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O que não se vê não se sente!

O que não se vê não se sente!
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  • 6 de Fevereiro de 2007, 11:55

Já passaram 8 anos desde o último referendo. Muitas mulheres, algumas em idades muito jovens, viveram na clandestinidade, a interrupção de uma gravidez não desejada, sem qualquer assistência médica que garantisse os mínimos procedimentos de segurança e saúde. Se pensarmos que qualquer um de nós, exige um médico qualificado e assistência digna em operações de rotina como tratar um dente, poderemos concordar em manter, sem qualquer acompanhamento médico e sem as mínimas condições, a prática de aborto?
A questão “Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?” limita, em todos os aspectos, a situação actual. Senão vejamos. Trata-se de despenalização e não de liberalização. É realizada por opção da mulher, com acompanhamento médico da sua situação psicológica, contexto social e afectivo, perspectivando possíveis soluções alternativas. É limitada às primeiras dez semanas e em estabelecimento de saúde legalmente autorizado, de forma a diminuir os riscos para a saúde da mulher.
É uma obrigação de todos reflectir sobre o que temos e o que podemos conseguir. O conhecimento dos casos, a identificação e acompanhamento das mulheres permitirá ao sistema de saúde intervir, quer na prestação de cuidados de saúde quer na prevenção da ocorrência de nova gravidez.
A abordagem à despenalização da interrupção voluntária da gravidez não deve ser exclusivamente emotiva, devendo ser sustentada em factos, racionalizada em argumentos e projectada no futuro. Será que daqui a 8 anos continuamos a ouvir dizer que “esta realidade nos passou ao lado”? Será que não queremos ver? Ou simplesmente concordar que “o que não se vê não se sente!”.

Júlia Rodrigues


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