Duas gerações que se aproximam
O “Bike Solidária”, projeto cultural da Escola Miguel Torga, continua a construir pontes entre gerações na Fundação Betânia, em Bragança. O projeto alia a consciência ambiental, com as deslocações feitas de bicicleta entre a escola e a IPSS, a um propósito maior: aproximar crianças e idosos.
Os mais novos destacam que a experiência ganha um valor que vai além do imediato. Diogo Lucas reconheceu que estar ali “é mais divertido do que estar no telemóvel”, enquanto Gonçalo Afonso sublinhou a importância de ouvir quem viveu outras épocas. “Aprendemos como eram várias coisas antigamente e isso ajuda-nos a perceber melhor o presente”, referiu. Para Gonçalo Venâncio, há ainda um lado emocional que marca a diferença. “É como se fossem nossos avós”, destacou.
Para os utentes, estes momentos são mais do que uma atividade, são dias que ganham outra luz. “É agradável. Conhecemos gente mais nova, é uma distração para todos”, contou Maria Afonso, utente da Fundação Betânia. Também Ovídio João falou da importância desta ligação, salientando que esta “junção” é “muito importante” para todos. “Eles gostam de vir e nós gostamos de os receber”, reforçou. A mesma ideia é partilhada por Noémia Pereira, que resume a essência do encontro em simples palavras. “Eles divertem-se e nós também”, descreve sobre as visitas dos mais novos à IPSS.
Segundo Paula Pimentel, diretora de serviços da Fundação Betânia, o impacto vai muito além das visitas pontuais. “Queremos aproximar estas duas faixas etárias, que eu acho que é fundamental, e temos conseguido. Nós temos inclusive meninos que frequentaram o projeto e que, por exemplo, no Natal vêm visitar os mais velhos. Eu acho que isto é o objetivo principal do projeto, aproximar gerações e criar laços fortes de amizade e até de ternura entre estes grupos que são tão distintos, sobretudo em termos de idade”.
Rui Cortinhas, presidente da Associação de Jogos Populares do distrito de Bragança, entidade que, na semana passada se juntou ao encontro, já que era destinado a pôr os mais novos e os mais velhos a jogar jogos tradicionais, reforça a importância de manter viva a ligação entre gerações e, claro, preservar tradições. “Procuramos que os jogos tradicionais não se percam e os mais novos possam jogar. E então desta forma ainda é mais fácil fazê-lo porque a maior parte dos idosos conhece os jogos e consegue também ensiná-los a jogar. Da nossa parte, como associação, temos trabalhado de forma a que os mais novos continuem este legado dos jogos tradicionais que demonstram bem o que é a nossa cultura. São jogos que têm muitas raízes na nossa cultura e demonstram aquilo que nós somos e aquilo que nós fizemos ao longo dos tempos. E se forem passando para os mais novos conseguimos garantir que são preservados”.
Ao chegarem à instituição, os alunos trazem energia, curiosidade e vontade de estar. Em troca, recebem histórias, ensinamentos e uma forma diferente de olhar o mundo.
