Associação de Atletismo de Bragança: Lista A conseguiu 8 votos, Lista B vai impugnar ato eleitoral
As eleições para os órgãos sociais da Associação de Atletismo de Bragança ficaram marcadas por um clima de forte tensão, acusações mútuas, intervenção policial e ameaças de impugnação judicial, num processo considerado inédito na história da instituição. Pela primeira vez, duas listas apresentaram candidatura à liderança da associação, mas o ato eleitoral acabou por decorrer apenas com a Lista A nos boletins de voto, após a exclusão da candidatura da Lista B, liderada por Olímpia Santos.
A votação realizou-se no Pavilhão Municipal Arnaldo Pereira, em Bragança, hoje, e terminou com a vitória da Lista A, liderada por Rodolfo Cidré Moreno, presidente da associação há nove anos, ou seja, três mandatos.
Segundo explicou o mandatário da Lista A, José Augusto Cidré Moreno, participaram no ato eleitoral 15 dos 17 clubes inscritos. A Lista A obteve oito votos, tendo ainda sido contabilizados cinco votos nulos e dois votos brancos.
Exclusão da Lista B esteve no centro da polémica
Toda a controvérsia teve origem na exclusão da Lista B, decidida pelo presidente da Mesa da Assembleia Geral da associação, António Calçada, após um pedido de impugnação apresentado pelo mandatário da Lista A.
Em causa esteve a composição do Conselho de Arbitragem apresentado pela candidatura de Olímpia Santos. A Lista A alegou que os três elementos indicados não cumpriam os requisitos previstos nos estatutos da associação e nos regulamentos da Federação Portuguesa de Atletismo, por não serem juízes em efetividade de funções.
Na entrevista concedida após o ato eleitoral, José Augusto Cidré Moreno defendeu que a exclusão da Lista B teve fundamento legal e garantiu que a candidatura adversária teve oportunidade para corrigir a situação. “Podiam ter revertido essa situação e ter feito um novo Conselho de Arbitragem se tivessem solicitado ao presidente da Assembleia Geral essa formalidade”, afirmou.
Do lado oposto, a candidata da Lista B, defendeu que a composição do Conselho de Arbitragem não violava os estatutos, sustentando que os elementos indicados são juízes de atletismo, ainda que não estejam em atividade. “Não é obrigatório estarem no ativo, basta que sejam juízes”, afirmou.
Olímpia Santos fala em “processo surreal”
Olímpia Santos considera que o processo eleitoral foi conduzido de forma irregular e parcial. A candidata classificou toda a situação como “surreal” e acusou os responsáveis do processo de criarem regras “para eles próprios”.
Segundo afirmou, o mandatário da Lista B foi impedido de permanecer no local da votação, situação que levou a chamar a PSP ao local. “A polícia foi chamada para tomar conta da ocorrência e dos procedimentos que não estão a ser cumpridos”, declarou.
A responsável garantiu também que a Lista B irá recorrer aos tribunais para tentar anular o ato eleitoral. “Vamos agir judicialmente. Este ato vai perder a validade a partir do momento em que nós o impugnarmos”, declarou.

Federação Portuguesa de Atletismo criticou o processo
A polémica ganhou ainda maior dimensão com a intervenção pública, antes do ato eleitoral, da Federação Portuguesa de Atletismo, através do presidente da Mesa da Assembleia Geral federativa.
Num ofício enviado à Associação de Atletismo de Bragança, o dirigente considerou que o processo eleitoral apresentava “contornos, no mínimo, pouco edificantes” e alertou para o risco de serem cometidas irregularidades capazes de “manchar a imagem do atletismo ao nível distrital”.
Entre as críticas apontadas estiveram o curto prazo de apenas quatro dias para apresentação de candidaturas, alegadas irregularidades no caderno eleitoral e, sobretudo, a exclusão da Lista B sem que tivesse sido concedido prazo para suprir eventuais falhas formais, conforme previsto no regulamento eleitoral.
Questionado sobre estas notas da federação, José Augusto Cidré Moreno relativizou o alcance do documento, considerando tratar-se apenas de uma posição do presidente da Mesa da Assembleia Geral e não de uma deliberação formal dos órgãos federativos. “Não é uma indicação da federação. É apenas a expressão do presidente da Mesa da Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Atletismo”, afirmou, esclarecendo ainda que lhe será enviado um “pesar” por causa desse mesmo documento.
O mandatário da Lista A contestou igualmente as críticas relacionadas com o caderno eleitoral e a participação de clubes recentemente inscritos na federação.
Segundo explicou, a associação regional possui autonomia para validar os seus clubes e não concorda com alguns dos procedimentos atualmente exigidos pela federação.
Processo pode seguir para tribunal
Com a Lista B a prometer avançar judicialmente, o processo eleitoral da Associação de Atletismo de Bragança está longe de ficar encerrado.
José Augusto Cidré Moreno afirmou não estar preocupado com uma eventual impugnação e garantiu confiar na justiça. “Os tribunais foram feitos para as pessoas. Eu acredito na justiça”, afirmou.
Já Olímpia Santos insiste que o ato eleitoral “não devia sequer ter acontecido” nas condições em que decorreu e considera que a situação representa um momento negativo para o atletismo distrital.
A eventual decisão dos tribunais poderá agora determinar se o ato eleitoral será validado ou se a associação terá de voltar às urnas, desta vez com ambas as listas admitidas a sufrágio.
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