Miranda do Douro: 463 anos de cidade
Desde sempre que o antigo bastião militar, de características medievais e quinhentistas, despertou a curiosidade e cobiça por parte dos vizinhos espanhóis. A prová-lo está a guerra do Mirandum, onde os confrontos entre o exército de Castela e a resistência do povo mirandês levaram à destruição da praça-forte da cidade, em 1762.
Já com o estatuto de cidade, Miranda do Douro transformou-se em sede de diocese sendo construída a Sé Catedral e Paço Episcopal. Miranda foi o centro da diocese até à altura em que o cabido é transferido para Bragança.
A partir deste período, Miranda o Douro cai numa depressão económica e social que só começou a ser atenuada na década de 50 do século passado, altura em que foram construídas as centrais hidroeléctricas de Miranda do Douro e Picote.
A atracção de turistas a Miranda do Douro é a principal aposta da autarquia local
No entanto, se foram os espanhóis que destruíram Miranda do Douro, também foram eles que deram novo folgo à cidade. Já que na década de 80, com a abertura da fronteira, Miranda do Douro transformou-se num importante pólo comercial com a vizinha Espanha.
Perante este cenário, a autarquia tem apostado na melhoria das condições de vida das pessoas, nomeadamente na zona histórica, que é uma das mais bem conservadas do País.
Segundo o presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, Manuel Rodrigo, as apostas passam pela promoção turística e cultural do concelho.
“Estamos a insistir com o Ministério da Cultura para se efectuarem uma série de escavações arqueológicas na área envolvente à Sé Catedral e no que resta do antigo Castelo, de forma a compreendermos melhor a história da cidade e torná-la mais atractiva”, afirmou Manuel Rodrigo.
O objectivo é pôr a descoberto todos os artefactos resultantes das lutas e do dia a dia das pessoas, para avançar com a construção um Centro de Interpretação Histórico e Social da cidade. Até ao próximo sábado, há uma série de actividades culturais na cidade, desde as actuações dos famosos pauliteiros e outros elementos do folclore local. A língua mirandesa também é um atractivo, numa cidade que tem uma entidade cultural muito própria.

