“Os livros escolares são muito caros”
No caso de uma família com dois filhos, um no 7.º e outro no 11.º ano, a despesa só em manuais escolares será de 580 euros, um valor superior ao ordenado mínimo nacional.
O Jornal NORDESTE foi tentar saber quais são as principais dificuldades dos pais na hora de pagar a factura na livraria.
“O que se nota é que muitos pais aproveitam o fim do mês, que é quando recebem os ordenados. São aquelas pessoas que não têm tanto dinheiro”, refere o proprietário da Brigoffice, Jorge Morais.
Pagar às prestações ou com visa são alguns dos pedidos por parte dos pais, que cada vez mais têm uma situação financeira apertada.
“Aquilo que nós vamos facilitando aos clientes habituais é poderem passar cheques pré-datados para lhes facilitar um pouco a vida”, acrescenta o empresário.
Rosa Fernandes tem duas filhas e mesmo com o apoio da Câmara Municipal garante que é muito difícil arranjar dinheiro para esta despesa.
“Estou desempregada e os livros são mesmo muito caros. Só para os livros da minha filha mais velha, que anda no 7.º ano, são 320 euros, fora os cadernos e tudo que vai ainda precisar”, reclama a encarregada de educação.
Os pais reclamam que as escolas deviam adoptar políticas de aproveitamento e reciclagem de livros de uns anos para os outros.
“Eu até tenho sobrinhos que têm os manuais, só que este ano já não dão para a minha filha. Isto não devia ser assim”, salienta Rosa.
O proprietário da Brigoffice conta que alguns pais compram, apenas, alguns livros, pois outros vão sendo cedidos por amigos ou familiares, mas queixa-se das política das “detentoras do monopólio dos manuais escolares”, que “obrigam” as livrarias a vender o bloco pedagógico completo, ou seja, o manual, o caderno de actividades e exercícios e também o E-Manual (CD).
“Há muitos pais que preferem não comprar o CD, porque anda na ordem dos 6/7 euros, e compram só o resto”, remata Jorge Morais.
