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Cão a Cão

Cão a Cão
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  • 27 de Maio de 2008, 09:32

Quem gosta de cães não pode ficar alegre. Quem gosta de pessoas fica forçosamente triste. Porque esta situação não beneficia uns nem outros. Nem abona a favor dos humanos a quem caberia pôr cobro a estes desmandos.
Ao longo dos últimos anos, a sensibilidade da Câmara Municipal de Bragança nestas questões caninas não tem sido abundante, como se pode comprovar pelas instalações indescritíveis do canil municipal. Porém, o executivo camarário tem feito alguns progressos no apoio a um organismo francamente meritório, instalado na cidade de Bragança já há alguns anos e que dá pelo nome de Associação Brigantina de Protecção aos Animais.
A A.B.P.A., entidade sem fins lucrativos, nasceu há exactamente oito anos, com um grupo de pessoas que, sob a forma de voluntariado, se têm dedicado ao tratamento e acompanhamento de animais abandonados na cidade de Bragança. Com sede na avenida Sá Carneiro, esta associação, presidida por Maria de Lurdes Sousa, responsabiliza-se por grande parte dos cães que são recolhidos pelos serviços da Câmara Municipal.
E o que faz a A.B.P.A. concretamente?
Para começar, faz o que pode – o que já não é pouco. Depois, abriga, acarinha e trata (com consultas ao veterinário custeadas pela própria Associação) os cães vadios, errantes e abandonados que lhes chegam às mãos. E isso passa por situações tão distintas como recolher cães atropelados ou vítimas de maus-tratos. “Há cães que recolhemos e que têm um medo horrível das pessoas…”. De seguida, e apesar dos poucos apoios financeiros, a A.B.P.A. tem o projecto de criar o seu próprio Canil – num terreno cedido pela Câmara Municipal de Bragança, junto ao antigo Aterro Sanitário – e a prestação de um serviço domiciliário a animais de companhia durante períodos de ausência dos respectivos donos. Esse canil-hotel, já projectado, necessita, naturalmente, de apoio financeiro para a sua construção. Por isso, a A.B.P.A. precisa da ajuda de todos aqueles que, sendo sócios ou não, possam manifestar alguma generosidade na contribuição com donativos em dinheiro ou material de construção.
Apesar dos seus muitos esforços, associações como a A.B.P.A. são frequentemente objecto de desconfiança e indignação por parte de pessoas que as acusam de “desperdiçar energia com cães e periquitos enquanto tanta gente humana necessita de cuidados que nunca lhe chegam”. Mas essa é uma falsa questão e um problema desvirtuado, porque a protecção dada a um cão não significa proporcional desprezo pela vida humana. Não é isso que está em causa. Esse é um argumento utilizado por aqueles que tentam branquear a sua má consciência perante o argumento de falta de tempo para ajudar o seu próximo e semelhante.
Todas as associações de protecção dos animais convergem no sentido do respeito pela vida e esse é um valor que não deve ser questionado.
Paralelamente, não se ignore a atitude inconsciente ou despreocupada de muitos proprietários de cães relativamente à educação e tratamento dados aos seus animais. E não se desvalorize o papel das autarquias em relação à recolha de cães vadios, ao controlo dos canídeos “sem trela” e à instalação de canis municipais que apresentem condições de sanidade e bem-estar.
A Associação Brigantina de Protecção aos Animais tem convicções, esforço, empenho e obra. Por isso merece ser apoiada.
Há anos que o município de Bragança tem um Matadouro de muito duvidosa utilidade. É tempo já de pensar também nos vivos…

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Redação