Lugar nenhum
A decisão da cota 170 só agora foi conhecida, mas já era certo que a barragem inundaria alguns quilómetros de linha férrea, independentemente do nível das águas da albufeira. Ou seja, pelo menos alguns quilómetros a montante da estação do Tua ficariam submersos para dar lugar ao paredão, turbinas e acessos da barragem.
Sabe-se, agora, que a machadada cairá em 16 quilómetros de carris, mas ninguém esperaria da EDP a construção de um empreendimento para ficar aquém da capacidade máxima de produção.
Alguns autarcas acreditam seriamente na generosidade da empresa para encontrar alternativas ao transporte ferroviário. A maioria, no entanto, deve saber que o encerramento das linhas do Sabor, Tua (Mirandela-Bragança), Douro (Pocinho-Barca d´Alva) e Corgo (Vila Real-Chaves) fez-se à custa de contrapartidas rodoviárias que levaram anos a sair do papel. Mas, se a EDP recuperar as Termas de S. Lourenço (Carrazeda de Ansiães), investir em cruzeiros ambientais no rio Tua e assegurar a manutenção do que restará da linha ferroviária, aí sim, vale a pena dizer sim à barragem.

