Aluno da Escola Secundária Emídio Garcia representa Portugal na Olimpíada Internacional de Química
O talento de Diogo Pires, aluno de 12.º da Escola Secundária Emídio Garcia, em Bragança, vai levar o nome de Portugal à maior competição mundial de Química. Depois de um percurso de excelência nas Olimpíadas Nacionais e da participação nas Olimpíadas Ibero-Americanas, o jovem foi selecionado para integrar a delegação nacional que participará na 58.ª Olimpíada Internacional de Química (IChO), que decorre entre 10 e 19 de julho, em Tashkent, no Uzbequistão.
A seleção surge na sequência dos resultados alcançados nas Olimpíadas Nacionais de Química do 11.º ano e da preparação desenvolvida na Universidade de Aveiro, onde reúne um grupo restrito dos melhores estudantes portugueses da área.
A notícia foi recebida com surpresa e entusiasmo. “Fiquei muito feliz. Apanharam-me assim um bocado de surpresa. Foi uma euforia”, contou o estudante.
Curiosamente, Diogo Pires nunca imaginou que a participação nas Olimpíadas o pudesse levar tão longe. Tudo começou no 10.º ano, quando a professora de Química lançou o desafio aos alunos com melhores classificações. “Fui um bocado sem saber ao que ia. Nunca estava à espera que isto desse neste resultado”, admitiu.
E representar Portugal numa competição que reúne os melhores jovens químicos do mundo é motivo de enorme orgulho. “Sinto-me muito orgulhoso por poder representar Portugal desta forma”, rematou ainda.
E para o diretor do Agrupamento de Escolas Emídio Garcia, Carlos Fernandes, a conquista do aluno representa um motivo de enorme orgulho para toda a comunidade educativa. “O agrupamento orgulha-se de todos os seus alunos, mas quando conseguem feitos deste nível ficamos naturalmente muito orgulhosos. Este resultado reflete, em primeiro lugar, o esforço do Diogo, mas também o trabalho dos professores que o acompanharam”, esclareceu, vincando que o aluno é “muito dedicado e verdadeiramente apaixonado por estas questões da Química”.
Antes da participação na competição mundial, Diogo representou Portugal nas Olimpíadas Ibero-Americanas de Química, realizadas na Cidade do México, experiência que considera fundamental para enfrentar agora um desafio ainda mais exigente. “Ficamos a perceber melhor como funciona uma olimpíada internacional e ganhamos experiência na gestão da competição e do tempo. Claro que a Internacional é muito mais difícil, mas essa experiência ajuda bastante”, esclareceu.
A preparação para integrar a seleção nacional passou por várias fases, desde as competições distritais às nacionais, culminando com sessões de formação promovidas pela Universidade de Aveiro, onde os alunos têm contacto com conteúdos de nível universitário e realizam provas de seleção que determinam quem representará Portugal.
Paixão começou ainda em criança
A paixão pela Química acompanha Diogo Pires desde criança, sendo que começou a demonstrar curiosidade pelas experiências e pelas reações entre substâncias aos oito anos. “Sempre gostei de ver coisas a mudar de cor. Os meus pais até me compraram kits de laboratório e esse interesse foi crescendo”, lembrou.
Foi, no entanto, no ensino secundário que essa curiosidade se transformou numa verdadeira paixão. “Quando cheguei ao 10.º ano comecei a gostar muito mais de Química, também graças à minha professora. Depois, as Olimpíadas fizeram-me descobrir ainda mais coisas e despertaram ainda mais o meu interesse”, referiu.
Como tudo na vida, ao longo do percurso, segundo esclareceu, houve momentos de maior dificuldade e até alguma desmotivação, mas nunca pensou em desistir. “Há alturas em que pensamos que isto não é para nós, que é muito complicado, mas depois damos a volta e conseguimos ultrapassar essas dificuldades”, admitiu.
Apesar de ainda não ter decidido o curso superior que pretende seguir, Diogo Pires garante que o futuro passará inevitavelmente pela ciência. “Ainda estou um bocado indeciso, mas será certamente numa área ligada à Química. Também gosto muito de Ciências Farmacêuticas”, contou, destacando que no futuro se imagina a trabalhar num laboratório ou na área da investigação.
Aos colegas que veem a Química como uma disciplina difícil deixa um conselho simples, não desistir. “É preciso aceitar o desafio e tentar encontrar alguma coisa que nos desperte interesse. Depois é desafiarmo-nos a superar essas dificuldades”, terminou.

