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Burros voltam a ser utilizados na agricultura

Burros voltam a ser utilizados na agricultura
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  • 14 de Setembro de 2012, 08:19

Com a subida do preço dos combustíveis há quem recorra aos animais para lavrar, e até para transportar materiais e pessoas. É o caso do presidente da Junta de Freguesia de Paradela, no concelho de Miranda do Douro. O autarca conta que tem dois burros que voltaram a cultivar os campos. Artur Gomes diz que não há carteira que aguente a subida do gasóleo e revela que há muitos criadores de gado asinino que estão a recorrer, cada vez mais, a estes animais para os trabalhos agrícolas. “O gasóleo está muito caro. Por isso, vamos fazer tudo para conservar estas ‘burricas’, porque assim é mais económico”, sublinhou.
Os tempos mudaram e os burros já não são usados de sol a sol como antigamente. O secretário técnico da Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino, Miguel Nóvoa, conta que hoje a raça asinina está mais direccionada para o Turismo e para a Asinoterapia, que é o uso terapêutico do burro nas crianças com necessidades especiais. “É um animal doce”, acrescenta o responsável.
No entanto, Miguel Nóvoa defende que o “burro Mirandês deve regressar à agricultura”.
Durante a X Feira de Burros – Mostra de Asininos de Miranda, que decorreu na passada quinta-feira, no Santuário de Nossa Senhora do Naso, no concelho de Miranda do Douro, os criadores afirmaram que já recorrem aos burros para fazer trabalhos agrícolas, principalmente nos terrenos onde não entram os tractores.

Raça ameaçada

É o caso de Iria Gomes, a criadora que venceu o concurso para a eleição do melhor exemplar da raça. “Tenho quatro burros, que servem para plantar e arrancar as batatas, lavrar a vinha e para ir aos terrenos”, conta.
Já Domingos Gonçalo, outro criador de raça asinina, confessa que “tem tractores”, mas prefere usar o burro. “ Na batata, no milho e no feijão utilizamos as ‘burricas’, em vez do tractor, pois fica mais económico”, frisou.
O burro mirandês é uma raça que tem a sua continuidade ameaçada. Neste momento, existem, apenas, 650 fêmeas reprodutoras.
A Feira de Burros contou com a participação de 70 criadores, com 55 animais. Todos os participantes receberam um saco de ração e os que viram os seus animais classificados receberam prémios em dinheiro, que oscilaram entre os 25 e os 75 euros.

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Redação