Barragem de Foz Tua vai sofrer um ano de atraso
O organismo internacional pediu o abrandamento da obra até à apresentação do relatório, que deverá estar pronto no final do ano, da missão que, no início de agosto, visitou a região para analisar os impactos do empreendimento hidroeléctrico no Douro Vinhateiro Património da Humanidade.
Um grupo de associações opositoras da barragem acusou o Governo e a EDP de “desrespeito” do acordo por alegadamente “as obras não terem abrandado”, além de ter sido aprovado um incentivo à EDP pela electricidade.
Num esclarecimento por escrito à Lusa, a concessionária da barragem refere que “em resposta à orientação da Unesco, a EDP procedeu a uma reprogramação da construção de Foz Tua” e que “este novo plano remete o início de actividade do empreendimento para o terceiro trimestre de 2016”, enquanto “a data inicial apontava para Novembro de 2015”.
A empresa esclarece ainda que “o abrandamento do ritmo de trabalhos, já em curso, implica o adiamento do início de construção do paredão da barragem” e que “a suspensão desta componente central do projecto traduz-se numa diminuição do número de empregos directos”.
“Estão actualmente em obra 335 trabalhadores. Em Junho último, antes da decisão daquela entidade, eram 506. De acordo com o cronograma inicial, o projecto empregaria nesta altura cerca de 800 trabalhadores”, concretizou.
A recalendarização das obras foi apresentada pela ministra Assunção Cristas à missão da UNESCO.
Ambientalistas ao ataque
Apesar das garantias da empresa, o Movimento Cívico pela Linha do Tua (MCLT) acusa o Estado português e a EDP de incumprimento do acordo. “O Governo está-se nas tintas para a UNESCO”, afirma Daniel Conde numa exposição feita àquele organismo.
A posição é subscrita por mais quatro associações opositoras da barragem: GEOTA – Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente, LPN- Liga para a Protecção da Natureza e COAGRET- Coordenadora dos Afetados pelas Grandes Barragens e Transvases.
“As obras não abrandaram. Até há indicação de que há mais máquinas”, afirmou à Lusa Daniel Conde, que disse ainda à Lusa não ter dúvidas de que “ou a barragem pára ou o Douro vai ser desclassificado”.
Aquele activista contesta o argumento de que a barragem “ocupará apenas 0,001 por cento da zona classificado, porque para a UNESCO o que conta é o valor universal do património classificado”.
Os opositores da barragem contestam ainda o novo regime de incentivos para garantias de potência aos centros electroprodutores aprovado por portaria do Governo de 20 de agosto, que classifica de “uma extorsão às famílias portuguesas de 30 milhões de euros por ano, em benefício das grandes eléctricas”.
