Construções em xisto estão na moda
Estas obras ficam, no entanto, mais caras do que as construções em betão, porque, segundo o técnico da associação Palombar, Nuno Martins, “há falta de mão-de-obra especializada”.
A Palombar organizou, durante o passado fim-de-semana, um workshop dedicado às construções em xisto, que decorreu na aldeia de Atenor, no concelho de Miranda do Douro.
O responsável da associação diz que “há poucas pessoas que saibam trabalhar a pedra”, daí a importância da formação nesta área.
A Palombar foi criada em 2001 e depois da recuperação de pombais, dedica-se agora à construção de muros em xisto.
Nuno Martins conta que este é o segundo workshop de construção em pedra. “O primeiro foi um sucesso e por isso decidiu-se avançar com o segundo”, acrescenta.
O técnico da Palombar diz ainda que a finalidade “foi dar continuidade ao trabalho iniciado há um ano e embelezar o espaço que tem vindo a dinamizar o Centro de Valorização do Burro de Miranda”.
Trabalho árduo
Este é um trabalho difícil e moroso, uma vez que “é preciso escolher a melhor face da pedra e a posição em que ela vai ficar”, para além do esforço físico.
Artur Foguete, que trabalhou ao longo da sua vida na Agricultura e na construção civil, explicou a técnica aos formandos.
A tarefa mais difícil, é segundo o formador, “escolher a pedra certa, parti-la e picá-la quando é necessário”.
No workshop participaram portugueses, mas a maior parte dos formandos eram estrangeiros. Nuno Martins diz que a maior adesão de estrangeiros tem uma explicação. “Os portugueses ainda não estão mentalizados para a importância das técnicas antigas. Nota-se de forma geral em todas as iniciativas que temos organizado de conservação do património, que há mais interesse por parte dos espanhóis e dos franceses”, sublinhou Nuno Martins.
Vanesa Solano veio de Espanha para o workshop e diz que principal a razão foi o gosto pelas “técnicas tradicionais para a recuperação do património”. A engenheira civil acrescenta que a formação é fundamental. “É preferível construir em pedra, pois os outros materiais são prejudiciais para o meio ambiente”, concluiu a formanda.
Jean Batiste veio de França e diz que veio a Atenor para “aprender técnicas de restauração e de reabilitação”. Arquitecto de profissão, o formando diz que esta foi uma “oportunidade de ficar a conhecer o património local”.
