Suçães mostra a memória do povo
O museu guarda milhares de peças antigas, que representam a memória das gentes de Suçães, que teimam em preservar aquilo que herdaram dos antepassados. Durante a visita ao local, Maria do Amparo Cepeda realça que as máquinas de costura ainda funcionam. “Tenho uma do género em casa, que ainda a utilizo”, confessa.
As camas de ferro e os cobertores de lã, as loiças de esmalte, os tachos de cobre e as tanhas de barro também fazem parte do espólio que foi doado pela população da aldeia. “Eu dei uma cama de ferro que era do meu tio, uma colcha de lã e um espelho grande. Ali está guardada a memória dos nossos antepassados”, salienta Maria do Carmo Alves, uma habitante de 82 anos.
Por entre as inúmeras peças vamos encontrando artefactos curiosos, essenciais para simples tarefas de outros tempos. Os carrinhos de madeira eram usados pelas crianças para brincar, ao passo que os “gaiolos”, também em madeira, eram os berços de antigamente.
Espaço do museu já é insuficiente para acolher todos os utensílios
Desde os trajes, aos aparelhos de música, máquinas de escrever e, até, utensílios para a lavoura, os inúmeros utensílios já se encontram apinhados no museu. “Precisávamos de um espaço maior para podermos expor as peças, mas há outras prioridades”, desabafa o presidente da Junta de Freguesia de Suçães, Rui Fernandes.
Entre os projectos prioritários para a freguesia, composta ainda pelas anexas de Eivados, Eixes e Pai Torto, o autarca realça a conclusão dos arruamentos e do saneamento nas quatro localidades.
No que toca aos acessos, Rui Fernandes defende a ligação do nó do IP4 a Suçães, através da adaptação de um caminho rural. “Do nó à aldeia são cerca de 2 quilómetros, mas, actualmente, é preciso percorrer cerca de 8 quilómetros por uma estrada com bastantes curvas”, salienta o responsável.
Com a construção da nova via, Rui Fernandes pretende aproximar as aldeias anexas da freguesia.
A par do museu, Suçães exibe, ainda, duas casas solarengas que pertencem à abastada família Pavão, que, segundo a população, chegou a doar terrenos aos mais pobres para fazerem as suas casas.
A igreja matriz, datada de 1805, é outro dos monumentos emblemáticos da aldeia, tal como o Santuário de Santa Bárbara e o cruzeiro dos Senhor dos Aflitos.
Com cerca de 400 residentes, esta freguesia tem vindo a perder população, devido aos fluxos de emigração. “A agricultura é a principal fonte de subsistência das pessoas, pelo que os jovens optam por sair para o estrangeiro”, realça Rui Fernandes.

