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Responsabilidades repartidas

Responsabilidades repartidas
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  • 13 de Maio de 2008, 10:15

O negócio, em jeito de cedência amigável, traduzia-se na construção de um Complexo Desportivo em terrenos doados por um conterrâneo benemérito. Havia no entanto, um senão… A condição noticiada para a concretização da transferência de propriedade, seria a certeza da manutenção do actual presidente da Direcção do Clube! Com eleições à porta, seria eticamente aceitável colocar essa condição? Claro que a história continuou e houve até discurso do actual presidente da Câmara, abordando possíveis parcerias e a necessidade de reforçar os actuais recursos humanos do Clube.
Há concerteza responsabilidades repartidas nas várias instituições envolvidas: Câmara Municipal, Associação Comercial e Industrial e Sport Clube de Mirandela.
Poderá haver vantagens para o clube? Será vantajoso para Mirandela? Em termos urbanísticos? Em termos económicos? Encontrei algumas respostas…
O Sport Clube de Mirandela não tem assumidamente autonomia financeira para construir e manter uma estrutura daquela dimensão. Será que, como noutros complexos desportivos, também este terá associada uma componente imobiliária? A opção por novas e grandes infra-estruturas bloqueia por vezes, a atenção para situações realmente importantes. Destaco a prática desportiva acessível aos Mirandelenses, a formação de novos talentos e a qualificação do património que já existe. Não se perspectivam vantagens, mas grandes compromissos financeiros futuros, que podem conduzir a instituição a uma asfixia precoce.
Acresce ainda que, a Associação Comercial e Industrial não está assim, a garantir a sustentabilidade do comércio local e a rentabilidade dos espaços geridos por Mirandelenses. Mais uma grande superfície, completamente desnecessária, poderia criar ainda mais dificuldades ao comércio tradicional de Mirandela, à semelhança com o que já acontece em Bragança e Vila Real. O desespero de quem investiu e não recupera o custo do investimento deve preocupar a Associação, mas também o Município. Deveriam por isso, assumir uma estratégia transparente e concertada, garantir opções viáveis e sustentáveis nas nossas colectividades sociais, culturais e desportivas, a estabilidade e sucesso do nosso comércio tradicional e reforçar a responsabilidade de quem tem o poder e infelizmente, tantas vezes decide a favor do betão, menosprezando o cidadão.

Júlia Rodrigues

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Redação