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Vozes de esperança na hora de vencer o cancro

Vozes de esperança na hora de vencer o cancro
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  • 15 de Maio de 2013, 10:26

Decorado em tons rosa e branco, o gabinete do Movimento Vencer e Viver da Liga Portuguesa Contra o Cancro, em Bragança, transmite serenidade e esperança aos doentes oncológicos que procuram, sobretudo, uma palavra amiga. Este espaço, que funciona há pouco mais de um mês, foi pensado para mulheres com cancro de mama, mas também há pessoas com outros problemas oncológicos a procurar conforto dentro destas quatro paredes.
“Não negamos apoio a ninguém”, garante Ivone Amado, responsável pelo Movimento Vencer e Viver em Bragança, que também já venceu um cancro de mama.
Actualmente, são oito pessoas que recorrem aos serviços deste gabinete, muitas vezes para encontrarem explicação para a doença. É o caso de Etelvina Ala, que aos 55 anos, luta contra um cancro de mama. “Nunca se está preparado. Pensamos que só acontece aos outros. Mas a gente só dá valor à vida quando nos toca a nós”, desabafa.
Na semana passada, Etelvina vivenciou mais uma etapa incontornável da doença. O gabinete do Movimento Viver e Vencer foi o local escolhido por esta utente para rapar o cabelo. Aqui, a angústia deste momento é superada pela colocação de uma prótese capilar, mais conhecida, por peruca (ver caixa), o mais semelhante possível ao visual que a mulher já tinha.
“A maioria das vezes a doente chega aqui a chorar e sai a sorrir”, garante Ivone Amado.
Esta dura tarefa é feita pela cabeleireira Maria Amélia Barros, também ela voluntária.
“Não colocamos as pessoas em frente ao espelho, mas mesmo assim por vezes correm-lhe as lágrimas. A minha função como cabeleireira é pôr as pessoas com o cabelo bonito. Aqui essa falha é colmatada com as perucas. Mas quando estamos a rapar o cabelo dói-nos também um bocadinho”, confessa.

Apoio alargado

Lídia Alves, de 56 anos, é outra das utentes que frequenta o gabinete do Movimento. É uma pessoa positiva por natureza, mas não esconde a importância de ouvir os testemunhos de quem já passou pelo mesmo. “Eu ainda estou na fase dos tratamentos de quimioterapia e é muito importante poder conversar com alguém que já teve este problema, que está dentro do assunto para nos aconselhar. É verdade que os nossos amigos também nos dão apoio, mas não é a mesma coisa”, garante Lídia Alves.
A abertura deste espaço em Bragança evita idas ao Porto que são dolorosas para quem está fragilizado com os tratamentos. “Aqui sentimo-nos praticamente em casa e o Porto fica longe”, conta esta utente oncológica.
Em Bragança, quatro voluntárias de bata branca que já lutaram contra a doença transmitem esperança a quem descobriu agora que tem um cancro. São acompanhadas pelas batas amarelas, que na retaguarda dão um apoio fundamental ao funcionamento deste espaço.
Paula Lopes, presidente da Junta de Freguesia de Torre D. Chama, é uma das voluntárias que faz questão de transmitir a sua experiência, depois de, há quatro anos, ter feito a campanha eleitoral de lenço na cabeça.
“Praticamente não tive sintomas da quimioterapia e da radioterapia. O meu exemplo foi testemunhado por muita gente e, por isso, acho que o devo partilhar com todas aquelas mulheres que têm esta doença, para que possam tirar daqui um bom exemplo e, um dia mais tarde, também elas possam ser voluntárias do Movimento Vencer e Viver”, enfatiza.
O Movimento está a dar os primeiros passos em Bragança, mas já tem projectos para alargar a sua acção aos concelhos de Mirandela e de Macedo de Cavaleiros.
Para Ercília Cardoso, coordenadora da zona Norte do Movimento Vencer e Viver e doente oncológica há 22 anos, este apoio no interior do País é fundamental. “Não são só as mulheres que vivem nos grandes centros que têm o direito de ser apoiadas. E fico muito feliz por estas mulheres também poderem ter aqui este apoio”, remata Ercília Cardoso.

Caixa
Perucas chegam aos 800 euros

Para já, o gabinete do Movimento Vencer e Viver tem perucas que disponibiliza às mulheres, mas estas podem acabar a curto prazo, tendo em conta o aumento do número de utentes a procurar apoio.
Ivone Amado não esconde que os acessórios não são acessíveis a todas as bolsas. “Não se consegue encontrar uma peruca por menos de 400 euros. Depende também do comprimento do cabelo. Nós aqui estamos a emprestar algumas de 800 euros”, constata a responsável.
Para dar dignidade à mulher depois da mastectomia, são as próprias voluntárias do Movimento que confeccionam uma prótese provisória que oferecem às utentes mal elas saem do hospital. “Tivemos um caso de uma mulher de Macedo de Cavaleiros que andou quase um mês com algodão agarrado à cicatriz metido num soutien normal.
É isto que nós não podemos permitir”, garante Ivone Amado.
Por isso, o Movimento Vencer e Viver está a divulgar o seu trabalho junto dos serviços de Saúde em Bragança.

Apoio psicológico
Superar a doença

Elisabete Raimundo é a psicóloga que dá apoio psico-oncológico em Bragança em regime de voluntariado. Depois de vários anos ao serviço do Hospital de Bragança, mudou de vida, mas é com orgulho que dá conselhos ou uma simples palavra amiga a quem questiona o aparecimento da doença.
Às terças-feiras à tarde, no Centro de Saúde de Santa Maria, Elisabete transmite palavras de esperança aos doentes oncológicos, mas também às suas famílias.
“Quando é diagnosticado um cancro num elemento da família mexe com toda a gente.
Às vezes um doente aceita melhor a doença do que a própria família. Por isso, muitas vezes são os elementos da própria família que precisam mais do apoio psicológico”, conta.
Para já, a psicóloga acompanha oito utentes, mas o número deverá aumentar com o tempo. Por isso, Elisabete Raimundo garante que vai continuar a ajudar os doentes oncológicos a lidarem com a doença. “E eu acho que é um trabalho muito bonito, porque temos tido um feedback positivo de tudo isto”, conclui a psicóloga.

No gabinete do Movimento Vencer e Viver as mulheres encontram mensagens de esperança e acessórios para contornarem os efeitos da doença

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Redação