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As amendoeiras também se varejam

As amendoeiras também se varejam
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  • 16 de Outubro de 2012, 08:42

“Esta actividade é importante para que não se esqueçam estes usos antigos, pois economicamente já não é muito viável”, refere Ana Guerra, técnica da associação, acrescentando que “ainda há muitos produtores da região que mantêm esta apanha tradicional”.
Quanto à produção, “no ano passado apanharam-se nove sacas, mas este ano é muito mesmo porque está a ser fraco para toda a agricultura. Ainda só apanhámos duas sacas”, refere. Depois “vamos tentar vender alguma para manter o nosso projecto”, salienta.
Sérgio Pérez e Cristina Pérez vieram propositadamente de Madrid (Espanha) para participar nesta apanha tradicional de amêndoa. “É muito bom para que estas tradições não se percam no tempo e estamos também a ajudar a associação. Vale a pena”, garante Sérgio Pérez. “É a primeira vez que faço isto e estou encantada. É bom colaborar nesta recuperação de tradições para que elas não se percam, refere Cristina Pérez, que explica: “estou a apanhar para o balde as que caem fora da rede, pois tem de se aproveitar tudo”.

Separar a amêndoa

Além do trabalho de varejar as amendoeiras para que o fruto caia, também é preciso retirar as amêndoas que ficam dentro da casca. “Aqui estamos a separar a amêndoa dos galhos que acabam por cair da árvore e tiramos a casca àquelas que não libertaram bem a casca exterior. Assim já fica pronta para depois se vender”, explica Isabel Sá, da associação ALDEIA. Esta tarefa foi feita pelas mulheres do grupo. “Foi porque calhou. Não têm de ser só as mulheres. Eles continuaram a varejar e nós ficamos neste trabalho”, acrescenta a dirigente.
Para animar os apanhadores, houve também tocadores de gaita de serviço. “Nós estamos cá para ajudar no trabalho, mas já que trouxemos as gaitas damos um bocado de música. Trabalha-se melhor ao som dela”, afirma João Raimundo. “A ideia é ajudar a criar bom ambiente para as pessoas se distraírem enquanto trabalham e ao mesmo tempo se divertem”, conclui Pedro Almeida.
Dentro de poucos meses, a associação ALDEIA volta a reunir-se, mas desta vez para a apanha da azeitona.
No próximo ano, a colectividade conta instalar naquele terreno duas colmeias para se iniciar na produção de mel. “Já as temos, mas estão junto a nossa casa porque como o ano foi seco tivemos de ser nós a alimentar as abelhas”, afirma Ana Guerra.

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Redação