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“O SCM atravessa a melhor década da sua vida”

“O SCM atravessa a melhor década da sua vida”
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  • 13 de Maio de 2008, 11:04

Jornal Nordeste (JN) – Que argumentos tem apresentado aos sócios para ser reconduzido na presidência do SCM?
Virgílio Gomes (VG) – O nosso grande argumento tem sido sempre o trabalho e a dedicação para repor o SCM no quadro de honra do futebol nacional.
Recordo que os anos 90 foram os mais negros da história do clube e pouco depois de eu tomar posse, em Dezembro de 2000, o Tribunal de Trabalho bloqueou logo todas as receitas do Sport Clube (bilheteira e subsídios) para resolver o caso Ramadas, como todos se lembram.
Conseguimos resolver esse problema e levar o clube à III Divisão Nacional. Na altura a equipa jogava num velho pelado e o Estádio de S. Sebastião estava num estado de degradação total. Fizemos obras, relvamos o campo, melhoramos os balneários, rouparias, casas de banho públicas e ainda construímos a bancada do peão. Foi com grande dificuldade e o apoio da Câmara Municipal de Mirandela, mas são obras que engrandecem o património do Sport Clube.
JN – Há pouco o Sindicato dos Jogadores Profissionais denunciou vários casos de salários em atraso. No Sport Clube as contas estão em dia?
VG – Posso garantir aos sócios que no dia 8 de Maio de 2008 o clube pagou os salários de Abril aos atletas e funcionários, bem como os respectivos descontos para a Segurança Social. O clube tem as dificuldades normais de início de fim de época, mas quando acaba o campeonato conseguimos pôr tudo a zero novamente, porque temos as contas correntes a funcionar como em qualquer empresa.
Nunca entrámos em contratações loucas e esta também é uma das razões da nossa estabilidade. Temos a equipa que podemos ter, porque nunca tivemos um orçamento a condizer com as ambições que eu tenho para este clube.

JN – A nível de resultados, o SCM continua a disputar a subida à II Divisão, apesar da derrota com o GDB no passado domingo…
VG – Em 82 anos, o SCM atravessa a melhor década da sua vida. Estamos na III Divisão há várias épocas e disputamos a subida de divisão, coisa que só aconteceu na década de 80, em que o SCM subiu à II Divisão, mas desceu logo no ano seguinte.
O clube está a atravessar uma época fantástica, em que conseguimos movimentar 1.000-1.500 pessoas para ver um jogo do Estádio de S. Sebastião. Temos das melhores assistências da III Divisão e temos muito orgulho na moldura humana que se forma no nosso estádio e das pessoas que vão apoiar a equipa nos jogos em Bragança ou Macedo, por exemplo.

“Temos a equipa que podemos ter, porque nunca tivemos um orçamento a condizer com as ambições que eu tenho para este clube”

Temos a Juventude Alvi-Negra que se calhar é a única claque minimamente organizada em Trás-os-Montes e Alto Douro. É um grupo de 50-70 pessoas que se juntam e conseguem contaminar o resto das bancadas com o seu dinamismo.

JN – Ou seja, faz um balanço positivo dos resultados obtidos ao longo destes anos.
VG – Nos seniores, acho que, neste momento, tudo é possível para qualquer uma das 6 equipas que disputam o apuramento. Nas camadas jovens temos vários títulos e um grande dinamismo, fruto do empenho dos dirigentes destas categorias. As dificuldades são muitas porque temos 90 por cento das equipas a treinar na zona verde de Mirandela, dada a inexistência de um campo de treinos. Não treinam com balizas de futebol e isto tem que ser dito! Os jogos são no Cachão ou na Torre D. Chama, como aconteceu há 15 dias com o Bragança, o que desmotiva os jogadores e os seus pais.

JN – Este problema só se resolve com a construção do Complexo Desportivo, ou não?
VG – Sim, de facto é a peça que nos falta e será a nossa prioridade. Fica em frente à Escola de Hotelaria e Turismo, em Carvalhais, e será um equipamento virado para toda a comunidade desportiva e escolar.
Recordo que é em Carvalhais que vai nascer o futuro pólo escolar de Mirandela e é ali que estarão as crianças e jovens que vão garantir o futuro do clube.
O Complexo Desportivo vai ter um campo relvado com três bancadas, um campo sintético para treinos e camadas jovens, balneários e 3.700 metros quadrados para os serviços administrativos do clube.
Ao todo vai custar 4,5 milhões de euros, que em parte serão suportados por verbas do clube, caso os sócios aprovem, em Assembleia Geral, a venda do terreno do Estádio de S. Sebastião ao grupo E.Leclerc. A venda pode gerar 1,5 milhões de euros, a juntar aos 500 mil euros do terreno doado por Jorge Morais. O restante terá que ser suportado pela Câmara Municipal de Mirandela e outros programas de financiamento.

JN – Mas a doação do terreno por parte do empresário Jorge Morais é polémica…
VG – Essa questão do terreno está mal explicada ou as pessoas não querem ver a verdade das coisas. O empresário Jorge Morais disse apenas que a doação do terreno se devia à grande amizade e persistência do presidente do SCM. E disse, também, que só doou o terreno porque esta direcção do SCM lhe oferecia toda a confiança. Que fique claro: o terreno será doado ao SCM e não ao Virgílio Gomes, apesar da nossa relação de amizade ter pesado, e muito, na decisão do Jorge Morais.
Eu recordo que isto só é possível porque, há 6 meses atrás, o empresário Jorge Morais comprou a Quinta da Raposa, o local onde fica o terreno que será doado ao SCM. E tenho a certeza que ele não comprou a quinta para assegurar a reeleição do Virgílio Gomes…

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