PCP defende regresso da gestão ferroviária à CP e insiste na ligação Porto-Bragança
O Partido Comunista Português defende que a gestão da ferrovia deve permanecer na esfera pública, e voltar para a responsabilidade da CP – Comboios de Portugal. A posição foi reafirmada, sábado, em Mirandela, pelo deputado comunista, Alfredo Maia, durante uma sessão pública dedicada ao futuro da ferrovia na região.
“O que nós defendemos é que a ferrovia é um instrumento de tal importância que deve estar nas mãos, exclusivamente, do Estado, e por isso deve ser um investimento público e deve ser uma operação pública e uma gestão pública. Está demonstrado por toda a Europa, inclusivamente ao nível da sinistralidade ferroviária, que o negócio privado não serve o interesse público, não serve as populações, e por isso ele tem de estar sob o comando do Estado. Não temos a menor dúvida e por isso insistimos muito nesta ideia de uma CP exclusivamente pública”, frisou.
Questionado sobre o eventual impacto dos interesses associados às barragens do Tua no avanço de soluções ferroviárias para a região, Alfredo Maia considerou que o conflito entre interesses privados e interesse público ajuda a explicar os bloqueios existentes.
“Quando os interesses privados colidem com o interesse público é muito difícil tomar uma decisão a favor do interesse público. Mais uma razão para reverter tudo isto e para que seja o Estado, através de uma empresa pública chamada CP, a gerir tudo isto”, defendeu.
Além da defesa da gestão pública do setor, o partido aproveitou a ocasião para voltar a reivindicar a ligação ferroviária Porto-Bragança e a reativação das linhas do Tua e do Sabor.
“Além de uma homenagem que é devida ao povo desta região que se bateu, continua a bater pelas ligações ferroviárias que são indispensáveis, reafirmamos aqui o propósito do PCP de continuar a defender essas ligações. Desde logo a ligação Porto-Bragança, mas também a reativação das linhas do TUA e do SABOR, que injustamente foram encerradas, penalizando as populações e até a economia regional”, afirmou Alfredo Maia.
O deputado sublinhou que a valorização da ferrovia continua a ser uma prioridade para o PCP, lembrando as várias propostas apresentadas pelo partido ao longo dos anos na Assembleia da República. Para os comunistas, o transporte ferroviário desempenha um papel fundamental na coesão territorial e no acesso das populações aos serviços.
“Valorizamos muito a ferrovia, que é um instrumento fundamental de desenvolvimento de serviços às populações, em termos do seu direito à mobilidade, e no plano regional continuamos a valorizar muito, tanto em termos da intervenção do PCP na Assembleia da República, como dos eleitos da CDU nas assembleias municipais”, referiu, acrescentando que existem 16 propostas a 16 “em termos de orçamento do Estado” feitas e que estão relacionadas com a ferrovia.
Durante a sessão, Alfredo Maia foi também questionado sobre o Plano de Mobilidade do Tua, cuja implementação continua sem avanços conhecidos. O parlamentar garantiu que o PCP vai manter a pressão sobre o Governo para esclarecer o estado do processo e exigir a sua concretização. “Continuaremos a exigir que o plano de mobilidade do TUA seja de facto implementado, que não tenha servido para mero folclore eleitoral, mas que de facto sirva às populações”, declarou.
O deputado admitiu não ter conhecimento de qualquer desenvolvimento recente relacionado com o plano, nomeadamente no que respeita a estudos ou procedimentos em curso, considerando que essa ausência de informação reforça a necessidade de insistir junto do Executivo.
“Mais uma razão para insistirmos perguntando ao Governo qual é o ponto de situação deste plano. E esse compromisso eu posso assumi-lo em nome do meu partido. Sim, vamos perguntar o que é que está a ser feito, porque se não está a ser feito ou se está atrasado, porquê é que não está a ser feito, porquê é que está a ser atrasado. E vamos exigir que sejam tomadas as medidas adequadas”, afirmou.
Apesar das sucessivas perguntas apresentadas pelo PCP na Assembleia da República, Alfredo Maia reconheceu que não têm surgido respostas concretas por parte do Governo. Ainda assim, considera importante manter o tema na agenda política.
“Mesmo que aparentemente não produza efeito nenhum, a pergunta ela tem um efeito. Quanto mais não seja de sinalizar que há alguém que luta pelas populações”, sustentou.
A primeira sessão pública decorreu na Estação das Artes, em Mirandela. Durante a tarde, o PCP promoveu uma segunda iniciativa na estação ferroviária do Pocinho, reforçando a defesa da ferrovia como fator de desenvolvimento para o Nordeste Transmontano.