António José Seguro, a questionar sobre os estragos. “Teve a amabilidade de fazer um telefonema”, referiu o autarca.
