Da fronteira que separava à fronteira que une
Opinião

Da fronteira que separava à fronteira que une

  • 3 de Julho de 2026, 10:29

Chegamos ao último dia de junho e também ao fim do primeiro semestre de 2026. Foram seis meses cheios de acontecimentos, de alegrias e de tristezas, mas sempre com a certeza de que a vida continua a ser o nosso maior bem.

Ontem, dia 29, terminou o ciclo dos Santos Populares com a festa de São Pedro. Em muitas terras, a festa foi antecipada para segunda-feira porque o dia 29 caiu numa terça-feira. São os usos e costumes das nossas comunidades, que preferem festejar em dia de maior convívio e alegria.

Foi o caso de Vilar d’Ouro, em Mirandela, onde o tio Jaime Lisboa é já uma verdadeira referência. Contou-nos no programa que há cerca de 80 anos que é ele quem faz a cabana em honra de São Pedro. Uma tradição que mantém viva com muito gosto e dedicação, para que nunca se perca aquilo que enche as nossas aldeias de fé, de música e de amizade.

Mas os últimos dias trouxeram também uma notícia muito especial, vinda da nossa raia, dessa terra onde Portugal e Espanha se encontram e partilham mais do que uma fronteira.

As localidades de Calabor, em Espanha, e Portelo, na freguesia de França, voltaram a dar as mãos para celebrar a I Festa de Convivência da Fronteira, recuperando uma antiga tradição da Pascoela.

Durante muitos anos, a fronteira foi vista como uma linha que dividia dois países. Havia alfândegas, guardas, documentos e regras que dificultavam a vida de quem morava de um lado e tinha família, amigos ou negócios do outro. Mas, apesar dessas dificuldades, nunca existiu uma fronteira no coração das pessoas. Portugueses e espanhóis sempre viveram como bons vizinhos, ajudando-se, partilhando trabalhos, festas, alegrias e dores.

Foi esse espírito que voltou a sentir-se nesta festa. Junto à antiga alfândega, reuniram-se autoridades, populações e visitantes dos dois países para um dia de verdadeira amizade. Houve receção às entidades oficiais, Missa Campal, almoço de confraternização, música tradicional, animação popular e atividades para os mais pequenos. Mas o mais importante foram os abraços, as conversas, os reencontros e o orgulho de manter viva uma amizade com muitos séculos.

Esta iniciativa mostra que as fronteiras existem nos mapas, mas os corações das pessoas não têm barreiras. Aquilo que durante décadas foi símbolo de separação transformou-se agora num espaço de encontro e de partilha. Onde antes havia fiscalização, hoje há convivência. Onde antes existiam cancelas e desconfianças, hoje existem abraços e vontade de construir um futuro em conjunto.

Num tempo em que tantas notícias falam de guerras, divisões e intolerâncias, este exemplo da nossa raia tem um valor ainda maior. Mostra que é possível preservar a identidade de cada povo sem deixar de estender a mão ao vizinho. Mostra que duas nações podem partilhar cultura, tradições, costumes e sonhos, enriquecendo-se mutuamente.

A raia sempre foi muito mais do que uma linha no mapa. É um território de histórias comuns, de famílias ligadas por laços de sangue, de costumes semelhantes e de uma hospitalidade que atravessa gerações. Recuperar esta tradição é também homenagear os nossos antepassados e deixar às novas gerações um exemplo de convivência, solidariedade e paz.

Terminamos assim a última Página do Tio João deste mês de junho com a certeza de que vale sempre a pena aproximar pessoas. Seja através da rádio, de um abraço, de uma visita ou de uma festa como esta, o importante é nunca deixar morrer os laços que nos unem. Porque, no fim de contas, aquilo que fica na memória não são as fronteiras que um dia nos separaram, mas sim as pontes que tivemos a coragem de construir.

No dia 28 de junho, celebrei 58 anos rodeado de carinho. Os melhores ouvintes do mundo encheram-me de miminhos e fizeram do meu aniversário um dia inesquecível. A todos, o meu abraço apertado e sincero agradecimento. Com vocês, cada ano vivido sabe a bênção. Obrigado, família!


Na última semana também festejámos o aniversário de: Elias Cordeiro(96) Valpaços(Vinhais); Luciano Pires (86) Freixedelo (Bragança); Aduzindo Costa (78) Argemil da Raia (Chaves); Graça Sarmento (78) Rebordelo (Vinhais); Francisco Alves (62) Santulhão (Vimioso); Maria José (62) Ousilhão (Vinhais); Fátima Correia (58) Bragança; Anabela Fernandes (55) Bragança; Ana Teixeira (52) Parada; João Francisco (51) Morais (Macedo de Cavaleiros); Alexandre Alves (50) Lampaça (Valpaços); Anabela Silva (45) Bragança; Carlos Pássaro (44) Grijó (Bragança); Eliane Martins (15) Edrosa (Vinhais); Martim Silva Pinto (15) Vinhais.Desejamos a todos muita saúde e paz.

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Redação