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Culpados?

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  • 4 de Novembro de 2008, 09:48

Quinzenalmente, a linha era vistoriada, a pé, por técnicos da REFER, empresa que até já tinha anunciado um investimento de 8 milhões de euros (!) na consolidação da via.
Mas, após uma série de 4 acidentes que causaram outras tantas vítimas mortais, sabe-se que, afinal, a linha do Tua padece de defeitos grosseiros, alguns deles passíveis de originar descarrilamentos.
Algo não bate certo. Pelo teor dos relatórios dos acidentes de 6 de Junho e 22 de Agosto de 2008 há duas leituras a fazer: algo falhou na manutenção efectuada pela EMEF e as inspecções que a REFER efectuava a pé, afinal, não passavam duma forma pobre de colmatar a ausência de um sistema de detecção de queda de pedras na via. Sistema esse que foi recomendado, em Novembro de 2000, no Relatório Geotécnico da Linha do Tua, elaborado por três técnicos do departamento de Conservação – Via e Geotecnia da REFER.
Mas, como era de Geotecnia que se tratava, o documento apontou taludes perigosos, mas passou ao lado das travessas com mais de 40 anos (que clamam por substituição há 2 décadas) e dos “defeitos grosseiros e facilmente identificáveis, suficientes para justificar a ocorrência do descarrilamento”.
E que dizer do trabalho da EMEF, se o relatório assinalou “problemas nas rodas, falta de lubrificação e pouco amortecimento” na automotora?
Conhecidas algumas das possíveis causas, é hora de apurar responsabilidades, já que o trabalho da equipa da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto não deixa dúvidas: “os valores elevados de empeno da via dão lugar, fundamentalmente, a um movimento de balanço dos veículos que, quando combinados com irregularidades do alinhamento da via e anomalias na suspensão dos veículos, são a causa mais frequente de descarrilamento, especialmente a baixas velocidades”.
Foi preciso assistir a 4 acidentes para chamar a atenção do País para a degradação da Linha do Tua. Agora, é preciso agir e conformidade e apontar o dedo aos culpados.

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Redação